Herbert Moraes
Herbert Moraes

Com Trump no poder, líderes palestinos esperam tempos difíceis

Política israelense de acelerar construções nos assentamentos é considerada uma pá de cal no processo de paz em negociação

A mensagem veio da Casa Branca. diretamente para os líderes palestinos, em tom de ameaça: se a liderança palestina levar à frente a ação contra Israel na Corte Criminal In­ternacional, terá como resposta uma reação séria e à altura da nova administração americana, incluindo o fechamento dos escritórios da Organização para a Liber­tação da Palestina (OLP) na capital americana e o fim do financiamento econômico da Autoridade Palestina e o retorno da OLP para a lista de organizações terroristas.

Nesta semana, numa entrevista exclusiva para a Record TV (que ainda será divulgada), o negociador-chefe palestino Saeb Erekat disse quais eram os próximos passos que o governo palestino tomaria depois da visita do primeiro-ministro de Israel a Washington, que ocorrerá daqui a dez dias. Erekat afirmou que o encaminhamento da ação penal na Corte Criminal Internacional era iminente e ainda reiterou a necessidade de intervenção internacional afim de impedir a expansão das colônias judaicas em território palestino. Desde que Donald Trump tomou posse, Israel anunciou a construção de milhares de casas na Cisjordânia e na parte oriental de Jerusalém. Erekat lembra que, até agora, não houve nenhuma manifestação do governo americano condenando a atividade, que é proibida, de acordo com as leis internacionais.

A mensagem foi transmitida através do consulado americano e não pelo Departamento de Estado, e aconteceu numa conversa por telefone com um líder palestino não identificado que estava linkado ao telefone do presidente Mahmoud Abbas, que ouviu alto e claro.

Os movimentos de Trump na Casa Branca para proteger Israel e evitar que o país, seu exército e até seus políticos se tornem réus em ações penais internacionais, começaram logo na primeira semana em que assumiu o poder. Trump assinou uma ordem executiva ratificando uma decisão do Congres­so, de ir contra a Au­to­ridade Palestina e o Fatah (o maior partido da OLP) se os pa­lestinos processarem os israelenses. Mas, em entrevista, Erekat deixa claro que os líderes palestinos contam com as diversas ações que já foram peticionadas como único instrumento capaz de tentar conter a expansão dos assentamentos em seu território.

A tensão é geral entre os líderes palestinos, que ficaram furiosos com as mensagens que chegaram de Washington. Para eles, há uma clara tentativa de sabotar toda estratégia palestina implantada nos últimos anos, que vai desde o abandono da luta armada e o engajamento em favor da diplomacia internacional como o trabalho realizado junto às instituições das Nações Unidas e da comunidade internacional em busca da solução de “dois Esta­dos para dois povos”.

Para Erekat, a política de Ben­yamin Netanyahu, com a aceleração das construções nos assentamentos, é uma pá de cal no processo de paz e a destruição de qualquer chance de uma solução diplomática no futuro.

Nos próximos dias os líderes palestinos estarão discutindo o que fazer a partir de agora. A política do novo governo americano para o conflito ainda não está clara. Por isso, os dois lados se movimentam sem muito alarde, mas com armas em punho. Resta esperar pra saber quem vai atirar primeiro.

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