Há reportagens que, mesmo relativamente bem-feitas, não são inteiramente esclarecedoras. Na segunda-feira, 15, a “Folha de S. Paulo” publicou a matéria “Forbes Brasil aparece como investimento do fundo ligado ao Banco Master”, assinada por Diego Felix.

Lido o texto, o que concluir: restou evidente a ligação entre os donos da Forbes Brasil, Katarina Camarotti e Antonio Camarotti, filha e pai, e o Banco Master de Daniel Vorcaro? Pode ser que o jornal tenha acertado a mão. Mas ficam mais dúvidas do que certezas.

O repórter começa assim a reportagem: “Dono da marca Forbes no Brasil, a FRBS Participações S.A. aparece na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como ativo principal de um fundo de investimento ligado a outros fundos investigados pela Polícia Federal no caso Master”.

Daniel Vorcaro: o poderoso chefão do Banco Master que mandava em políticos | Foto: Reprodução

A FRBS é dona da revista “Forbes”, especialista em reportagens sobre negócios e listas dos mais ricos do Brasil e do exterior.

Folha e Camarotti: quem tem razão?

Porém, Katarina Camarotti é peremptória: “Não temos conhecimento do porquê isso aconteceu. O que posso afirmar é que isso que foi reportado está errado, pois esse fundo não é nem nunca foi acionista/sócio da FRBS/Forbes BR”. Ela é diretora-executiva da Forbes.

A “Folha” apurou: “Segundo os registros da CVM, o Eagle Eye [Investments], do qual o [fundo] Astralo 95 é o cotista único, detém uma participação de R$ 113,7 milhões na FRBS Participações, razão social da Forbes”.

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Alexandra Moraes, ombudsman da Folha de S. Paulo: hora de moderar | Foto: Eduardo Knapp/Folhapres

De acordo com a “Folha”, Antonio Camarotti e Katarina Camarotti “detêm 100% das ações da FRBS Participações S.A.”

No entanto, no balanço contábil de 2024, protocolado na CVM, o Eagle Eye declara “deter 100% das ações da FRBS, avaliadas em R$ 113,7 milhões”.

Reportagens são necessariamente sisudas, “objetivas”. Mas a pergunta crucial é: se a “Folha de S. Paulo” estiver certa, a família Camarotti está errada? O jornal deveria cravar: “Nós estamos certos”.

Por mais que a matéria seja séria, relativamente detalhada, fica uma dúvida: os Camarotti estão falando a verdade ou mentindo? Se estiverem falando a verdade, a “Folha” errou.

A ombudsman da “Folha” deveria ser convocada para dirimir as versões apresentadas pelo jornal e pela parte “denunciada”.