O primeiro debate entre os candidatos ao governo de Goiás, realizado pela TV Sucesso/Band no domingo, 9, terminou sem um vencedor claro. Mas deixou uma impressão bastante nítida sobre quem saiu perdendo: o eleitor que passou algumas horas diante da televisão esperando ouvir propostas para o futuro de Goiás.

Em vez de um confronto de ideias sobre os grandes desafios do Estado, o debate foi dominado por ataques, críticas à atual gestão e, sobretudo, pela ausência do governador Daniel Vilela. A ausência do candidato governista foi explorada praticamente como um tema à parte, ocupando um espaço que poderia ter sido utilizado para discutir aquilo que realmente interessa ao cidadão: segurança, saúde, educação, infraestrutura, emprego, desenvolvimento regional e equilíbrio das contas públicas.

Houve propostas pontuais. Luís César Bueno falou sobre meio ambiente, recuperação de rios, terras raras e expansão dos Institutos Federais. Wilder Moraes apresentou ideias para segurança pública, inteligência artificial e industrialização do Entorno. Marconi Perillo falou sobre transporte coletivo, segurança, saúde e infraestrutura. Mas faltou algo essencial em uma disputa pelo comando de um Estado: um projeto articulado de governo.

O problema não é o candidato criticar o adversário. Debate eleitoral também é confronto. O problema é quando a crítica ocupa o lugar da proposta. E foi isso que predominou.

Luís César Bueno, em vários momentos, pareceu mais interessado em estabelecer a conexão entre sua candidatura e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que em apresentar uma agenda própria para Goiás. A defesa das ações do governo federal é legítima, especialmente para um candidato do PT, mas o eleitor goiano precisava saber mais: qual seria a política econômica para o Estado? Como ampliar a industrialização? O que fazer com a saúde regional? Como enfrentar os gargalos do transporte? Qual seria a estratégia para o Entorno? Como lidar com o desafio fiscal?

A eleição para governador não é uma eleição presidencial. O eleitor precisa conhecer o projeto para Goiás, não apenas saber de que lado da polarização nacional está o candidato.

Wilder Moraes, por sua vez, teve dificuldades de desempenho próprias de quem ainda não está habituado ao formato. O próprio candidato utilizou o fato de ser seu primeiro debate para justificar momentos de dificuldade. Em algumas respostas, a leitura e a comunicação pareceram pouco naturais. Ao mesmo tempo, tentou reforçar uma imagem de homem simples, empresário e engenheiro, buscando uma identificação direta com o eleitor.

Mas houve uma contradição interessante.

Embora esteja colocado no campo oposicionista, Wilder fez elogios à atual administração em diferentes momentos. A estratégia pode até fazer sentido diante do cenário eleitoral. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em maio mostrou que 84% dos goianos aprovavam a gestão de Ronaldo Caiado e que 71% consideravam que o ex-governador merecia eleger um sucessor. No mesmo levantamento, Daniel Vilela aparecia como o nome associado à continuidade do grupo governista.

Ou seja: atacar frontalmente um governo aprovado por parcela expressiva do eleitorado pode ser uma estratégia de risco. Wilder parece ter percebido isso. O resultado, porém, foi uma posição politicamente curiosa: em determinados momentos, o candidato parecia mais próximo de um apoiador crítico da administração do que de um opositor disposto a apresentar uma ruptura clara.

Marconi Perillo adotou outra estratégia. Praticamente todas as respostas acabavam conduzindo ao mesmo destino: Daniel Vilela. Parece que Marconi estava tentando usar o atual governo para interagir com seus poucos eleitores e aumentar o seu baixo engajamento nas redes sociais. Talvez o objetivo seja alcançar o eleitorado jovem —aquele que não se lembra de como o tucano deixou o estado de Goiás.

Para os próximos encontros, a cobrança deveria ser simples:

O eleitor precisa saber qual é o plano para o Estado.

Precisa saber quanto vai custar.

De onde virá o dinheiro.

Quais serão as prioridades.

O que será mantido.

O que será mudado.

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