O jornalista Luiz Gutemberg morreu no domingo, 16, aos 88 anos. Estava internado no Hospital do Coração, com pneumonia. Deixa cinco filhos e a mulher, Rosângela Bittar. Era uma referência do jornalismo do país.

Natural de Maceió, Gutemberg começou a carreira de jornalista aos 16 anos, na “Gazeta de Alagoas”.

Luiz Gutemberg capa de Ulysses G 500

Da terra de Graciliano Ramos, Gutemberg foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no “Jornal do Brasil”. Ele publicou uma história do jornal: “JB — A Invenção do Maior Jornal do Brasil, Conduzida por Odylo Costa, Filho” (Aeroplano Editora, 480 páginas). É um livro muito bom, sobretudo porque Gutemberg era um insider.

Em 1968, fez parte da equipe que criou a revista “Veja”. Ele foi editor assistente e, em 1970, assumiu a sucursal de Brasília. Integrava o grupo de Mino Carta, o primeiro diretor de redação da publicação da Editora Abril.

Luiz Gutemberg livro sobre o Jornal do Brasil 500

Gutemberg também trabalhou na revista “Manchete”, em “Mundo Ilustrado”, no “Jornal José”, na Band e no “Jornal de Brasília”. E foi assessor do ex-presidente José Sarney.

O jornalista escreveu literatura (de qualidade) e biografias. Um de seus livros mais importantes é “Moisés — Codinome Ulysses Guimarães: Uma Biografia” (Companhia das Letras. 388 páginas). Trata-se de uma excelente radiografia da história do deputado que combateu, durante anos, a ditadura civil-militar e operou, ao lado de Tancredo Neves, a redemocratização. Trata-se de uma pesquisa jornalística e histórica exemplar.

Luiz Gutemberg capa de o jogo da Gata Parida500

Publicou romances, “O Jogo da Gata-Parida” (Nórdica, 289 páginas), “O Anjo Americano” (Companhia das Letras, 166 páginas) e “Rendez-Vous no Itamaraty” (Nórdica, 294 páginas), e a peça “O Homem Que Enganou o Diabo e Ainda Pediu o Troco” (Artenova, 88 páginas).

Editor exigente e hábil orientador

Quem conheceu e trabalhou com Gutemberg sempre diz a mesma coisa: era um chefe exigente, mas, acima de tudo, sabia orientar. E era muito bem informado — mais do que os repórteres a quem cabia dirigir. Sabia tudo, ou quase, dos bastidores da política do país, que, em parte, é decidida em Brasília — seu front por décadas.

Luiz Gutemberg capa de rendez vouz500

Um jornalista de Brasília me disse que Gutemberg não precisava ligar para os políticos. Eles ligaram para o repórter e davam informações exclusivas. Gutemberg aprendeu, na sua longa jornada, que o repórter de política precisa raciocinar, ao longo de suas apurações, como político — e sem preconceitos. Só se revela repórter de verdade quando se torna, digamos assim, “político”. Quando adquire a astúcia do político.