Escrever para crianças não é nada fácil. Monteiro Lobato sabia disso. Ruth Rocha, Lygia Bojunga e Ana Maria Machado sabem disso.

Primeiro, porque, extremamente perceptivas e atentas aos detalhes (já disseram que Deus mora nos detalhes — e as crianças sabem disso), não podem ser subestimadas. São hábeis em explorar e entender o que parece complexo.

Segundo, apreciam o caráter, digamos, mágico da imaginação literária. O irreal, ou o que parece irreal, e o real são misturados com rara habilidade pelas crianças. O sonho — a fantasia — encanta meninas e meninos. Assim como aos adultos que permanecem abertos às surpresas do mundo (o mundo visto pelo poeta Manoel de Barros é o mesmo mundo que nós vemos? É. Mas ele o vê de maneira mais perceptiva, por isso o mundo fica mais rico e diverso).

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Gustavo Mustafé: escritor e psiquiatra brasileiro radicado no Canadá | Foto: Acervo pessoal

Gustavo Mustafé é formado em medicina, especializado em psiquiatria — trabalha no Canadá (o país em conflito com Donald Trump — que, por si, já parece um personagem de conto de fadas, uma espécie de bruxo mau, ou de Charles Dickens). Mas a alma do escritor é, desde sempre, de artista — tanto que é um músico categorizado (toca muito bem violão).

O livro de Gustavo Mustafé questiona: “uniformizar” é o melhor caminho? Não. A diversidade não é para ser superada — deve ser aceita. A beleza da vida advém muito mais da diversidade do que da uniformidade, que, a rigor, nem existe, exceto como “fachada” ou “retórica”

Todo bom escritor é um grande leitor. É o caso de Gustavo Mustafé. Mas, como leitor de primeira linha — da melhor literatura global —, decidiu, um dia, escrever um livro.

Trata-se do livro que acabou de sair do, como se dizia antigamente, prelo e está à venda nas livrarias (na Amazon, por exemplo, e na Nobel). “O Lápis Sem Cor” (Alcateia Editorial, 40 páginas) conta com texto de Gustavo Mustafé e ilustrações de Maira Chiodi. O autor diz que as ilustrações são um “show” à parte.

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Maira Chiodi: ilustradora e escritora brasileira | Foto: Reprodução

“O Lápis Sem Cor” é uma história a respeito da diversidade, da diferença. Cristal é um lápis, mas, sem cor, provoca estranhamento. Para “preservá-lo”, por assim dizer, os pais operam para que se pareça com os demais.

O livro questiona: trata-se mesmo do melhor caminho? A diversidade não é para ser superada — deve ser aceita. A beleza da vida advém muito mais da diversidade do que da uniformidade (que, a rigor, nem existe, exceto como “fachada” ou “retórica”).

Como afirma o release que convida para o lançamento, “com delicadeza, humor e sensibilidade, ‘O Lápis Sem Cor’ convida crianças e adultos a refletirem sobre identidade, pertencimento, diversidade e liberdade para existir sem precisar corresponder às expectativas alheias. Uma história que fala sobre a coragem de reconhecer o próprio valor e de descobrir que cada pessoa pode encontrar sua maneira única de ocupar o mundo”.

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Em tempos de “uniformidade”, Gustavo Mustafé aposta na convivência dos diferentes — por sinal, é a essência da democracia, que é e deve ser sempre tolerante.

Há um detalhe especial: como bom escritor, Gustavo Mustafé não usa a literatura meramente para fazer discurso ideológico. Seu livro é, acima de tudo, literatura, mas, claro, não escapa dos fatos reais da vida. A literatura que faz a vida pulsar é absolutamente necessária.

Gustavo Mustafé, psiquiatra no Canadá, é filho do dermatologista Antônio Macedo e da psicóloga Fátima Mustafé, ambos de Goiânia.

A ilustradora Maira Chiodi, formada em artes plásticas e comunicação, é autora do livro “O Jardim Lá Fora”. Ela morou em Montréal, no Canadá.

Serviço

O livro será lançado no sábado, 29, a partir das 15 horas, na Livraria Nobel, do Shopping Bougainville, em Goiânia.