Euler de França Belém
Euler de França Belém

“The Economist” estima que 2016 será um desastre para o Brasil

A previsão é que a economia do país caia entre 2,5% e 3%. Mas a revista aposta que, por ter o apoio do PT, Nelson Barbosa pode acertar o Ministério da Fazenda

Dilma Rousseff na capa da The Economist alx_capa-subir_original

Economistas e jornalistas sugerem que, ante as avaliações de que 2016 pode ser pior do 2015, com a recessão agudizando-se, é mais adequado dizer “Bom 2017” e não “Bom 2016”. Blague à parte, a revista “The Economist”, no primeiro exemplar de 2016, circula com a presidente Dilma Rousseff na capa, cabisbaixa, e com o título de a “Queda do Brasil”. A mais influente publicação inglesa sugere que, por ser o mais rico dos países do Brics, o país governado pelo PT deveria ser um exemplo, mas tende a perder até para Rússia em termos de crescimento. Segundo a “Veja”, que traduziu trechos da reportagem, a revista sublinha “que a previsão é que a economia do país caia entre 2,5% e 3% em 2016”.

“Economist”, sempre mais rigorosa com o Brasil do que com a Inglaterra — rival do país de Machado de Assis pelo sexto posto de maior potência global —, afirma, e agora com razão, que a nação patropi “encara um ‘desastre político e econômico’”. A revista menciona a “perda do grau de investimento pela agência de classificação de risco Fitch” e sugere que a queda de Joaquim Levy não foi positiva. Monetarista, o ex-ministro seria um sinal de que Dilma Rousseff faria um governo menos pesado para a sociedade em 2016.

A Operação Lava Jato, que comprovou que o PT articulou um esquema de corrupção sistêmica, é citada pela “Economist”. A revista registra que a presidente Dilma Rousseff “tentou esconder o tamanho do déficit fiscal do país” e ressalta o processo de impeachment contra a petista-chefe.

O retorno de uma inflação supostamente galopante ganha destaque. As políticas de ajuste de Joaquim Levy visavam contê-la, mesmo à custa de uma recessão. “Economist” ataca o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa? Surpreendentemente, não. O motivo é prosaico: o ministro, ao contrário do anterior, tem o apoio do PT — ao menos por enquanto. Se sua política econômica não diferir da anterior — que promovia duros cortes nas áreas sociais e outras —, logo passará a ser atacado. Mas aí os petistas terão de atacar também a presidente Dilma Rousseff. Porque Nelson Barbosa é sua aposta pessoal — tanto que rejeitou o nome do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, sugerido pelo ex-presidente Lula da Silva. Meirelles, tão monetarista quanto Joaquim Levy, também não agrada o PT. O partido avalia que a crise do governo, mais do que país, pode ser resolvida com um ministro mais maleável — o que significa, sem eufemismo, mais gastador.

Qual é o principal motivo da crise do Brasil e de outros países ditos emergentes? “Economist” assinala, no resumo feito pela “Veja”, “que a deterioração econômica do país se deve, em parte, à queda dos preços das commodities”. Porém, frisa a revista, “Dilma e o PT pioraram ainda mais a situação”. A presidente teria gastado “de forma imprudente” e “concedeu incentivos fiscais a setores improdutivos”. Por isso, “o déficit fiscal saltou de 2% do PIB em 2010 para 10% em 2015”.

“Economist” conclui sua reportagem com ligeiro otimismo, se se pode entender assim: “A esperança é que o Brasil, que alcançou, a duras penas, a estabilidade econômica e política, não se perca em uma má gestão crônica e bagunçada”. Estabilidade gestada pelos governos de Itamar Franco, a partir de 1992, e de Fernando Henrique Cardoso, depois de 1995. A estabilidade política advém de um pouco antes, mas foi fortalecida depois da queda do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, e com a ascensão do mineiro Itamar Franco, que contou com o apoio do PSDB de Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.