Faculdade de Letras da UFG organiza na quinta-feira debate com Jarbas Silva Marques, que falará sobre a guerrilheira Inês Etienne
26 agosto 2026 às 11h46

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As forças conservadoras, articuladas por civis — como Magalhães Pinto e Carlos Lacerda — e militares — como Castello Branco, Golbery do Couto e Silva —, se uniram, entre o fim de março e o início de abril de 1964, e derrubaram o presidente João Goulart, o Jango.
Instalada a ditadura — que é tanto militar quanto civil (em larga medida, os cinco governos militares foram operados por civis, como Gama e Silva, Armando Falcão, Roberto Campos, Delfim Netto) —, promoveu-se uma verdadeira caçada, com ç, aos opositores e cassações, agora com dois “esses”, de mandatos políticos.
Inês Etienne, militante da VPR e ligada a Carlos Lamarca, participou do sequestro do embaixador Giovanni Bucher. Dada a ligação com o capitão e ao sequestro, era uma das juradas de morte pelos militares. Foi levada para a Casa da Morte, em Petrópolis, para ser assassinada, mas sobreviveu para contar e denunciar
Os que criticavam a ditadura perdiam o mandato. Se não tivessem mandato, eram presos. Vale o registro de que o regime militar já era cruento em 1964, e não apenas entre 1968 e 1974 (quando a dita se tornou mais dura).

Jarbas Silva Marques, o mais goiano dos mineiros, foi o primeiro jornalista goiano preso em 1964.
Parte das forças de esquerda decidiu, para enfrentar a ditadura, organizar guerrilhas urbanas e rurais. Entre os dos guerrilheiros estavam Inês Etienne Romeu e Jarbas Silva Marques.
Inês Etienne, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), ligada ao capitão Carlos Lamarca, participou do sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher. Dada a ligação com Lamarca e ao sequestro, era, possivelmente, uma das juradas de morte pelos militares. Presa, foi levada para a Casa da Morte de Petrópolis, para ser assassinada, mas sobreviveu… para denunciar o inominável (leia: https://tinyurl.com/y23bffn7).
Jarbas Silva Marques, com ligações com o PCB e com o PC do B, além dos contatos com o brizolismo, foi preso e barbaramente torturado (nunca delatou uma viv’alma e não recuou um milímetro de suas posições; nos tempos antigos, se diria: eis um varão de Plutarco). Como Inês Etienne, sobreviveu para contar
Jarbas Silva Marques, com ligações com o PCB e, depois, com o PC do B, além dos contatos com o brizolismo, foi preso e barbaramente torturado (nunca delatou uma viv’alma e nunca recuou um milímetro de suas posições; nos tempos antigos, se diria: eis um varão de Plutarco). Mas sobreviveu para contar. Ele já concedeu dezenas, talvez centenas, de entrevistas nas quais denuncia tanto a ditadura quanto os torturadores (inclusive um general médico).

Não há um amigo e admirador que não cobre: “Jarbinhas, cadê seu livro de memórias?” (Vale conferir uma de suas entrevistas: https://tinyurl.com/2xaseh32). Por final, sua memória é prodigiosa.
Aos 83 anos, o resistente Jarbas Silva Marques é umas memórias vivas dos anos dos anos de chumbo (e não só). Ele mora em Brasília. Lá é conhecido como “Googlejarbas” sobre a capital que foi construída por milhares de candangos, e não apenas por Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer e Lucio Costa.
A resistente Inês Etienne morreu, em 2015, aos 73 anos.

Documentário e debate na Faculdade de Letras
Na quinta-feira, 27, às 8h, será exibido o documentário “Inês” (1974), de Delphie Seyrig. Em seguida, às 15h, Jarbas Silva Marques, que foi casado com Inês Etienne, falará sobre a trajetória de ambos. O historiador e jornalista vai debater o período mais cruento da ditadura e eventos posteriores.
Quando se casaram, em 1975, Inês Etienne e Jarbas Silva Marques estavam presos. O cartunista e escritor Ziraldo, autor do livro “O Menino Maluquinho”, foi o padrinho do casamento. Ele era editor do jornal “O Pasquim”.
Local do evento: Cinema da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás, no Campus Samambaia. A organização é do Centro Acadêmico Machado de Assis da Faculdade de Letras da UFG.


