Amanda Gorman, a poeta negra que vai ler um poema na posse de Joe Biden

O poema da escritora, formada em Harvard, é sobre a invasão do Capitólio por seguidores de Donald Trump

A poeta Amanda Gorman, de 22 anos, vai ler o poema “The hill we climb” (“A montanha que escalamos”) na cerimônia de posse de Joe Biden na Presidência dos Estados Unidos na quarta-feira, 20. Também se apresentarão Lady Gaga (vai cantar o hino do país), Bruce Springsteen e Tom Hanks.

Formada por Harvard, Amanda foi indicada pela futura primeira-dama, Jill Biden. Ela é uma poeta ativista, com foco em diáspora negra, feminismo, raça e marginalização. O poema “The hill we climb” tem como tema a invasão do Capitólio pelos radicais que apoiam o presidente Donald Trump. “Aquele dia me deu uma segunda onda de energia para terminar o poema. O poema não é cego. Não vira as costas para as evidências de discórdia e divisão”, disse à rede americana ABC.

Amanda Gorman: poeta americana | Foto: Reprodução

Amanda afirma que o poema não sofreu orientação ideológica da equipe de Joe Biden. Sugeriram tão-somente que destacasse a necessidade de unir o país e não atacasse o presidente que está saindo.

História de Amanda Gorman

Joan Wick, mãe de Amanda, conta que ela e a irmã gêmea nasceram prematuramente. Quando era criança, médicos diagnosticaram que tinha “transtorno do processamento auditivo” e “dificuldades na articulação da fala”, o que dificultava a pronúncia de certas palavras.

Apesar “dos problemas para se expressar”, relata Joan Wick, “as ideias de Amanda eram avançadas”.

Amanda demorou aprender a ler, em comparação com outras crianças. Entretanto, quando aprendeu, deslanchou rapidamente, se tornando uma leitora voraz.

Amanda Gorman: poeta preocupada com as injustiças sociais | Foto: Reprodução

Numa escola para crianças com necessidades especiais, onde estudou, não apreciava receber ajuda dos mestres. Aos poucos, foi mudando de ideia e aceitou o apoio. Em nenhum momento, sublinha a mãe, Amanda permitiu que seus problemas “fossem obstáculos em sua vida”.

Ainda pequena, começou a escrever histórias. A mãe assinala que, “devido à sua dificuldade para comunicar-se, Amanda se sentiu seduzida pelo poder da poesia para expressar ideias”.

Maya Angelou (1928-2014), poeta afro-americana, foi uma das primeiras inspirações para a criação artística de Amanda. Durante a leitura da autobiografia da escritora, sentiu que Maya era ela “adulta”.

As leituras levaram-na a escrever poesia. Em Harvard, um de seus mentores sugeriu que aderisse a uma iniciativa da organização Urban Word — Youth Poet Laureate —, em Los Angeles. Amanda enviou uma série de poemas versando sobre injustiça social. Em 2014, como resultado da qualidade de sua poesia, foi, finalmente, laureada.

Em 2015, saiu o primeiro livro de poesia de Amanda, “The One For Whom Food Is Not Enough”. Para 2021, a Viking Children’s Books vai lançar dois livros da poeta.

Afirmando seu talento, Amanda foi “nomeada a primeira National Youth Poet Laureate pela Urban Word”. “Ser reconhecida como Youth Poet Laureate é similar a ser poeta laureado”, afirma.

Joan Wick frisa que o que mais aprecia em Amanda é seu “senso de justiça”, sua “forte empatia” com as pessoas. Desde criança, anota sua mãe, Amanda é assim.

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