Euler de França Belém
Euler de França Belém

Sai uma grande e polêmica história da literatura brasileira. O autor é Martim Vasques Cunha

Capa A poeira da gloria V4 DS.inddVocê sabe que as histórias tradicionais da literatura brasileira são importantes, mas às vezes são modorrentas, eliminando conflitos, na busca de um consenso onde o que a faz funcionar é o dissenso… Você não tem como fugir aos livros massudos e das análises didáticas, não raro redutoras e aproximando autores que são divergentes e não se complementam… Pois bem: saiu um livro, de 630 páginas, que vai ajudá-lo a pensar e, até, repensar a literatura patropi e, inclusive, sua crítica. Trata-se do polêmico, irrequieto e culto “A Poeira da Glória — Uma (Inesperada) História da Literatura Brasileira” (Record), do doutor em Filosofia Martim Vasques da Cunha.

Martim Vasques da Cunha examina a literatura dos autores, como Graciliano Ramos e Guimarães Rosa, dialoga com a chamada “fortuna” crítica e expõe suas ideias, às vezes nada canônicas, mas convincentes. E, apesar do desgaste da palavra, instigantes.

O leitor vai se deliciar com o fato de que Martim Vasques da Cunha escreve e pensa bem, o que é raro, e não apenas no Brasil. O texto é delicioso. Motivo? Sua prosa e sua interpretação são uma coisa viva, pulsante. Há tantos insights, a serem expandidos em outros livros, que não será surpresa se estudantes de mestrado e, mesmo, doutorado encontrarem temas e abordagens para seus trabalhos.

Martim Vasques da Cunha faz crítica literária, historia com precisão — embora não seja sua pretensão, por certo — e usa a filosofia para abrir novos canais na literatura patropi. Muitos constroem diques; o crítico abre canais.

É provável que especialistas ranhetas vão dizer: “O autor poderia ter ampliado a análise de alguns autores”. Poderia, de fato. Mas o que fez já é relevante e, certamente, vai forçar outras histórias a dialogarem com esta história rebelde ou rebelada da literatura brasileira.

2 respostas para “Sai uma grande e polêmica história da literatura brasileira. O autor é Martim Vasques Cunha”

  1. Caro EULER.
    Ótimo. Esta nota dialoga bem com o texto analítico de Wagner Schadeck, que repercuti ontem. Confiram.
    http://betoqueiroz.com/2015/11/14/prudencia-e-intuicao/

  2. Avatar Ricardo da Mata disse:

    Poucas vezes eu vi na minha vida uma pessoa tão confusa, vaga e simplória falar de literatura. Dizer que temos de obrigatoriamente analisar autor e obra para dar um julgamento é não ter a mínima noção do que é o fenômeno estético.

    Por fim, viu-se que não passa de um olavete com medinho de Marx e querendo que a literatura ensine “bons valores espirituais”.

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