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Filmes ampliam o entendimento do que foi a poderosa batalha da democracia contra o totalitarismo

O historiador britânico Norman Davies, no livro “Europa na Guerra” (Record, 599 páginas, tradução de Vitor Paolozzi), faz uma crítica corrosiva às interpretações que o cinema dá à Segunda Guerra Mundial (leia mais aqui). O historiador britânico sublinha que o cinema simplifica a guerra e, às vezes, superestima a participação dos norte-americanos e quase ignora a atuação decisiva dos soviéticos.

A ressalva é que Norman Davies usa o cinema para fazer análise histórica. Isto não quer dizer que o cinema deve falsificar, distorcer ou edulcorar. Mas a arte — se cinema é arte; tendo a sugerir que é novela mignon para “massas instruídas” — força mesmo a realidade; não é mera reprodução. Aos que estão mais interessados em cinema, em olhares diferentes sobre a batalha que envolveu o mundo entre 1939 e 1945 — da qual participaram 25 mil brasileiros —, a Versátil lança seis filmes em três DVDs para recontá-la, não raro de maneira idiossincrática e redutora mas sempre interessável.

O disco um contém os filmes “Fomos os Sacrificados” (1945) e “48 Horas” (1942). “Fomos os Sacrificados”, de 1945, tem direção de John Ford e um elenco estelar: John Wayne, Robert Montgomery e Donna Reed. Marinheiros americanos lutam na península de Bataan. Um belo filme do mestre Ford, o Bergman do Western aqui mostrando e tentando explicar a guerra. “48 Horas” é dirigido pelo brasileiro Alberto Cavalcanti, com os atores Leslie Banks, Elizabeth Allan e Frank Lawton. O filme é baseado numa história de Graham Greene.

“Também Somos Seres Humanos” (1945) e “Proibido!” (1959) estão no disco dois. O primeiro — com direção de William Wellman, com Robert Mitchum e Burgess Meredith — mostra o correspondente de guerra Ernie Pyle em ação. Pyle morreu na guerra, vítima da artilharia japonesa, aos 44 anos. O segundo, do respeitado Samuel Fuller, com James Best e Susan Cummings, relata a paixão de um soldado dos Estados Unidos por uma mulher da Alemanha. François Truffaut era apaixonado pelo filme e por Fuller.

“Amargo Triunfo” (1957) e “Mercenários Sem Glória” (1969) estrelam o terceiro disco. “Amargo Triunfo”, dirigido por Nicholas Ray, com os atores Richard Burton, Curt Jurgens e Ruth Roman, conta a história de um oficial britânico deslocado para lutar na África. Ao ver o filme, o francês Jean-Luc Godard disse: “O cinema é Nicholas Ray”. “Mercenários Sem Glória”, com direção de André De Toth, com Michael Caine, Nigel Davenport e Nigel Green, exibe a história de um executivo que apoia o exército da Inglaterra na África.