Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Sergio Moro é vítima da máquina de propaganda de esquerda que mentiu sobre Stálin

Investigações do Ministério Público e sentenças do ex-magistrado devastaram a corrupção da esquerda, que agora usa a desinformação para tentar atingir Moro

Na década de 1950, universitário, eu acreditava, como a maior parte dos cidadãos do chamado “Mundo Livre”, que a União Soviética desfrutava de elevado padrão de desenvolvimento, passo a passo com os EUA, seu contraponto na Guerra Fria. Muitos de meus colegas de universidade eram simpatizantes do comunismo, e alguns até faziam parte do Partido Comunista do Brasil (PCB; em 1961, passou a ser Partido Comunista Brasileiro). Estes pregavam mesmo, insistentemente, a superioridade da URSS em todos os campos do progresso humano, e citavam fantásticas estatísticas sobre educação, saúde, esportes, cultura e ciência da URSS, que ninguém tinha como contestar: eram fornecidas por uma única fonte, a própria União Soviética.

O lançamento na base soviética do Cazaquistão do primeiro satélite artificial, o Sputnik, em 1957, reforçou a opinião desses colegas comunistas, que, diga-se de passagem, experimentavam verdadeiros orgasmos múltiplos ao divulgar o feito. Embora ainda guardasse algumas dúvidas sobre esse pretenso desenvolvimento comunista, só abri verdadeiramente os olhos para a realidade vermelha quando, no início da década de 1960, fiz duas viagens reveladoras: uma, da então Checoslováquia para a Finlândia, atravessando de trem a Ucrânia, uma das melhores repúblicas da URSS; outra, pelo centro-leste dos Estados Unidos, particularmente os Estados de Kentucky, Missouri, Tennessee e Alabama, tidos então como os mais atrasados do país.

A disparidade era gritante, e não só em infraestrutura: enquanto no interior ucraniano não havia asfalto e energia elétrica e os arados eram de tração animal, nos EUA a pavimentação asfáltica chegava até as sedes das fazendas, todas eletrificadas e providas de boas casas e tratores, já naquela época equipados de cabines com calefação.

Enquanto nos EUA conversávamos com todo e qualquer cidadão, na URSS os policiais recusavam-se a nos dar qualquer tipo de informação e mesmo agrediam qualquer cidadão soviético que tentasse confraternizar conosco.

Percebi que vivíamos, no Ocidente, sob intensa propaganda enganosa sobre as maravilhas da vida comunista. Hoje, com a queda do Muro de Berlim e o avanço das comunicações, muito dessa balela comunista caiu por terra. A URSS nunca teve o desenvolvimento social e científico que alardeou. Apenas, por motivos de defesa, aplicou elevados recursos nos campos nuclear e espacial, e como propaganda, investiu bastante no desporto, visando a repercussão mundial dos jogos olímpicos. Basta dizer que, para cada prêmio Nobel conquistado pelos soviéticos, França e Alemanha mereceram três cada uma; e os EUA mais de dez!

Em conforto pessoal, enquanto nos lares americanos abundavam os eletrodomésticos e os carros de passeio, um soviético amargava anos de espera por uma singela geladeira, e tinha vestimentas e calçados inferiores, inaceitáveis no Ocidente. Automóveis? Só em sonhos para um operário soviético.

Mas nem tudo se revela, e como comunismo e socialismo não desaparecem, muitas práticas subsistem, para nossa infelicidade.

E surge a pergunta: como pudemos acreditar, por décadas, que a URSS era aquela potência social e econômica que ameaçava os Estados Unidos com seu poderio tecnológico? Como pudemos crer que a sociedade soviética era próspera e feliz? Como ignoramos as atrocidades, as perseguições, os genocídios, os Gulag? A resposta sucinta está em uma palavra: propaganda.

Vale lembrar as ideias de Lênin, de que membros do partido — os propagandistas — deviam alardear as conquistas “do proletariado”, enquanto outros membros — os agitadores — deviam dramatizá-las, apelando para o exagero e o sentimentalismo; e as ideias de Stálin, de que competia ao Estado Soviético levar ao mundo a desinformatzyia, ou desinformação, no campo político, divulgando notícias favoráveis ao regime, não importando se verdadeiras ou falsas, desde que críveis, escondendo as desfavoráveis no mais hermético silêncio, enaltecendo as reputações dos correligionários e destruindo impiedosamente as dos inimigos, com verdades ou mentiras, exaustivamente repetidas.

Acreditava Stálin — como o nazista Goebbels — que a repetição das mentiras faziam-nas verdades e que essa mesma repetição incutia nos simpatizantes o hábito de criá-las e difundi-las para atingir os que se opunham à causa, criando no mundo todo um exército de militantes, na imprensa e no meio acadêmico, principalmente,  determinado em destruir pessoas e causas pela propagação de mentiras ou meias verdades, e pela ocultação dos fatos desfavoráveis aos regimes de esquerda. Não estava errado neste particular. A propaganda mostrou-se a única atividade em que comunistas, socialistas, simpatizantes e afins conseguem exercer com eficácia.

A estratégia desenvolvida por Stálin e adotada por seus sucessores foi absorvida pelos adeptos da causa e tornou-se uma segunda natureza da militância esquerdista. Exercê-la faz parte do mister de artistas, jornalistas, funcionários e acadêmicos de esquerda. Sempre. Basta que o leitor olhe em seu redor, para se convencer dessa verdade.

Mas como chegou essa atividade a esse nível de comunhão e devoção? Alguns relatos de dissidentes altamente colocados nas esferas soviéticas, e que desertaram, são esclarecedores.

Dois deles principalmente, que exilados nos EUA escreveram livros a respeito: o general Ion Pacepa, que foi chefe da inteligência romena e conviveu com Stálin, autor do livro “Desinformação — Ex-Chefe de Espionagem Revela Estratégias Secretas para Solapar a Liberdade, Atacar a Religião e Promover o Terrorismo” (Vide Editorial, 556 páginas, tradução de Ronald Robson), e o analista da KGB Anatoly Golitsyn, que escreveu “Meias Verdades, Velhas Mentiras — Estratégia Comunista de Embuste e Desinformação” (Vide Editorial, tradução de Nelson Dias Corrêa, 469 páginas).

Sergio Moro: querem transformá-lo em “culpado” por ter combatido a corrupção com desassombrada coragem e competência | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Nos dois livros o leitor poderá ver como surgiu a estratégia stalinista da propaganda, e como se transformou em uma cultura dos agentes ou apenas apreciadores da esquerda, e que Krushov ampliou ao ponto de envolver na Guerra Fria cerca de 1 milhão de agentes de propaganda (pagos ou voluntários) pelo mundo afora. Essa cultura, repito, é hoje largamente utilizada onde quer que haja um elemento de esquerda com acesso aos meios de informação.

A propaganda (ao lado do gramscismo) é a última trincheira da ‘’esquerda revolucionária”. Permite que ela sobreviva, embora não seja esse um meio muito digno de subsistência. Assim como fez crer ao mundo que a URSS era uma potência científica e econômica ao nível dos EUA, a propaganda ocultou em toda a América Latina a ação do Foro de São Paulo, e permitiu a ascensão de governos de esquerda no Brasil, na Argentina, no Equador, na Venezuela, na Bolívia, na Nicarágua etc. Enalteceu uma política externa desastrosa do Brasil nos governos de esquerda, e ocultou a enorme ação do BNDES no apoio aos governos “bolivarianos”, que sangrou o Brasil em dezenas de bilhões de dólares. Mostrou como instrumento de justiça uma Comissão da Verdade criada para denegrir o Exército, coonestar pagamento de indenizações milionárias a esquerdistas e esconder os crimes dos comandados pela URSS, por China e por Cuba para implantar no Brasil uma ditadura comunista.

Abro um parênteses: morreu a poucos dias o terrorista Carlos Eugênio Paz, codinome Clemente. Verdadeira ironia carregou no nome e no apelido. Jamais cultivou paz ou clemência. Um dos maiores sanguinários da história pátria, durante o regime militar executou friamente policiais, civis e companheiros de comunismo (como Márcio Toledo), e se vangloriou do que fez. Protegido pela “Comissão da Verdade”, nunca foi incomodado.

E a desinformação, a propaganda, ou a psicopolítica (como a definia Beria, o carniceiro chefe da NKVD stalinista) está hoje entre nós empenhada em destruir a imagem de um homem de que somos todos devedores: o ex-juiz e ministro Sérgio Moro. A propaganda quer mostrar que ele errou ao combater o maior esquema de corrupção já montado em algum país; que ele errou ao enviar para a cadeia os políticos ladrões e quadrilheiros. Que errou ao recuperar bilhões roubados e levados para paraísos fiscais. A propaganda esquerdista quer anular o que de melhor nos aconteceu em passado recente, e conta para isso com a esquerdização das redações e fanatismo dos jornalistas. Mas a razão da ferocidade esquerdista é até outra: atingindo a corrupção, Moro golpeou duramente a esquerda brasileira. Não será fácil para esse bando de fanáticos da imprensa, políticos corruptos e bandidos da informática atingirem Sergio Moro com factoides. Mudaram os meios de comunicação e foi reduzido o poder da imprensa de manipular a propaganda. E os benefícios da guerra contra a corrupção estão à vista de todos os homens de bom senso e de boa vontade. Vida longa a Sergio Moro.

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J.Lima

Parabéns, pela matéria escrita!!! O jornal, estava precisando agradar leitores honestos!!!

Tadeu

Que texto fantastico e esclarecedor. Tive o privilegio de ler e vou propagar o maximo que eu conseguir este trabalho extremamente detalhado.