Sites que apoiam o governo do presidente Lula da Silva insinuam que a TV Globo, ao expor os problemas de Fábio Luiz Lula da Silva, Lulinha, estaria patrocinando uma campanha contra a reeleição do petista-chefe. Não é o que parece.

De fato, a Globo e a GloboNews dão destaque à investigação feita pela Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, a respeito dos negócios suspeitos de Lulinha da Silva, Fernando Bittar (o do sítio de Atibaia) e Roberta Moreira Luchsinger.

Se quisesse “proteger” o pai, o presidente da República, Lulinha da Silva deveria ter se mantido afastado do governo. Mas não é o que parece que aconteceu, de acordo com as investigações da PF.

Frise-se que a PF, afeita ao governo federal — o presidente indicou o diretor —, não é dirigida pela Globo. Mas os sites petistas preferem atacar, digamos, o “mensageiro”.

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Roberta Luchsinger: “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio” | Foto: Reprodução

Entre quinta e sexta-feira, 20 e 21, deu-se um bombardeio a respeito dos supostos “negócios” — mais do que de lobista, segundo a Polícia Federal — de Lulinha da Silva e Roberta Luchsinger.

Mas não foi a Globo que iniciou a divulgação das denúncias. Foram a “Folha de S. Paulo” e a revista “Veja”.

As informações divulgadas sugerem que Roberta Luchsinger operou, citando Lulinha da Silva — “eles [gente do governo] sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio” —, em busca de benefícios em órgãos federais, como o Ministério da Saúde e na Dataprev.

É preciso saber: negócios foram feitos?

Que houve tentativa de obter proveitos, como vender canabidiol, é evidente. Mas é preciso apresentar evidências de que negócios foram efetivamente feitos e de que o grupo de Lulinha da Silva obteve favores e ganhou dinheiro público ilegalmente.

Não é a imprensa que assacando denúncias “contra” o grupo de Lulinha da Silva. É a Polícia Federal que suspeita da existência de uma “sociedade oculta” — por exemplo, em negócios com cannabis medicinal. Eles “tentaram vender ao Ministério da Saúde”, aponta a “Folha de S. Paulo”. Sem sucesso.

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Fernando Bittar, o do sítio de Atibaia, volta a jogar com Lulinha | Foto: Reprodução

A “Folha de S. Paulo” assinala que “delegados da PF afirmam que a atuação de Lulinha, Roberta e Bittar não era apenas lobby ou representação de interesses perante a administração pública”.

A Polícia Federal indica, após a investigação, que as condutas do trio “extrapolam significativamente os limites éticos e legais inerentes a essa atividade”.

Os delegados enfatizam que ação deles visou “a facilitação da obtenção de contratos públicos, a promoção de alterações legislativas em benefício de interesses privados específicos e a realização de pagamentos a agentes públicos ocupantes de cargos de elevada hierarquia”.

Sites pró-Lula da Silva exigem investigação rigorosa a respeito dos negócios entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro — e estão corretos. Mas erram quando, para defender Lulinha da Silva e o presidente, atacam a imprensa que tem publicado as denúncias com o devido cuidado, sempre abrindo espaço para o contraditório.