Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Mapa da Violência ou da Insolência?

Dados são “torcidos” para ilustrar uma situação diferente do que ocorre na realidade no Brasil

Waiselfisz esquece que na Argentina a política de armamento é mais liberal

Waiselfisz esquece que na Argentina a política de armamento é mais liberal

Boa parte da imprensa, principalmente a comprometida com o propósito nada honesto de “desarmar a burguesia”, vem dando total cobertura à publicação da ONG Instituto Sangari, denominada Mapa da Violência, atualizada a cada ano. Acaba de sair a versão 2015. Quem a assina é um dito sociólogo, o argentino Júlio Jacobo Waiselfisz. Se sempre tivemos dúvidas a respeito da correção dessa ONG (está envolvida na Operação Caixa de Pandora, da Policia Federal), nenhuma dúvida fica, após a divulgação desse Mapa da Violência 2015, de que esse sr. Waiselfisz está a serviço da parcela petista e governista, que pouco se preocupando com as armas dos bandidos e seus efeitos, quer nos ver inermes e à mercê da marginalidade cada vez mais armada e audaciosa.

A desonestidade intelectual do argentino salta aos olhos quando ele defende com unhas e dentes o Estatuto do Desarmamento e faz malabarismos estatísticos para provar que são as armas legais, registradas de acordo com a lei, que temos em casa para nos defender, os instrumentos que matam quase 60 mil brasileiros por ano. Outros fatos de­mons­tram essa subserviência: O Ins­tituto Sangari é da intimidade do Mi­nistério da Justiça há tempos. Seria interessante saber quanto de verba federal, desse Ministério e de outros órgãos do governo petista a ONG embolsa, a cada ano. Não deve ser pouca coisa.

Weiselfiz também recebeu, das mãos da presidente Dilma Rousseff, tempos atrás, o Prêmio de Direitos Humanos. Não sei o que fez para merecê-lo, mas na fila de cumprimentos, estavam figuras de arrepiar qualquer democrata: além da presidente, a deputada Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo, o ministro da Justiça. Faltaram Ruy Falcão e Jandira Feghali para compor um quinteto do atraso e da intolerância esquerdistas.

A acreditar no relatório do argentino, teríamos que acreditar nas seguintes mentiras:
Falácia 1: As armas matam! Nas afirmações dos desarmamentistas como Waiselfisz, as armas são objetos inanimados, mas capazes de se animar, deixar na calada da noite os cofres, as gavetas ou armários onde ficam guardadinhas, sair para a rua, executar uma centena de inocentes, e sorrateiramente voltar para seus locais de guarda, sem concurso de ninguém para manejá-las.

No entender desses sábios, as armas (só as legais) são verdadeiros artefatos demoníacos, a banir completamente deste mundo. A manchete de um grande jornal brasileiro era essa mesma: “As armas de fogo ma­taram, no ano passado, 53 mil brasileiros! ”. Exato, leitor, quem mata não são os traficantes e assaltantes li­vres nas ruas (muitos foragidos, be­ne­ficiários das falhas legais ou da complacência do governo), são as armas.

Falácia 2: O número de crimes é proporcional ao número de armas nas mãos dos honestos e preocupados com suas famílias! A desonestidade dessa parcela (majoritária, e quase unânime) do saudosismo soviético a leva a distorcer estatísticas com a maior desfaçatez, como vemos a cada dia nas televisões e nos jornais. Não que esses patriotas que defendem nosso desarmamento (mas não o dos bandidos) não saibam da verdade. Sabem ler, são espertos (às vezes até demais), e sabem das coisas. Só fazem de conta que não. Sabem que nos EUA, onde o número de armas por habitante é dezenas de vezes maior que no Brasil, o número de assassinatos é seis vezes menor; sabem que na Suíça, onde há arma e munição em todas as casas, é ínfimo o número de homicídios; sabem que o desarmamento não resultou, em nenhum lugar do mundo onde foi imposto, em queda da criminalidade.

Não pense o sr. Weiselfisz que damos a ele o benefício da ignorância: sabemos que ele sabe que em seu país, aqui vizinho, a Argentina, onde a política de armamento é muito liberal, onde sequer existe a restrição de calibres privativos da polícia ou Forças Armadas e onde o porte de arma é bastante facilitado, o índice de assassinatos é cinco vezes menor que no Brasil. Ele está cansado de saber de tudo isso, mas se faz de desentendido, acumpliciado a essa conspiração contra nossa liberdade.

Falácia 3: O Estatuto do Desar­ma­mento fez cair número de assassinatos! Essa talvez seja a afirmativa de maior desfaçatez, maior cinismo, maior descaramento que eles têm a coragem de emitir. E calculam até um número: 130 mil vidas poupadas! O próprio Mapa da Violência mostra o contrário. Com duas honrosas exceções, São Paulo e Santa Catarina, onde os homicídios se comportam dentro dos padrões ainda tidos como civilizados, e uma não tão honrosa, o Rio de Janeiro, onde a taxa esteve em declínio, mas voltou a subir e continua vergonhosa de tão alta, houve uma explosão no número de mortes matadas no Brasil.

Comentando: São Paulo encarcera bem mais que o resto do Brasil, o que significa menos criminosos nas ruas traficando, assaltando e matando. E Santa Catarina é o Estado onde existem mais clubes de tiro no Brasil, e onde mais se comercializaram armas nos últimos anos para os cidadãos legais. Coincidência ou não, é o Estado onde menos se roubam veículos à mão armada. O sr. Waiselfisz sabe disso, apenas finge que não sabe, repetimos, pois lhe é conveniente.

Falácia 4: No Rio de Janeiro, como em São Paulo, a criminalidade está em queda! Essa é uma falácia premeditada. O Rio de Janeiro tem sido e é um Estado governado por “companheiros”. Além disso é de uma enorme visibilidade, pelas próprias condições do Estado: ex-Distrito Federal, populoso, dotado de ímpar beleza natural, centro econômico importante, etc. Não há, em termos de violência, como compará-lo com São Paulo, um reduto anticomunista e anti-petista.

Mais assassinatos em Estados governados por petistas e aliados

Mesmo com UPPs, homicídios dolosos aumentaram no Rio, em 2013 e 2014

Mesmo com UPPs, homicídios dolosos aumentaram no Rio, em 2013 e 2014

Julio Jacobo Weiselfisz até tenta mostrar uma queda nos assassinatos no Rio, no Mapa da Violência 2015, mas sofismando, para enganar o leitor. O tal Mapa examina dados apenas até 2012, embora hajam dados disponíveis até 2014. O próprio Sistema Nacional de Informações de Se­gurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, do amigão de Weiselfisz, José Eduardo Cardozo, os disponibiliza, e o Mapa da Violência poderia tê-los utilizado. Os dados usados, mostram, no Rio de Janeiro, uma queda nos homicídios dolosos, de 2004 para 2012, como dissemos.

Mas ocorre que eles voltaram a subir, fortemente, em 2013 e 2014. E enquanto, neste último ano, em São Paulo, a taxa foi de 10 homicídios por 100 mil habitantes, no Rio foi de quase 27. E o Rio é o Estado onde é maior a taxa de roubos de veículos com violência, em todo o Brasil. Resultados, parece, da brilhante ideia da Unidades de Polícia Pacificadora, do candidato a Prêmio Nobel José Mariano Beltrame, que “pacificam” sem prender ninguém, e onde o tráfico continua mandando e os policiais tiveram os fuzis recolhidos, para dispararem menos (contra os traficantes?).

Mas enquanto em São Paulo a taxa de homicídios é de 10 por 100 mil habitantes e em Santa Catarina é de 9, vejamos como ela se comporta nos Estados dominados por petistas e associados, com a implantação do Estatuto do Desar­ma­mento em 2003, sob aplauso dos che­fes locais “companheiros”: no Rio, como dissemos está pelos 27. Na Bahia, de Jaques Wagner, hoje, por incrível que pareça, ministro da Defesa, é de 36 (era 17 em 2003). Nas Alagoas, de Renan Calheiros, por volta de 50 — há uma inconsistência nos últimos dados fornecidos (era 27). No Pará, de Jader Bar­balho, 40 (era 14). Em Sergipe, de Marcelo Deda e Jackson Barreto, 45 (era 19). No Ceará, dos irmãos Ciro e Cid Gomes, 47 (era 12).

Devem ser muito grandes os atrativos que mantêm por cá o sr. Julio Waiselfisz: na sua terra, a Argentina, estaria muito mais seguro do que no Distrito Federal, até ontem governado pelos seus amigos petistas: a taxa de homicídios dolosos na Argentina é pouco mais que 5 por 100 mil habitantes. Em Brasília é de 27. Volte para sua terra, Waiselfisz.

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Denis Monteiro

Parabéns pela riqueza de detalhes, pela coragem e firmeza nas palavras. Estamos a cada dia que passa mais perdidos na mão dessa corja de bandidos alucinados.

Vorcaos Terra

Tem cara e jeito de vigarista esse argentino. Volte pra sua terra, charlatão e devolva o dinheiro que sua ONG desonesta nos roubou.

Breno Murillo

Belíssima matéria, precisamos de mais jornalistas serio como este. Parabéns!

Raphael Souza de Melo

Até 2004, os homicídios com armas registrados eram de 7%. Só que em 2004 a população brasileira era de 170 milhões, hoje é de 200 milhões. Conclui-se obviamente que, se a estatística se mantém, o numero de homicidios supostamente aumentaria em numero total. 7% de 170 milhões é menos do que 7% de 200 milhões. Só tem alguns problemas nesse estudo: até 2004, o numero de armas registradas era obviamente muito maior do que agora. Se a arma é ilegal, não existe controle nenhum sobre a quantidade de armas em território brasileiro. E mais, o próprio mapa da violência mostra… Leia mais

bahalus

Pará de Jader Barbalho é de uma desonestidade ímpar! Há 2 décadas que o PSDB está à frente do estado!