Euler de França Belém
Euler de França Belém

Biografia de Julian Jackson “reconta” a história de Charles de Gaulle. Em 1080 páginas

Jogando entre os grandes, como Churchill e Roosevelt, o político francês, sempre ranheta, acertou e, às vezes, errou

O francês Charles André Joseph Marie de Gaulle (1890-1970 — viveu 79 anos) é um dos gigantes políticos do século 20. Não pela altura — 1,96m —, e sim por sua importância na luta contra o nazismo e pela relativa estabilidade da França pós-guerra (é provável que tenha sido decisivo para evitar que os comunistas, que eram fortes e bancados pela União Soviética de Stálin, conquistassem o poder no país de Stendhal, Flaubert, Proust e Gide). De fato, De Gaulle não teve a relevância do britânico Winston Churchill — talvez o político mais notável do século 20 — e do americano Franklin D. Roosevelt. Mas jogou bem, com alguma desenvoltura e certa ranhetice, ao lado dos dois.

Há biografias de qualidade sobre Charles de Gaulle. Mas a mais atualizada e ampla está chegando ao Brasil, pela Editora Zahar: “Charles de Gaulle — Uma Biografia” (1080 páginas, tradução de Berilo Vargas), de Julian Jackson. Especialista em história da França no século 20, o autor é professor da Queen Mary University of London. Contar a vida de De Gaule equivale a narrar a história do século 20 e descortinar a história de vários países e de grandes personagens, como Churchill e Roosevelt, democratas, e, ainda que não se aprove o que fizeram, Hitler e Stálin, ditadores capazes das maiores monstruosidades.

Como o patropi Juscelino Kubitschek, De Gaulle também se cercava de intelectuais e escritores, como André Malraux e Claude Mauriac (filho de François Mauriac).

Winston Churchill, britânico, e Charles de Gaulle, francês: aliados na luta contra o nazismo da Alemanha de Adolf Hitler | Foto: Reprodução

(Como dizem os críticos literários Marcelo Franco e Iúri Rincon Godinho — dois dos principais segundoguerrófilos do país —, o único problema é o custo do livro, nada menos do que R$ 139,90. Claro, vale, mas é um valor alto. Mas, como assinala o poeta Carlos Willian — que tira Leite de pedra e repõe Drummond, o gauche, no caminho —, felizmente há cartão de crédito, ao contrário de outros países, como Argentina, que divide a compra em parcelas.)

Release da Editora Zahar

“Um retrato vibrante do líder controverso mas incontestável que comandou a resistência à ocupação nazista e salvou a honra da França. Charles de Gaulle ganha aqui sua primeira reconsideração histórica de peso em vinte anos, escrita por um dos maiores especialistas na história moderna da França.

“Com sua personalidade forte, o general Charles de Gaulle adentrou a história inspirando homens e mulheres a arriscarem a vida para combater o nazismo. Depois, como presidente, enfrentou revoltas nacionais e violentos movimentos de independência. Perseguindo o que chamou de ‘uma certa ideia da França’, desafiou a hegemonia americana, retirou a França da Otan e por duas vezes vetou a entrada da Grã-Bretanha na Comunidade Europeia. Figura gigante, cujo legado segue sendo profundamente disputado, De Gaulle ressurge em cores vivas nessa premiada biografia.

“Apoiando-se em vasta pesquisa, inclusive de arquivos recém-disponibilizados, o historiador Julian Jackson explora todas as dimensões do ‘mistério De Gaulle’, sem buscar lhe dar excessiva coerência: revela as raízes conservadoras da formação intelectual do general, descreve com precisão e leveza seus paradoxos e ambiguidades, seu talento político, paixão pela tática, pragmatismo e capacidade de visão, e lança nova luz sobre a relação do estadista com Churchill. Uma narrativa pulsante, que capta De Gaulle como nunca antes.

“Vencedor do Duff Cooper Prize for History 2018 e do Elizabeth Longford Prize for Historical Biography 2019.”

Comentário da New York Review of Books

“A biografia escrita por Julian Jackson é um monumento à altura dessa figura extraordinária (…), um dos personagens mais fascinantes da política do século 20. (…) O resultado é uma excelente história da França moderna disfarçada de biografia de um estadista.”

Comentário do New York Times

“Uma apresentação arrebatadora e, ao mesmo tempo, concisa do mais brilhante, exasperador e inefavelmente francês dos homens.”

Comentário de The Spectator

“Deixa as obras anteriores na sombra, em boa parte devido à pesquisa impecável e à sua rara capacidade de ser objetivo e atraente. (…) Uma obra-prima.”

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