O uso da tecnologia tem se tornado fundamental em todas as profissões. Mesmo naquelas que ainda têm o trabalho braçal como ponto de partida, ela não se faz ausente e se mostra uma forte aliada para entregar resultados cada vez melhores.

Usá-la no cruzamento de dados representa uma redução considerável no tempo necessário para encontrar respostas. Na área da segurança pública, ela tem sido tão útil que estamos vendo foragidos há anos serem capturados.

O caso recente de Rio Verde, em que um homicida condenado estava foragido havia 14 anos e foi localizado no Paraguai, é o melhor exemplo que posso trazer aqui. Em 2012, ele conseguiu fugir do sistema prisional goiano e, durante todo esse tempo, adotou diversas identidades falsas. O cruzamento das digitais existentes em Goiás com aquelas encontradas no Pará — estado onde ele permaneceu por um período — mostrou que se tratava da mesma pessoa. A partir desse ponto, foi possível traçar um caminho até encontrá-lo no país vizinho.

Claro que os meios tradicionais de denúncia ainda ajudam muito a polícia, mas a tecnologia veio aperfeiçoar ainda mais esse trabalho. A polícia goiana conta com muitos especialistas nas áreas de tecnologia e inteligência artificial. Trabalhar com essas ferramentas está longe de representar comodismo. Pelo contrário, evidencia ainda mais a eficiência da corporação na elucidação dos casos.

E aqui me refiro a todas as instituições: Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Técnico-Científica. Investir nisso é oferecer melhores condições de trabalho a esses servidores e pensar no bem-estar de qualquer cidadão.

O episódio mostra que a tecnologia vem ocupando um espaço importante no dia a dia das pessoas, principalmente na área da segurança pública. Atrevo-me a dizer que acerta quem consegue fazer uma leitura antecipada sobre isso. Daniel Vilela tem enxergado esse cenário com maestria ao utilizar a inteligência artificial como aliada no combate ao crime.

O programa IA contra o Crime funciona como os olhos de toda uma corporação que não consegue estar presente em todos os lugares, mas que concentra, em uma sala de monitoramento, imagens de diferentes pontos das cidades. A partir daí, é possível acionar a equipe mais próxima para atender determinada ocorrência. Ao mesmo tempo, as câmeras conseguem acompanhar o trajeto feito pelo suspeito e, com capacidade até mesmo de realizar reconhecimento facial a distância, contribuir para que ele seja localizado o mais rápido possível.

O projeto é ambicioso e tem a expectativa de ultrapassar as barreiras das grandes cidades, pois os crimes também ocorrem nos municípios pequenos. Muitas vezes, pequenas cidades servem como base para o crime organizado, e a tecnologia ajuda a mudar essa realidade geográfica construída ao longo de muitos anos.

São 4.435 câmeras espalhadas por todo o estado. Para dar conta do volume de imagens produzidas 24 horas por dia, sete dias por semana, está no radar a construção de 22 Centros Integrados de Inteligência, Comando e Controle (CIICCs).

Os dados da área mostram os resultados. Na comparação entre 2018 e os números mais recentes, as reduções são expressivas: o roubo de cargas caiu 97%; o roubo de veículos, 95%; os roubos a pedestres tiveram redução de 92%; e os roubos a comércios recuaram 91%. Modalidades criminosas como o chamado “novo cangaço”, que tinha instituições bancárias como alvo, registraram queda de 100% em Goiás.

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