Um sol para cada um: arborização é dever cívico do goiano
17 agosto 2026 às 18h45

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Antes de terceirizar uma responsabilidade, você deve se perguntar qual será o custo social disto. Quando você diz que o Estado tem que fazer alguma coisa, na prática está afirmando que esta instituição recolha os impostos de outras pessoas e faça o que você devia fazer. Neste caso, diz respeito a manutenção das arvores e outras plantas e o plantio delas em suas casas, fazendas e chácaras.
Aparentemente, um sintoma do imediatismo que percebemos a realidade, se apresenta ainda mais evidente neste período do ano. O tempo mais seco e calor extremo, nos coloca em um local de reflexão sobre a vegetação urbana. Do quanto ela é necessária para o alívio da sensação popularmente conhecida por nós goianos de ter “um sol para cada um”.
É claro que o que está nas áreas públicas, é dever dos entes públicos salvaguardar, mas dentro da nossa possibilidade, em nossos lares, devemos ter uma postura mais firme para manter nossa cidade o menos quente possível. Não estou falando de uma obrigação por meio do legislativo, mas de uma cultura da arborização. Algo próximo do que chamamos de “espírito público”.
Lembre-se que os cientistas estão discutindo a confirmação do Super El Niño, um fenômeno que já aconteceu em 1877-78, e que trouxe muitas consequências para a vida humana.
É evidente que um fenômeno desta natureza não pode ser simplesmente controlado com um plantio de árvores, ou um grau elevado de conscientização sobre a preservação ambiental de moradores de uma cidade ou um estado. Mas, com toda certeza, minimiza bastante a vida de quem passa o dia trabalhando e transitando durante os horários mais críticos de exposição do sol.
Além disso, é preciso compreender que a arborização não é apenas uma questão estética ou de conforto térmico, mas também de saúde pública. Árvores reduzem a poluição do ar, aumentam a umidade relativa, contribuem para a infiltração da água no solo e diminuem os riscos de erosão, empobrecimento de nutrientes e outros desgastes do solo.
Em um estado como Goiás, onde a urbanização cresce rapidamente, a ausência de vegetação pode intensificar problemas respiratórios, aumentar o consumo de energia elétrica com ar-condicionado e comprometer a qualidade de vida da população. Portanto, plantar e cuidar de árvores é uma forma de responsabilidade compartilhada que gera benefícios coletivos.
Mais do que nunca, precisamos cultivar esse “espírito público” e transformar a arborização em um hábito cultural, transmitido de geração em geração. Não se trata de esperar grandes projetos governamentais, mas de pequenas atitudes cotidianas que, somadas, fazem diferença. Cada árvore plantada em um quintal, cada sombra criada em uma calçada, cada espaço verde preservado é um gesto de cidadania. Afinal, diante de “um sol para cada um”, cabe a nós, goianos, multiplicar também “uma sombra para todos”.
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