A economia brasileira, que na década de 1970 ostentou indicadores que causavam admiração mundial, como um crescimento anual do PIB acima de 10% por vários anos seguidos, hoje só consegue produzir vexames.

Desde que os governos de esquerda se instalaram no país, acontece o previsível: muito populismo, muita propaganda e muita incompetência (sem falar em muita corrupção).

Qualquer comparação da situação econômica do Brasil de 1980 e do Brasil de agora é de desanimar o brasileiro consciente, aquele que tem capacidade de analisar os fatos, não as narrativas, o que prefere a linguagem indesmentível dos números aos discursos demagógicos e vazios de conhecimento genuíno.

Falando de números, recorro ao jornal paulista “Estadão”, e duas reportagens deste mês por ele divulgadas, com base, ambas, em números levantados pelas mais insuspeitas instituições internacionais. A primeira delas é do dia 3 deste mês e foi produzida pelo jornalista Luiz Guilherme Gerbelli. A outra é dia 4 e é de autoria de Pedro Fernando Nery. O que dizem?

O título de Gerbelli é sugestivo: “Brasil fica para trás e amplia distância de PIB per capita em relação ao mundo”.

A reportagem de “O Estado de S. Paulo” mostra: enquanto a renda média mundial crescia, de 1980 até 2025, em 675%, a do Brasil aumentava em 428%.

O cidadão brasileiro via o seus congêneres no mundo, em média, melhorarem de vida 50% a mais que ele, a despeito das inegáveis vantagens ostentadas pela pátria amada, idolatrada.

Estamos reprovados, abaixo da média: enquanto o PIB per capita global é superior a 26 mil dólares, ficamos em 23 mil.

Em 1980, era o inverso: o PIB mundial médio per capita era 3,3 mil dólares, enquanto o Brasil ostentava 4,4 mil. Não foi um desempenho de causar ufanismo em nenhum brasileiro, muito pelo contrário.

Esse desempenho fica mais vergonhoso se comparado ao dos chamados países emergentes, que cresceram, no período, em renda per capita (em paridade do poder de compra) , de 1980 a 2025, em 1128%, praticamente o triplo do Brasil.

O artigo de Pedro Nery (“A ‘Desbrazilização’ do PIB global”) faz comentários paralelos.

O jornalista comprova que nos últimos 30 anos, embora o PIB industrial brasileiro tenha crescido em 30%, sua participação no PIB total decresceu, o que é uma forma de desindustrialização

A participação do Brasil na produção industrial global vem caindo significativamente. Nos anos 1980, a participação brasileira no PIB global era de 3%. Hoje, e a queda foi expressiva, é de 2% apenas.

Países há, como Coreia e Polônia, que detinham renda per capita equivalente à do Brasil, há meio século, e hoje nos superam largamente no quesito. E outra constatação triste, que surge no artigo citado: no final dos anos 1970, o Brasil tinha o terceiro PIB per capita da América Latina. Hoje tem o nono.

Populismo sem planejamento

Não é difícil concluir os motivos desse desempenho econômico abaixo da crítica. Os governos que se sucederam dos anos 80 para cá foram chefiados por figuras intelectualmente despreparadas para a função.

Num governo como o de Juscelino Kubitschek, na segunda metade da década de 1950, o planejamento foi a tônica. Nada se fez de improviso, e tudo foi pensado para que os melhores resultados fossem alcançados com o menor custo.

O mote 50 anos em 5, adotado por JK, embora exagerado, transbordava otimismo, mobilizou a nação, as ações do governo no sentido de promover a industrialização foram positivas, e Brasília provocou a interiorização, despertando um Brasil que não existia fora da Costa Atlântica e que hoje é o maior exportador de produtos agropecuários.

Isso aconteceu porque os governos dos anos 1970, chefiados por militares, também planejavam — o planejamento é parte importante na formação militar — se assessoravam de pessoas competentes, conhecedoras de suas áreas de atuação.

Ministros hoje são escolhidos entre os “cumpanhêros”, não entre os destaques no ramo.

Crise do petróleo e o Proálcool

Alysson Paolinelli, na Agricultura e sua Embrapa revolucionando o Cerrado nos anos 1970, é um exemplo de sucesso que não se vê hoje em dia.

Uma das maiores crises econômicas do século passado residiu no chamado “choque do petróleo”. A quadruplicação dos preços do óleo por parte da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) deixou o mundo em apuros econômicos.

O Brasil soube reagir de pronto, e uma das medidas mais efetivas, e de melhor resultado no mundo todo de reação à crise foi brasileira, com o ministério das Minas e Energia criando e implantando o Proálcool, a indústria induzida a produzir os carros para o novo combustível, e o campo estimulado a produzir a cana, que agora não era apenas de açúcar.

Shigeaki Ueki, ministro de Minas e Energia do governo Geisel que criou o Proálcool | Foto: Reprodução

O ministro chamava-se Shigeaki Ueki (hoje, com 90 anos), um nipo-brasileiro inteligente e competente na sua área. Alguém, daqui a cinquenta anos, vai se lembrar do nome de algum ministro da ex-presidente Dilma Rousseff ou do presidente Lula da Silva, por ter feito algo importante para a sociedade brasileira? Por ter melhorado a economia? Duvido.

Essa repetida incompetência levou-nos a uma educação falha nos três níveis, que impede a formação de capital humano capacitado.

Além disso, temos um sistema tributário burocrático e ineficiente, até hostil para com o empreendedor, além de uma máquina estatal inchada, esbanjadora, voltada para interesses partidários ou pessoais, desviando recursos que melhorariam o ambiente econômico se fossem judiciosamente aplicados em educação, saúde e infraestrutura.

A carga de impostos é excessiva e desestimulante, os juros são extorsivos e não se veem políticas públicas voltadas para o desenvolvimento industrial e para a agregação de valores aos produtos primários que exportamos.

O manejo de recursos públicos com fim eleitoreiro é uma prática voltada para a manutenção do poder. Tem dado resultado para a elite política, mas quanto mais a sofrida classe trabalhadora do país suportará? 

Leia também: Por que a BYD saiu a lista suja de trabalho análogo à escravidão do governo federal?