Euler de França Belém
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Correio do Povo demite Juremir Machado por motivação ideológica

Grandes jornais demitem por incompetência e, até, por contenção de despesas. Demitir por razão ideológica não é ato de inteligência — é censura das mais duras e imbecis

Um grande jornal é aquele que acolhe divergências ideológicas e se posiciona contra o discurso unidimensional. Os jornais começam a morrer quando se tornam monolíticos — abrindo espaço só para a esquerda ou para a direita (ou então para outra corrente, como o centro político). Na verdade, há leitores que não querem jornais “abertos”, pois exigem, por vezes, que publiquem só aquilo que lhe convém, ideologicamente. Mas o correto é publicar opiniões de variados matizes, sem censura.

Juremir Machado: intelectual do Rio Grande do Sul | Foto: Reprodução

O “Correio do Povo” é um grande jornal, com história positiva, do Rio Grande do Sul. Mas, ao demitir Juremir Machado, por razões ideológicas, apequena-se, de alguma maneira. “O problema começou com a adesão ao bolsonarismo mais radical do comando atual. O projeto de extrema direita bolsonarista não quer saber de pluralismo”, afirma o jornalista. O curioso é que o profissional escrevia no jornal, hoje sob o controle do Grupo Record, desde 2000 — ou seja, 21 anos, duas décadas, quase um quarto de século.

Ao portal Coletiva.net, Juremir Machado revelou que, nos últimos anos, o jornal vinha censurando seus textos. Pedia, por exemplo, que retirasse trechos críticos às ações do presidente Jair Bolsonaro. “Eu sempre fiz as críticas cabíveis a um governo que acredito que deva ser contestado, mas parece que internamente não gostam disso.”

Durante um programa do qual fazia parte, Juremir Machado foi proibido de entrevistar Jair Bolsonaro. “Minha revolta com a situação gerou um desconforto com a direção.”

Juremir Machado, mais do que jornalista, é um intelectual refinado, um pesquisador competente e original. Ele é crítico, contundente, mas não excessivo. É professor da PUC do Rio Grande do Sul. Nos anos 90, “por uma forte pressão da esquerda”, foi demitido do “Zero Hora”.

O diretor do “Correio do Povo”, Sidney Costa, disse ao Coletiva.net: “As mudanças incluem investimentos na integração digital/impresso e ajustes pontuais nos setores de produção de conteúdo em suas diversas plataformas”.

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