Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

O pacto faustiano do PT com negócios pouco santos

Dilma Rousseff: o tinhoso parece rondar as mais altas esferas do governo da presidente petista / Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13

Dilma Rousseff: o tinhoso parece rondar as mais altas esferas do governo da presidente petista / Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13

A semana que passou deixou algumas recordações.

1 – Não se pode dizer que Dilma Rousseff não seja mulher de palavra. A presidente vem cumprindo com afinco a promessa feita em março do ano passado de “fazer o diabo” nas eleições. Não sabemos o que vem urdindo o tinhoso às escondidas, mas o que aparece na campanha de Dilma à reeleição já é bem obra em parceria com ele.

Os Correios distribuíram milhões de impressos da campanha da presidente à reeleição sem a devida chancela, descobriu-se. E receberam uma remuneração por isso? Não se sabe. Algo deveras endiabrado. Ataques rasteiros e forjados à candidata Marina Silva não faltam. Nessas horas o capeta parece estar trabalhando lado a lado com o marqueteiro oficial, João Santana.

Outras vezes o pé-de-bode exagera, como quando, publicada mais uma corrupção, sopra no ouvido esquerdo de Dilma, e ela dá declarações contra a imprensa, como aquela (que tentou consertar depois): “Não cabe à imprensa o papel de investigar!”. Cabe sim, presidente Dilma. A sra. está confundindo Brasil com Cuba, como já fez outras vezes em que ouviu o capiroto, como quando levou para lá nosso dinheiro, em vez de tomar bem conta dele e o aplicar por aqui, onde há tanto por fazer.

Aliás, uma das melhores coisas que a imprensa faz é justamente is­so: investigar. E o IBGE, hein? Er­rou mesmo na questão da distribuição de renda, ou está “aparelhado”, com a ajuda do bode-pre­to, como quase tudo no governo? Qualquer das duas opções é horrível. E a ordem do coisa-ruim é minimizar, esconder, ignorar a questão Petrobrás até passarem as eleições.

“Diga que não sabe de nada”, sopra o cão no ouvido (sempre o esquerdo) de Dilma, quando Graça Foster transfere seus bens para escapar de uma indisponibilidade ou quando se descobre que o inacreditável Cerveró mora num milionário apartamento cujo dono é um fantasma, pois foi comprado por uma empresa uruguaia que não se sabe de quem é, e que representa algum brasileiro também incerto e não sabido, tanto quanto o é ainda quem recebe os aluguéis.

“Diga que ignora”, sopra o canhoto quando escapa mais um detalhe horroroso da delação premiada de Paulo Roberto da Costa sobre a roubalheira petista em nossa petroleira. Com o demo aprontando tantas, precisamos urgentemente de um padre exorcista, mas que não seja da Teologia da Libertação.

2 – O bem informado blog brasiliense de Cláudio Humberto, “Diário do Poder”, publicou o espanto: há uma longa fila de embaixadores estrangeiros aguardando que a presidente os receba para entrega de credenciais. Seriam vinte e dois. Displicência, descaso, ignorância? Instruções do tosco assessor Marco Aurélio Garcia? Vontade de se dar uma importância internacional que não se tem? Qualquer que seja o motivo da demora em agendar esses encontros, a imagem do Brasil sofre danos. Não creio que haja comportamento parecido em lugar nenhum do mundo.

3 – Carlos Lacerda, que não suportava Juscelino Kubitschek, dizia, antes das eleições de 1955, que fizeram o ilustre mineiro presidente: “Juscelino não pode ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, deve ser deposto”. Declaração muito pouco democrática, e imerecida. Em nosso caso atual, pode-se dizer, merecida e democraticamente: Dilma não pode ser eleita (para o bem do Brasil), mas, se o for, deve tomar posse (democraticamente), embora seja certo que dificilmente terminará bem o governo (ou o não terminará).

4 – Dilma não sabe, mas pensa que sabe (tudo). Daí a corrupção e os desastres na energia, na economia. Eleita, será uma repetição. Já mostrou não aprender nada de bom e não esquecer nada de ruim.

Já Aécio, acha que ser neto de Tancredo Neves é o suficiente para governar um país. Não é, e um país não se governa em cima do muro. A esperança é de que Marina Silva saiba que não sabe (muita coisa) e se assessore bem, se eleita. Ou estaremos perdidos por mais quatro anos (no mínimo). Olhemos a Argentina.

5 – A Escócia optou, no plebiscito do último dia 19, por permanecer integrando o Reino Unido. Uma separação seria uma incógnita para os escoceses, mas sem dúvida um dano ainda difícil de dimensionar para a Co­munidade Britânica. Prevaleceu o bom senso.

6 – Só posso considerar fraude uma comissão criada para emitir relatório histórico sobre uma situação de combate entre dois lados, mas que tem todos os membros de um lado só. Quer se intitular Comissão da Verdade, mas quando muito será Comissão da Meia Verdade. Nessa semana correm em socorro da Comissão, no atacar as Forças Armadas, um neoradical, Paulo Abrão, o das indenizações fartas, que compram a honra com dinheiro público. E José Gregori, o ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique, já um tanto mumificado, mas sempre incompetente.

7 – E o governo, mais uma vez está fechando no martelo suas contas. A credibilidade do país está correndo pelo ralo.

Operação Peter Pan: o êxodo de crianças cubanas para os EUA

Estou certo que pouquíssimos, entre os leitores, terão ouvido menção à Operação Peter Pan. Contudo, esse é o nome de batismo de um dos fatos mais dramáticos e sofridos de toda a Guerra Fria.

Vamos resumi-lo (resumamo-lo, diria Euclides da Cunha, e mais tarde Jânio Quadros): quando Fidel Castro assumiu o poder em Cuba, em 1959, com apoio popular generalizado, dizia-se não comunista. Quem tinha melhor percepção, logo viu que não era verdade. Medidas socializantes e antirreligiosas surgiram sem demora, e o estado policial instalou-se com todo o rigor totalitário.

O fechamento das escolas particulares, a pregação marxista para os jovens e o envio de contingentes de alunos para visitas doutrinárias na União Soviética (o próprio filho de Fidel Castro foi um dos primeiros a seguir esse roteiro) deixaram os pais conservadores em polvorosa. Insinuações do governo cubano de que o pátrio poder era uma criação burguesa e de que cabia não à família, mas ao Estado a educação e a orientação da juventude, vieram completar o receio e instalar o pânico.

Um movimento subterrâneo para livrar os jovens do caminho ateu e comunista, enviando-os para os EUA, teve franco apoio da Igreja, principalmente do prelado de Miami, monsenhor Bryan O. Walsh (1930-2001), então um jovem padre irlandês de 30 anos. O governo americano também colaborou na empreitada.

O plano era enviar esses jovens para lares cubanos nos EUA, ou para lares americanos que se dispusessem a recebê-los, até que Fidel caísse (o que – quanto engano – pensava-se, ocorreria em um ou dois anos), e eles pudessem ser repatriados. Não se esperava a adesão no nível em que ocorreu: mais de 14 mil crianças e adolescentes, de até 16 anos, entre dezembro de 1960 e outubro de 1962, separaram-se de seus pais, desenraizaram-se de sua terra e se trasladaram para uma terra estranha, onde tiveram que aprender outra língua, viver em lares que não eram seus, mas moradas de favor, às vezes simples abrigos ou creches, espalhados por 36 Estados americanos.

Duro e doloroso câmbio, regado com muitas lágrimas de lado a lado: trocava-se o carinho sem liberdade em Cuba pela liberdade sem promessas de carinho nos EUA. Dezenas de milhares de pais e mães tiveram que fazer sua escolha de Sofia. E, como tudo que é ruim ainda pode piorar, agravou-se o desastre: Fidel aferrou-se ao poder e as crianças e jovens cresceram e se tornaram adultos longe dos pais, em terra estranha.

Fechadas as fronteiras cubanas aos seus cidadãos, os pais sequer podiam visitar os filhos nos EUA. Dorido êxodo, sem precedentes no Ocidente, que só recentemente pôde ser avaliado, graças a alguns pesquisadores, eles próprios “Peters Pans”, que conseguiram localizar parte desses colegas, agora adultos (cerca de 2 mil foram encontrados) e promover encontros com parentes ainda vivos em Cuba. Essa gigantesca operação é quase desconhecida, pois a ninguém interessava divulgá-la: nem aos pais, nem aos governos cubano e americano.

Uma resposta para “O pacto faustiano do PT com negócios pouco santos”

  1. jose pimenta disse:

    Não admiro que o EX senador se deixa lavar pela midia. Quanto as postagens sem chancela e pagos. os Correios realizou estas mesmas postagens para outros partidos. inclusive para o PSDB que este ex senador tanto defende.

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