Elder Dias
Elder Dias
Editor-executivo

Não existe “liberdade de pensamento” para o nazismo

O socialismo matou dezenas de milhões; o capitalismo, também; mas criar, a partir disso, controvérsias sobre um regime por natureza exterminador é intolerável

Por que falar de nazismo traz tanta suscetibilidade?

Essa é a pergunta que o youtuber Monark, agora desempregado, deveria estar se fazendo no momento em que, com seu colega Igor, na edição da segunda-feira, 7, do podcast Flow – um dos maiores do Brasil observava o debate entre os convidados da noite – os deputados federais Kim Kataguiri (DEM-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP).

Em determinado momento, a tentação de participar daquele embate particular que travavam os parlamentares sobre o tema “até onde se pode tolerar o nazismo como ideia?” foi maior em Monark.

Resolveu testar o potencial danoso de polemizar sobre o paradoxo de Popper, o rapaz defendeu que a criação de um partido nazista seria como um “auge” da liberdade de pensamento. Usou, como antítese e muleta particular, a existência dos partidos comunistas. Na verdade, Monark apenas reproduzia em palavras mais diretas o que Kataguiri quase dissera a Tabata: ser comunista é tão grave quanto ser nazista, porque ambas as ideologias mataram dezenas de milhões de pessoas no século 20.

E é verdade. Governos comunistas, bem como os governos nazistas/fascistas, mataram dezenas de milhões de seres humanos. Josef Stálin, na União Soviética; Mao Tse-tung, na China; Pol Pot, no Camboja e outros menos cotados mas também sanguinários, juntos, produziram cálculos que variam entre 20 milhões e 80 milhões de mortes, seja pela violência direta ou indireta do regime.

Por outro lado, é também verdade que países capitalistas, durante grande parte do mesmo século 20, impuseram sua mão de ferro sobre quase toda a África. Quantos cadáveres custou a exploração das riquezas daquele continente para proveito de meia dúzia de países europeus ditos civilizados? Mais ou menos vidas do que as ditaduras vermelhas?

A questão é básica: capitalismo e socialismo são sistemas político-econômicos que usaram a força para se estabelecer. O extermínio foi um dos meios para chegar ao objetivo.

O nazismo não encontra suporte algum em qualquer parâmetro porque o extermínio de seres humanos não é um meio, mas seu próprio objetivo. Se os princípios doutrinários do socialismo estão no “Manifesto Comunista”, de Marx e Engels; se, da mesma forma, é em A Riqueza das Nações” de Adam Smith que se baseia o capitalismo; estão no “Mein Kampf” de Adolf Hitler os pilares do nazismo.

Confundir liberdade de pensamento com direito a ser “antijudeu” e igualar regimes políticos precários com outro que sistematizou a morte de seres humanos são sinais de que precisamos mesmo rever como lidar com o que anda rolando na internet.

Exatamente por isso é que o título deste texto é propositadamente ambíguo.

Uma resposta para “Não existe “liberdade de pensamento” para o nazismo”

  1. Avatar Fabiano Dias Gonçalves disse:

    Tão pouco para o Comunismo, pensamentos políticos extremistas e autoritários devem ser erradicados!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.