Euler de França Belém
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Cientista revela que Mona Lisa contém outro retrato e especialista diz que quadro deve mudar de nome

Pesquisa do francês Pascal Cotte é endossada por historiador da arte Andrew Graham-Dixon mas contestada por Martin Kemp, professor de Oxford

Pascoal Cotte e a Mona Lisa img_lourdeslopez_20151208-112752_imagenes_lv_otras_fuentes_mona_lisa_portrait-k2v-U30667671341sqB-992x558@LaVanguardia-Web

Se não existe uma mulher como Gilda, a do filme de Charles Vidor, não existe um quadro tão icônico e emblemático quanto Mona Lisa, de Leonardo da Vinci (1452-1519). Pertence não apenas ao mundo da cultura, da alta cultura. Pertence à cultura (e ao imaginário) universal e, mesmo, ao universo pop. É profundamente italiano, mas é do mundo. É de todos nós. Por ter se tornado um patrimônio da humanidade, Mona Lisa é tão (ou mais) estudado quanto “Ulysses”, do irlandês James Joyce, e “Em Busca do Tempo Perdido”, do francês Marcel Proust. Em termos de popularidade, supera, e muito, os dois. Na terça-feira, 8, o jornal “La Vanguardia” publicou uma reportagem, “El retrato oculto bajo la Mona Lisa”, no qual se comenta um novo estudo sobre a obra de arte renascentista — espécie de “Dom Casmurro” da pintura.

O cientista francês Pascal Cotte, depois de estudar Mona Lisa por dez anos, afirma ter descoberto que, atrás da pintura principal, a da Mona Lisa, há “retratos ocultos”, que, “até agora”, eram “imperceptíveis”.

Numa reportagem especial da BBC, Pascal Cotte, co-membro da Lumiere Technology — organização francesa dedicada à fotografia multiespectral de pinturas —, “afirma que, na superfície inferior do quadro mais famoso do artista italiano”, pode-se verificar “a imagem do que parece ser uma ‘niñera’ [babá] olhando para um lado. No lugar da famosa olhada direta da pintura — que está no Museu do Louvre, em Paris —, a imagem da mulher enigmática não mostra nenhum rastro de seu característico sorriso (que tem intrigado os amantes de arte durante mais de 500 anos). Também seu ricto é outro. Pode não ser a mesma pessoa. Cotte teve acesso à pintura em 2004 no Museu do Louvre e a estudou de maneira pioneira usando uma técnica chamada Layer Amplification Method (LAM), com a qual tem estudado obras do artista, como Dama com arminho”.

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As teses de Pascal Cotte são controversas e outros pesquisadores não as endossam. Os experts na obra de arte do florentino estão divididos. Embora incomodado com a perspectiva anotada pelo pesquisador francês, o Louvre não quis se manifestar até agora. Martin Kemp, professor emérito de História da Arte da Universidade de Oxford, “não está convencido” de que as ideias de seu colega são precisas. “Não creio que estas etapas discretas na pintura representem diferentes retratos. Os vejo mais como um processo contínuo de evolução da própria pintura. Estou absolutamente convencido de que a Mona Lisa é Lisa.”

O enfoque de Pascal Cotte é avalizado pelo historiador da arte Andrew Graham-Dixon, autor de um novo documentário da BBC intitulado “Os Segredos da Mona Lisa”. O documentário, segundo “La Vanguardia”, “se baseia, precisamente, no estudo de documentos históricos relacionados com a célebre pintura e nas pesquisas científicas de Cotte”.

Graham-Dixon endossa Pascal Cotte: “Não tenho nenhuma dúvida de que esta é, sim, uma das histórias do século”. E ousa um pouco mais: “Haverá provavelmente uma certa reticência por parte das autoridades do Louvre em mudar o título da pintura. E é disso que estamos falando… é um adeus à Mona Lisa, ela é outra pessoa”.

[O texto original do La Vanguardia, jornal de Barcelona, pode ser conferido no link: http://www.lavanguardia.com/cultura/20151208/30667671341/retrato-oculto-mona-lisa.html]

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