Já em março de 1933 o escritor francês Romain Rolland denunciava o nazismo de Hitler

“O fascismo hitleriano, em quatro semanas, acumulou mais atos ultrajantes de violência do que o seu mestre e modelo, o fascismo italiano, em dez anos”

Romain Rolland e Gandhi | Foto: Reprodução

Há 87 anos, no dia seguinte ao incêndio do Reichstag (27-28 de fevereiro de 1933), o escritor francês Romain Rolland (1866-1944) escreveu o apelo transcrito a seguir, publicado em março na revista “Europe”. Vale frisar data do texto: março de 1933.

No momento em que este texto aparecia, o Partido Nazista obtinha 17 milhões de votos nas eleições federais (43,9%). Hitler formou uma maioria com o Deutschnationale Volkspartei (8% dos votos). No final do mês de março, ele obtinha plenos poderes.

Romain Rolland, Prêmio Nobel de Literatura de 1915, era romancista, biógrafo (de Beethoven e de Gandhi) e crítico de música. Ele foi professor da Sorbonne. “Jean-Christophe”, romance em vários volumes, é sua obra mais conhecida.

O escritor morreu em 1944; portanto, não pôde saber sobre a morte de Hitler, em 1945. Mas em 1944 a Alemanha e Hitler estavam praticamente derrotados.

A tradução do texto (e sua descoberta no Brasil) é Fedra Rodríguez.

Sobre o fascismo alemão

Romain Rolland

“A peste marrom superou, na primeira tentativa, a peste negra. O fascismo hitleriano, em quatro semanas, acumulou mais atos ultrajantes de violência do que o seu mestre e modelo, o fascismo italiano, em dez anos.

“O incêndio do Reichstag, do qual se utiliza desastradamente para legitimá-los, é um ato de provocação policial grosseira que não engana ninguém na Europa.

Adolf Hitler (na sua frente, o cruel Himmler), o ditador nazista da Alemanha que levou o mundo a uma guerra devastadora, entre 1939 e 1945 | Foto: Reprodução

“Denunciamos à opinião de todo o mundo esses atentados e mentiras — toda a força policial é colocada nas mãos de um partido de reação violenta — toda autorização oficial é concedida de antemão ao crime — toda liberdade de expressão e pensamento é estrangulada — a insolente intromissão da política até nas Academias, de onde são expulsos os raros escritores e artistas que mantiveram a coragem de sua opinião — a prisão dos homens mais estimados, não apenas entre os partidos revolucionários, mas entre os socialistas e os burgueses liberais — a instauração de um estado de sítio em toda a Alemanha — a suspensão das liberdades e dos direitos básicos em que assenta toda a civilização moderna.

“Instamos para que se juntem ao nosso protesto todos os escritores, todos os porta-vozes de opinião, todos aqueles na Europa e na América, independentemente do partido ao qual pertençam, que têm o sentimento de indignação pelo ultraje feito à dignidade essencial do homem e do cidadão, bem como o de solidariedade que nos une a todos aqueles que lutam contra o terrorismo desencadeado por uma reação sem escrúpulos e sem freios.” (“Europe Revue Littéraire Mensuelle”, março de 1933)

Tradução de Fedra Rodríguez

O texto original em francês se encontra disponível, em acesso livre, na Biblioteca de Arquivos da revista Europe Revue Littéraire Mensuelle. Confira link

Archives

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.