A situação está ruça ou russa na TV Record, do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. Em crise, decorrente de um rombo de meio bilhão de reais, a empresa demitiu a rodo e permanece demitindo. Diz-se no que mercado que demitir não é o melhor caminho para conter dívidas e reestruturar um empreendimento. Há ralos maiores do que salários, como possíveis retiradas de proprietários e associados.

Para piorar a crise da Record, há as indenizações trabalhistas, que só aumentam. Este mês, com a nova leva de demitidos, há a possibilidade de novas ações judiciais.

O ator Angelo Paes Leme vai receber 1 milhão de reais da Record. A indenização tem a ver com direitos de exibições de novela, que não foram pagos. Entre 2006 e 2021, o artista trabalhou na rede seguindo contratos por trabalho. A Justiça, a conceder a indenização, considerou que a “pejotização”, no caso, foi uma maneira de burlar a legislação vigente. Com trabalhos em sequência, um emendado no noutro, o Justiça decidiu que a Record tem de reconhecer o vínculo trabalhista. Em tese, contratava-se por obra, mas, na prática, o ator era funcionário da empresa.

A Record fez 41 transmissões de dez novelas e séries, em vários países, porém não repassou os direitos de transmissão para o ator.  

Na primeira instância, o ator perdeu. Mas Angelo Paes Leme recorreu e a Justiça avaliou que seu pleito era justo. A Record terá de pagar também as custas processuais, no valor de 20 mil reais. A rede ainda pode recorrer. O precedente está aberto e outros atores poderão seguir o mesmo caminho.

Durante a novela “Ribeirão do Tempo”, Angelo Paes Leme recebia, por mês, 810 mil reais. Porque era o ator principal.