Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Seis dicas decisivas para Michel Temer fazer um bom governo

José Serra, Romero Jucá e Raul Jungmann não parecem nomes adequados para um grande ministério de notáveis

Michel Temer: ao assumir o governo, vai enfrentar a fúria do PT e dos movimentos organizados, mas terá o apoio da sociedade que trabalha e produz | Foto: ASCOM/VPR

Michel Temer: ao assumir o governo, vai enfrentar a fúria do PT e dos movimentos organizados, mas terá o apoio da sociedade que trabalha e produz | Foto: ASCOM/VPR

Com a presidente Dilma Rousseff (PT) seguindo rigorosamente as pegadas de Fernando Collor, é certo que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) em breve estará na chefia do Executivo. Soerguer a nação são outros quinhentos. Não é tão certo assim. Pode-se mesmo dizer que é trabalho de Hércules. Vamos listar algumas metas necessárias (mas não suficientes) para que Temer tenha sucesso no novo e curto governo, e tenhamos nós relativa tranquilidade:

1) Temer precisa convencer a classe política de que não tem qualquer pretensão à reeleição, mas quer apenas marcar sua biografia com o feito de reerguer uma nação em frangalhos. Pode-se dizer que está quase convencendo.

2) Precisa conquistar a confiança do empresariado nacional e estrangeiro, possibilitando a volta dos investimentos e a recuperação dos empregos perdidos no desgoverno atual. Isto se consegue, num primeiro momento, com nomes de respeito no comando da economia. Vê-se que Temer está convicto disso, e nas suas sondagens busca justamente nomes que inspirem essa confiança.

3) O “lumpesinato” já foi avisado de que o programa Bolsa Família, de que o PT se acha dono, será mantido. Em seguida, para conquistar a confiança geral da população, que ainda não tem, Temer terá que implantar medidas de rearranjo da economia, devastada por incompetência, corrupção e decisões prejudiciais, por erradas ou ideológicas. O velho tripé econômico, de sucesso comprovado, deve fazer sua rápida rentrée: responsabilidade fiscal, câmbio flutuante, meta de inflação.

4) Temer terá que domar um Congresso que tem a boca torta, pelo mau uso do cachimbo: já se vê, mesmo agora, tão prematuramente, que não é tarefa fácil. A urgente e necessária redução da estrutura pública, a começar pelo número de ministérios, sofre ameaças e talvez se mostre modesta ao final. Na obtenção da maioria no Congresso, necessária à tranquilidade (sempre relativa) de governar, dificilmente Temer poderá chegar à redução para 22 ministérios, como pretendia, dado as exigências partidárias. Mas será forçoso impor, no provimento das pastas restantes, conhecimento da área, capacidade de gestão e reconhecida honestidade de cada nomeado.

5) Será preciso purificar a administração federal, cujos cargos comissionados, que se contam em dezenas de milhares, encontram-se na maioria em mãos de “companheiros” incompetentes e não confiáveis, quando não desonestos. Esta é outra necessidade. Essa massa, que obedece, muitas vezes cegamente, uma orientação partidária, já se mostra nervosa com a perspectiva da perda das posições e dos ganhos. Se não neutralizada, será uma fonte muito capilarizada de sabotagens (já iniciadas) e vazamentos, num governo que vê como usurpador.

6) Estancar a sangria indevida de dinheiro público para os ditos “movimentos sociais”, que nada mais são que segmentos petistas, como CUT, UNE, MST, MTST e outros, é também uma necessidade. Tais “movimentos”, desde Fernando Henrique Cardoso, são patrocinados, da maneira mais absurda e deslavada, com recursos públicos, de estatais muitas vezes, para infernar a vida do povo brasileiro. Caso não o faça, Temer verá seu governo diariamente perturbado por greves, invasões, bloqueio de rodovias ou vias urbanas, depredações e agressões de toda espécie. Os avisos são abundantes, muitas vezes oriundos do Palácio do Planalto, onde a falecida insepulta ainda faz seus comícios para plateias amestradas. Sem dinheiro público, essas milícias vão ainda se movimentar, mas muito menos.

Se conseguir, rapidamente, atingir esses seis objetivos, Temer poderá, de fato, dar início ao seu governo. Como não tem tempo para grandes realizações, deverá se contentar em passar à história, como Itamar Franco, como hábil dirigente de uma transição, no caso atual como pacificador de um país dividido, e tentar melhorar, tanto quanto possível, setores devastados pelo petismo, como saúde, segurança, educação e infraestrutura. Ensaiará, talvez, no limite de suas forças e com alguma ousadia, alguma reforma previdenciária ou fiscal. Ou preferirá, se houver clima, encaminhar uma reforma política e partidária, que dificilmente será votada em seu mandato.

A dificuldade da tarefa já está à vista. Se no eliminar ministérios inúteis Temer já tem dificuldades, no selecionar quadros a coisa não é mais fácil.

O primeiro cotado para o Ministério da Justiça, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, amigo do vice-presidente e homem de sua confiança, não será ministro. Deu declarações contrárias à Lava Jato e às delações premiadas, enfants gatées dos brasileiros honestos, não petistas e não “esquerdistas”, isto é, a maioria.

José Serra já conseguiu, parece, a designação para Relações Exteriores, incorporando ainda o Comércio Exterior na pasta da diplomacia. Ótimo para ele, que adquire visibilidade para continuar candidato a presidente da República e poderá para isso contar com o financiamento dos exportadores e importadores. Bom para Temer, que traz para seu lado a maioria do PSDB. Não é lá muito bom para o Brasil, que vê um “socialista” à frente do Itamaraty, depois do prejuízo sofrido pela diplomacia brasileira, convertida à força ao marxismo nos últimos 13 anos. Serra corrigirá totalmente esse rumo? Duvido, “socialista” que é. Veremos como se comporta em relação a Cuba e Venezuela, por exemplo.

Internamente, veremos como tratará o diplomata Eduardo Saboia, cuja dignidade no proteger o senador boliviano Roger Pinto Molina das perseguições totalitárias de Evo Morales se compara à daqueles poucos diplomatas que protegeram os judeus que fugiam do nazismo. Saboia por isso mesmo se tornou um pária em sua carreira, sob regime petista.

Existe uma pressão para que seja nomeado ministro da Defesa o suplente de deputado Raul Jungmann. Seria um nome para um governo petista, mas representa mais um desrespeito para com as Forças Armadas: marxista (foi membro do PCB), sem preparo intelectual, adepto de uma boquinha (conseguiu, quando perdeu as eleições, ser conselheiro de algumas estatais estaduais). Jungmann é tudo o que os militares não são. Mas já se disse que política é a arte do possível.

Temer terá uma dificuldade adicional séria: tratar com a “banda podre” de seu partido, após a posse. Não será como é agora. Na cadeira presidencial, Temer responderá pelas concessões que fizer a esse pessoal, que parece não temer (sem trocadilho) consequências.

Temer nomeará mesmo Romero Jucá ministro do Planejamento, sabendo dos processos que o perseguem e ser ele o “alter ego” de Renan Calheiros, tanto que é hoje um adepto entusiasmado do impeachment, enquanto Calheiros faz o papel de protetor de Dilma, numa jogada que parece de há muito ensaiada, e conhecida nos meios políticos e policiais? Como se comportará Temer com Eduardo Cunha? E com Jader Barbalho? Com Edison Lobão? Terá levado em conta que possivelmente esse pessoal estará, mais cedo do que se pensa processado, ou até mesmo preso?

Vejamos agora o lado bom da coisa: o empresariado já reage bem a nomes de peso no comando da economia, que costuma responder com razoável brevidade a providências acertadas (vide Argentina do presidente Mauricio Macri).

Uma melhora no desemprego e na inflação dará a Temer oxigênio para avançar. Se tomar algumas medidas que melhorem a saúde, se privatizar aeroportos, portos e estradas, muito bem. Mudar a orientação “politicamente correta” na segurança pública, tratando bandidos como bandidos, dando respaldo às polícias e melhorando, ainda que um pouco, o sistema prisional, além de apoiar a flexibilização do Estatuto do Desarmamento, fará sem dúvida o brasileiro mais seguro. Estamos cientes de que qualquer coisa já será melhor que a incompetência, o roubo e o esquerdismo petistas. Esperemos que a era Temer, ainda que curta, seja muito melhor.

A gigante intelectual Janaína Paschoal e a anã Fátima Bezerra

Janaína Paschoal: show de competência e educação no Senado

Janaína Paschoal: show de competência e educação no Senado

Na sessão que ouviria os autores da denúncia contra a presidente Dilma Rousseff ficou sozinha, para enfrentar as feras petistas, a advogada Janaína Paschoal. Hélio Bicudo não foi a Brasília, alegando problemas de idade (fará 94 anos em julho). Aceitável, até certo ponto.
Miguel Reale Junior, que lá se encontrava, alegando afazeres em São Paulo, não aguardou os debates. Inaceitável descompromisso e até covardia.

Janaína, bastante gripada, debateu até a madrugada, com a agressiva bancada petista, com coragem e competência. No debate com a senadora Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, o enorme contraste: a petista, despreparada, ignorante, uma quase analfabeta política, agredia Janaína no plano pessoal, que dava respostas altivas, precisas e educadas. Uma anã e uma gigante cívicas.

As grosserias de Fátima Bezerra atingiram também o competente procurador de contas Júlio Marcelo de Oliveira, do TCU, na sessão seguinte, que, apesar de muito claro em sua exposição, não era compreendido pela senadora. A brutalidade de Fátima Bezerra não se justifica, mas se explica: foi eleita com o apoio das lavajatianas Engevix e Andrade Gutierrez.

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