Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre Mineiro, Luiz Antônio Novaes, ex-editor do jornal O Globo

Prêmio Esso de Jornalismo, o jornalista morreu, aos 56 anos, de falência múltipla dos órgãos, em decorrência de uma pancreatite aguda

Luiz Antônio Novaes, o Mineiro, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo, em 2002 | O Globo

Luiz Antônio Novaes, o Mineiro, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo, em 2002 | foto de “O Globo”

Luiz Antônio Novaes, o Mineiro, era um jornalista rigoroso, preocupado com a qualidade da informação e do texto, e por isso certamente não aprovaria a notícia de sua morte, aos 56 anos, publicada pelo “O Globo”, seu jornal durante anos, e onde ainda estava como colunista e blogueiro. Não pelo tom laudatório, porque as informações são verdadeiras e os elogios merecidos, e sim porque o motivo da morte foi publicado apenas no penúltimo parágrafo, quando o leitor começa(va) a ficar sem fôlego. Bastava dizer, aliás como dito no fim da reportagem: “Há duas semanas, Mineiro, de 56 anos, foi internado com pancreatite aguda. Ele morreu após falência múltipla dos órgãos em decorrência da inflamação”. A data da morte não é informada; fica-se com a impressão de que tenha ocorrido na terça-feira, 9.

Ao deixar o comando de “O Globo”, em 2013 (voltou no ano seguinte, como diretor da Sucursal de São Paulo), Luiz Antônio Novaes escreveu uma mensagem para os colegas, na qual disse: “Aos que dizem que vão sentir saudades do humor, do jeito de reclamar, da agudeza crítica, do ceticismo e até de um certo amor pelo ímpeto criativo”. Para ele, numa redação o que importa mesmo são os repórteres (editor é apenas cargo, sempre provisório). “Reportagem, reportagem, reportagem!! Tudo isso eu vi aqui [em “O Globo”], nas mais diferentes fases da redação. Tudo isso tem que continuar. É o nosso patrimônio. É o nosso compromisso.”

Mineiro de Alfenas, estudou Medicina (não se formou) e se formou em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (pertenceu à tendência estudantil Liberdade e Luta, a celebrada Libelu). Foi repórter da “Veja”, da “Folha de S. Paulo” e da “IstoÉ”. Ao lado da jornalista Mara Bergamaschi, sua mulher, assinava o “Blog do Mineiro”, no site da publicação da família Marinho, e a coluna “Conexão São Paulo”, no impresso. “Lê os bastidores em suas conexões e contradições, sem perder a ironia. Jamais” — este o objetivo de seu blog, em suas palavras.

Luiz Antônio Novaes ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Primeira Página), ao lado de Rodolfo Fernandes e Claudio Prudente. “O trabalho vencedor, com a manchete ‘Choque e pavor’, de 22 de março daquele ano, mostrava uma foto de uma explosão em Bagdá formando um enorme cogumelo que ocupava quase todo o lado esquerdo da página”, informa “O Globo”.

Luiz Antônio Novaes estava escrevendo um livro sobre a história do PT, que seria publicado pela Companhia das Letras. Com os jornalistas Gustavo Krieger e Tales Faria, escreveu o livro “Todos os Sócios do Presidente”, sobre Fernando Collor, e é autor do livro “Como Fernando Henrique Foi Eleito Presidente”.

O jornalista deixa dois filhos, Barbara e Álvaro Novaes.

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