Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Política da “Desinformação” protege a esquerda e acusa a direita

O presidente Jair Bolsonaro e os ministros Vélez Rodríguez e Damares Alves são vítimas frequentes da “Dezinformatsiya”. Já Marielle Francisco virou “ídolo”

Marielle Franco e Jair Bolsonaro - Fotos Divulgação e Reprodução GloboNews.jpg

Marielle Francisco da Silva e Jair Messias Bolsonaro: a primeira foi assassinada e é mesmo preciso apontar os assassinos e condená-los. Mas por que não há a mesma preocupação com o esfaqueamento do presidente da República? | Fotos: Divulgação e Reprodução/GloboNews

“Dezinformatsiya” (Desinformação, em russo) é a denominação de uma das mais usadas ações, principalmente na Guerra Fria, como ferramentas de luta marxista. Consiste em fazer com que se divulgue intensamente uma mentira (ou uma meia verdade) como se fosse verdade, desde que prejudicial ao inimigo. Ou fazer com que se oculte uma verdade que, sabida, favoreça o inimigo. A perfeição na Desinformação surge quando se consegue que o próprio inimigo passe a divulgar como verdade o falso que lhe é prejudicial. A Desinformação, em si, não é nova, como arma de guerra. Mas foi no marxismo, principalmente sob Stálin e Krushev, que se tornou ferramenta oficial, depois ciência e finalmente parte da cultura de esquerda.

Hoje, qualquer jornalista brasileiro de esquerda (maioria, como se sabe) utiliza despudoradamente a Desinformação, acreditando-se membro de uma cruzada contra a “direita”, em que vale tudo.  Muito do que sabemos sobre a Desinformação deve-se ao general Ion Pacepa, chefe da espionagem da Romênia e integrante da alta cúpula da inteligência soviética durante a Guerra Fria. Pacepa fugiu para os Estados Unidos no fim dos anos 1970, e escreveu bastante sobre sua experiência como chefe de espionagem.

O livro de Pacepa, “Desinformação”, foi publicado em português, em 2015, pela Vide Editorial, e é muito revelador. Mostra como na guerra do marxismo contra a religião, a Desinformação foi usada para destruir a reputação do papa Pio XII, odiado por Krushev, quando o Kremlin criou a lenda, até hoje muito difundida, de que o pontífice era antissemita, aliado de Hitler. O trabalho sistemático de demolição da biografia de um dos homens mais dignos do século XX incluiu até o patrocínio e difusão de uma peça de teatro (“O Vigário”, de Rolf Hochhuth) e de um livro (“O Papa de Hitler”, de John Cornwell), para difamá-lo.

Pacepa conta como foi criada, no Kremlin, como ferramenta da Desinformação e demolição “por dentro” da Igreja Católica, a famosa Teologia da Libertação. O romeno revela que agentes trabalhando em “Dezinformatsiya”, sob as ordens da KGB, eram, à época de Krushev, cerca de 1 milhão, existindo ao redor do mundo, sob o manto das organizações e partidos marxistas, muito mais que isso. Como eu disse, a Desinformação, no seio das esquerdas, tornou-se cultura.

Ricardo Vélez Rodríguez Damares Alves Ernesto Araújo - Fotos José Cruz Marcelo Camargo Wilson Dias Agência Brasil

Vélez Rodríguez, Damares Alves e Ernesto Araújo: os três ministros têm sido perseguidos e raramente são ouvidos, de forma abrangente, pela mídia | Fotos: José Cruz, Marcelo Camargo e Wilson Dias/Agência Brasil

Exemplos recentes de Desinformação no Brasil
1 — Foro de São Paulo — Em 1990, instalou-se o Foro de São Paulo, uma reunião dos movimentos de esquerda, políticos e guerrilheiros, legais e ilegais, de toda a América Latina. O objetivo era ambicioso: conquistar, na América Latina, o que o marxismo havia perdido no Leste Europeu após a queda do muro de Berlin. Na cúpula do Foro, estavam Lula e Fidel Castro. Alguns poucos jornalistas conservadores tentaram alertar as sociedades para os perigos da movimentação. Mas um cobertor de silêncio caiu nas redações sobre o assunto. Foi preciso que houvesse o avanço das esquerdas sobre os governos do Brasil, da Argentina, da Bolívia, da Venezuela, do Equador, do Uruguai, do Chile e de outras nações. Que surgissem governantes toscos de esquerda, como Lula, Evo Morales, Hugo Chávez, Fernando Lugo, Rafael Correa. E que esse avanço trouxesse o inevitável fracasso social e econômico que a administração marxista arrasta como se fosse uma sombra. Só então essa situação começou a se reverter. A verdade é que a Desinformação conseguiu manter o Foro de São Paulo oculto por duas décadas, quando o estrago provocado já era enorme.

2 — Marielle Franco — No início do ano passado, uma vereadora carioca inexpressiva, de um partido também inexpressivo, mas de esquerda, foi morta a tiros, junto com Anderson Pedro Gomes, seu motorista, na baixada fluminense. Era Marielle Francisco da Silva, autointitulada Marielle Franco, por não gostar de seu nome verdadeiro. Marielle não era nenhuma figura que merecesse reverências nacionais. Nada se conhece de seu trabalho que fosse de importância para a sociedade brasileira como um todo. Embora nada tenha sido provado, muito se falava em seu envolvimento com o crime organizado, até porque ela se mostrava exageradamente crítica das ações policiais nas favelas cariocas. Seu partido sempre foi apoiador do PT, logo corresponsável pelos roubos gigantescos sofridos pelo pobre trabalhador brasileiro, e, ao que se saiba, com o silêncio conivente de Marielle Francisco.

Morta Marielle, a mais ampla movimentação de imprensa, partidos de esquerda e marxistas afins promove uma campanha — nacional e internacional — para literalmente canonizá-la, transformá-la em figura histórica nacional (que nem de longe foi em vida) e colocá-la no mesmo pedestal de um Tiradentes. Ninguém que tenha se imolado em benefício da sociedade brasileira nestes últimos anos, como policiais executados pelo tráfico, bombeiros que salvam vidas, médicos brasileiros presentes no Médicos Sem Fronteiras receberam as homenagens que a esquerda tributa, a cada dia, a Marielle Francisco. Os autores de sua morte, depois de uma enorme grita, foram descobertos. O quase assassinato do presidente Bolsonaro, por um integrante do partido da mesma Marielle, permanece envolto em sombras, e sua solução não é cobrada. A isso chamamos Desinformação.

É à toa que a imprensa mal cite o motorista Anderson Pedro Gomes?

3 — Damares Alves — A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, anos atrás, adotou a jovem indígena Lulu Camaiurá, que criou como filha. Gesto absolutamente louvável. Se deixada com os pais na aldeia, talvez Lulu não estivesse viva hoje. Certamente não receberia instrução. Foi o bastante para que se levantasse agora contra a ministra quase toda a imprensa brasileira, que a acusa de sequestradora de crianças! É provável que nenhum desses jornalistas que a acusaram ou que deram curso às acusações seria capaz de um gesto nobre e digno de aplausos como o praticado por ela. A Desinformação fez seu papel, baixo, mesquinho, abominável. Mesmo com os desmentidos de Lulu, a jovem adotada e agradecida à ministra Damares pelos cuidados, algum prejuízo fica. E os desmentidos não são publicados com o destaque dado às denúncias falsas, pois assim age a Desinformação. As esquerdas estão satisfeitas. Atingem a ministra e, por tabela, o governo Bolsonaro.

4 — Vélez Rodríguez — O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, instrui as escolas para implantação da prática de cantar o Hino Nacional no início das aulas, costume cívico dos mais saudáveis e mundialmente adotado. Só que foi execrado por quase toda a imprensa, pois instruiu também que se filmasse a cerimônia cívica e isso, no entender dela, seria uma inaceitável devassa no ambiente escolar. De estimulador do patriotismo e do civismo, o ministro passou, devido à hipocrisia da Desinformação, a um espião e delator de professores, coisa que nunca foi e nem será.

5 — Itamaraty — O embaixador Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, em muito boa hora, deu uma guinada nos rumos da política externa brasileira. Lembremo-nos, pois isto foi escondido pela Desinformação, que a política externa dos governos esquerdistas de FHC, Lula da Silva e Dilma Rousseff centrava-se na aproximação com as mais desprezíveis ditaduras de esquerda. Graças a ela, e também isto foi escondido pela Dezinformatsiya, recursos da sociedade brasileira foram, via BNDES, desviados para sustentar essas ditaduras e, de quebra, alimentar a corrupção petista em Cuba, na Venezuela, em Angola, Moçambique, Equador, Nicarágua. Foram bilhões de dólares, suficientes para mudar de patamar a combalida saúde pública brasileira, se tivessem sido aplicados aqui.

Adverti à época, nesta coluna, para o risco, quase certeza, de não recebermos de volta o dinheiro do trabalhador brasileiro. Venezuela, Cuba, Moçambique sequer nos pagam os juros, avisou o Tesouro Nacional dias atrás. O que acontece com nossa imprensa desinformadora: malha o ministro, que taxa de radical, direitista, subserviente aos EUA. Age assim essa imprensa que nunca denunciou o desvio de recursos que apontei acima e a falta que fazem aqui dentro. Que nunca censurou o ministro anterior, Celso Amorim, pelas trapalhadas diplomáticas lá fora, e internamente pela sabujice a Lula (“nosso guia” — dizia), e pela falta de comando no ministério, que era dirigido pelo embaixador marxista Samuel Pinheiro Guimarães e pelo despreparado Marco Aurélio Garcia.

Dilma Rousseff Luiz Inácio Lula da Silva - Fotos José Cruz Agência Brasil

Lula da Silva e Dilma Rousseff: por que a imprensa não pesquisou os cursos de seus tratamentos, no Hospital Sírio-Libanês, e está preocupada com os custos do tratamento de Jair Bolsonaro? | Fotos: José Cruz/Agência Brasil

6 — Esqueceram de Lula e Dilma — O portal UOL nunca se preocupou o mínimo com o valor das contas dos tratamentos de Lula e Dilma quando internados nos hospitais Einstein e Sírio-Libanês. Mas publicou vários dias seguidos o valor (R$ 400 mil) da conta paga ao mesmo Hospital Einstein por ter tratado do presidente Bolsonaro quando ali esteve, esfaqueado por um assassino de esquerda. E perguntando se o governo é quem paga.

7 — Atos obscenos — Finalmente, a celeuma quase unânime criada pela imprensa quando o presidente Bolsonaro, indignado, como qualquer homem de caráter, denunciou atos públicos obscenos (que aliás são crimes previstos no Código Penal) por um par de homossexuais, no carnaval. A “Dezinformatsiya” brasileira pretendeu transformar de imediato, o presidente, de homem indignado com os abusos, em pasme, em duas coisas totalmente opostas: divulgador de pornografia, por um lado, e, por outro, em um homem insensível à arte e ao lazer público, pois o que os exibidos imorais faziam era uma diversão artística! Em suma: a “Dezinformatsiya” soviética, fervorosamente adotada pela maioria de nossa imprensa, é apenas hipocrisia e baixeza.

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subjetividadeemfoco

MUITO BOM.

¤ (@horoRX)

É exatamente isso que acontece, um bom microcosmo dessa desinformação planejada é o Twitter.

Aliás, é também bom notar que os próprios que se intitulam como direita (eu diria “nova-direita”, pois são pessoas recém politizadas) não sabem lidar com a covardia da canhota, e acabam caindo na armadilha de agir na defensiva.

Não se deve tratar a esquerda brasileira de igual pra igual, ainda mais se usar os seus exemplos no texto como parâmetro. O certo é ignorar, fazer chacota ou até mesmo expôr com bons argumentos. Não é difícil fazer isso, acreditem.

Lidoir Antonio Paniz paniz

Tive que procurar, outro tipo de informaçao, pois nossos jornais, ainda procuram de todas as formas destabilizar, todo e qualquer trabalho feito pela situaçao, Tentam denegrir, com esta tal de Desinformaçao, as melhores ideias de melhoria para o pais.