Euler de França Belém
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Edival Lourenço erra ao dizer que Academia Sueca premia só ativistas para o Nobel de Literatura

A Academia Sueca premia muitos escritores ativistas, notadamente de esquerda, mas vários não eram ativistas

T S Eliot poeta americano

Rodrigo Alves, de “O Popular”, escreveu uma reportagem, “A unânime mestre Lygia”, no geral precisa (o repórter deixa escapar ligeiras imprecisões, como escrever Jorge Luís Borges, e não Luis, e separações silábicas estrambóticas). Versa sobre a indicação da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles, autora do estimável romance “As Meninas” — feita pela União Brasileira de Escritores-Seção de Sã Paulo — para o Prêmio Nobel de Literatura.

Há uma imprecisão na fala do presidente da União Brasileira de Escritores-Seção de Goiás, Edival Lourenço. Ele afirma que a questão ideológica é decisiva na premiação do Nobel: “Há todo um contexto. Além de escrever bem, claro, há também a questão ideológica. Escolhidos são sempre ativistas”.

William Faulkner 1

Na verdade, a questão ideológica tem peso — o fato de ter se tornado liberal quase impediu Mario Vargas Llosa de ser premiado —, mas os escolhidos nem sempre são ativistas. Do poeta T. S. Eliot, autor do poema “A Terra Devastada”, e do prosador William Faulkner, autor do romance “O Som e a Fúria”, pode se dizer muitas coisas, até que o primeiro era um carola religioso, mas nenhum crítico literário de peso, como Northrop Frye, Frank Kermode e Harold Bloom, teria coragem de chamá-los de “ativistas”.

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