Em muitas sociedades inseguras, o discurso duro contra o crime tornou-se um atalho político para o sucesso eleitoral e popularidade. A promessa de lidar com o crime de forma eficaz e assertiva combina com eleitores preocupados com a segurança pública, o que torna essa estratégia uma ferramenta poderosa na arena política. Um exemplo de sucesso recente na utilização deste discurso é o do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que está praticamente reeleito com mais de 90% dos votos.

O país, marcado por décadas de violência e instabilidade, encontrou sob a liderança do presidente uma abordagem única no combate ao crime organizado. Desde que assumiu o cargo em 2019, Bukele tem buscado implementar políticas enérgicas e inovadoras para enfrentar os desafios que assolam sua nação, e os resultados até agora são notáveis.

Entretanto, é importante reconhecer que um discurso duro contra a criminalidade muitas vezes simplifica questões complexas e multifacetadas relacionadas à segurança pública. Embora possa gerar apoio popular ao prometer ações rápidas e enérgicas contra criminosos, esse tipo de discurso geralmente ignora as raízes profundas da criminalidade, como pobreza, desigualdade, falta de oportunidades e deficiências no sistema judicial.

Seguindo a linha “bandido bom é bandido morto”, Bukele adotou uma postura firme contra as gangues que historicamente exerciam uma grande influência no país. Em vez de buscar negociações ou concessões, seu governo implementou uma política de mão dura contra os grupos criminosos, destacando a mensagem de que a violência e o crime não serão tolerados. Esta abordagem tem sido fundamental para desmantelar as estruturas de poder das gangues e restaurar a autoridade do Estado.

No Brasil, um movimento similar também foi o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que tem indicies de aprovação de cerca de 85%. Sob a liderança do governador, o estado vive um progresso significativo na redução da criminalidade. Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2019, Caiado tem adotado uma postura firme no enfrentamento do crime, por muitas vezes dizendo que “em Goiás ou bandido muda de profissão ou muda de estado”.

Sua abordagem inclui uma combinação de medidas de repressão policial, investimentos em tecnologia e inteligência, além de programas sociais e educacionais voltados para a prevenção do crime. O sucesso de Ronaldo Caiado em Goiás no combate ao crime destaca a importância de uma liderança determinada e da adoção de abordagens integradas para enfrentar os desafios de segurança pública. A lição é valiosa para outros líderes e regiões que enfrentam desafios semelhantes na segurança pública.

Ronaldo Caiado
Governador de Goiás, Ronaldo Caiado. | Foto: Isac Nóbrega/PR

Cobertor curto

No entanto, enquanto um discurso firme contra a criminalidade pode render rápidos ganhos políticos a curto prazo, sua eficácia em promover mudanças reais e sustentáveis na segurança pública é questão mais complexa. Apesar dos avanços significativos, é importante reconhecer que o sucesso de Bukele também gera críticas.

Além disso, a concentração de poder nas mãos do presidente salvadorenho levantou questões sobre a saúde da democracia. Apesar dessas preocupações legítimas, não se pode ignorar o fato de que as políticas de Bukele têm produzido resultados na redução da criminalidade e no fortalecimento da segurança. O país testemunhou uma queda acentuada nos índices de homicídios e outros crimes violentos desde que Bukele assumiu o cargo, indicando uma mudança significativa na dinâmica do crime organizado.

Em algumas situações, líderes que adotam uma postura firme contra o crime podem ser capazes de implementar políticas e medidas que realmente reduzem a criminalidade e melhoram a segurança pública. Mesmo assim, a chave para o sucesso a longo prazo reside na implementação de estratégias equilibradas que abordem tanto as causas quanto os sintomas da criminalidade, enquanto respeitam os direitos humanos, promovem a justiça social e preservam a democracia.

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