Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Mandetta não se comporta com dignidade e querem derrubar Bolsonaro

Não há demonstração de que o isolamento horizontal é o meio mais efetivo de combate à proliferação do vírus. E por que não usar a hidroxicloroquina?

Deputado federal Osmar Terra e o presidente Jair Bolsonaro | Foto: Blasting News

Em meio a informações e desinformações, vamos vivendo o isolamento nosso de cada dia. Acredito que em nenhum lugar do mundo um vírus foi tão politizado quanto no Brasil. Há um debate central, também devidamente levado para o campo político: devemos continuar adotando o isolamento dito horizontal, isto é, aquele geral, com o fechamento de todos os estabelecimentos empresariais, exceto os considerados essenciais (como se faz hoje em quase todo o país), mantida toda a população em casa, por tempo indefinido; ou faz-se o isolamento dito vertical, com abertura das indústrias, lojas, quase todo o comércio, enfim, e se isolam apenas os que pertencem a algum grupo de risco?

Apresenta-se o dilema como uma escolha entre vidas e economia, principalmente pelos que defendem o isolamento horizontal. É conveniente: a colocação nestes termos traz forte carga emocional em benefício dos que o defendem. Mas é um falso dilema.

Ninguém tem como avaliar o número de mortes que ocasionaria a adoção de um ou de outro tipo de isolamento, quer pelo vírus, quer pelas consequências econômicas advindas. É tudo achismo até aqui.

Os defensores do isolamento radical se apoiam principalmente nas declarações do presidente da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Mas quem acompanhou os fatos, viu que Tedros oscilou entre as duas soluções, sem se pronunciar em definitivo pelo isolamento horizontal, ainda que tendendo para ele. Sua crença ideológica é conhecida, e a esquerda, unanimemente, defende as medidas mais radicais, até porque elas fazem balançar o capitalismo.

O presidente Jair Bolsonaro defende o isolamento vertical, outra razão fortíssima para que todo o leque de jornalistas, políticos, agregados e simpatizantes de tudo que se aproxime do marxismo se perfile contra. Outro debate acirrado tem lugar entre os partidários e adversários do uso da hidroxicloroquina no combate ao vírus. Talvez por Donald Trump e Bolsonaro defenderem seu uso, a esquerda se coloca contra. O remédio passou a ser “de direita”.

Luiz Henrique Mandetta e Jair Bolsonaro: o ministro da Saúde não está sendo leal com o presidente da República | Foto: Reprodução/Internet

Também o (ainda) ministro da Saúde defende o isolamento horizontal e não se simpatiza com a hidroxocloroquina, diz ele que por razões científicas, que nunca apresentou. Voltaremos a ele. Tudo o que se vê na imprensa, hoje, seja ela qual for, uma vez que o vírus é novo e de características desconhecidas, está impregnado de “achismo”. Os leitores do Jornal Opção merecem fatos concretos. Vamos a eles.

Primeiro fato

Não há demonstração de que o isolamento horizontal seja o meio mais efetivo de combate a proliferação do vírus. Nos países mais bem-sucedidos no enfrentá-lo, as medidas foram bem outras.

Veja-se o exemplo de Hong-Kong. Território vizinho à China, portanto logo exposto à contaminação, com 7 milhões de habitantes aglomerados em uma pequena área (pouco mais de 1.000 km2), tem até hoje índices baixíssimos de contaminação (e apenas quatro mortes). Indústria, comércio e todos os tipos de serviço permanecem abertos (apenas escolas fecharam). Ocorre que a população foi intensamente orientada a tomar medidas anti-contaminação (por exemplo: todos devem usar máscaras ao sair à rua). Muito diferente do que se faz aqui.

O ministério da Saúde, a rigor, apenas recomenda lavar as mãos, o que não protege das partículas em suspensão no ar, principal via de contágio.

Segundo fato

A hidroxicloroquina ainda está sendo testada, é fato. Mas todos os indícios — e são muitos mundo afora — indicam sua efetividade. Por que não a usar?

Ninguém que combate seu emprego jamais respondeu.

Terceiro fato

Há uma clara intenção, por parte de uma facção política e de boa parte da grande imprensa, de derrubar o presidente Bolsonaro, utilizando os desgastes naturais provocados no governo pela pandemia. Uma movimentação altamente impatriótica num momento de grave crise. E por razões, para usar um eufemismo, nada republicanas.

Derrubar Bolsonaro é retomar a velha corrupção

Derrubar o presidente significaria voltar ao estado anterior de coisas: Congresso comprado, loteamento de ministérios, corrupção, Venezuela à vista.

Voltemos ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Desde o início da crise me pareceu ele muito envaidecido por se achar no centro dos acontecimentos. Rempli de soi-même, diriam os franceses.

De uma grande verbosidade, atenuada, é verdade, por uma dose de presença de espírito, chamou para si os holofotes, e manteve o presidente à parte das providências, manifestando com ele algumas discordâncias, justamente quando alimentava a própria popularidade.

Deixou-se usar pelos que não aceitam até hoje a vitória eleitoral de Bolsonaro. Atacou, com razão, o noticiário alarmista da grande imprensa, que qualificou como “sórdido”, mas voltou atrás, descaradamente, ao ver que essa mesma imprensa o poupava, enquanto atacava o presidente. Desculpou-se. Muita deslealdade. Que ficou mais patente na sua quase demissão, quando deu declarações afirmando que a equipe do Ministério da Saúde sairia com ele se fosse demitido.

Ora, incentivar uma demissão em massa na cúpula do Ministério da Saúde (ou ao menos não se opor a ela) é o que há de mais desleal neste instante e aí não só com o presidente, mas com toda a nação. Significaria desorganizar o combate ao vírus em seu pior momento, em nome da vaidade e dos interesses políticos pessoais.

Mandetta é defensor radical do isolamento horizontal, e desdenhou o uso da hidroxicloroquina, alegando “razões científicas”, mas nunca disse quais.

Repito: não foi com o isolamento geral que os países menos atingidos combateram o coronavírus. A hidroxicloroquina é uma promessa respaldada por experiências ainda insuficientes, mas com muitos sinais positivos. Mas o ministro insiste em defender o primeiro e afastar a segunda.

Por tudo isso Mandetta, que hoje é muito mais um político que um médico, um dos quadros do DEM de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, ambos em oposição a Bolsonaro, merece a demissão. Que o presidente Bolsonaro só não efetivou, estou certo, por respeito à Nação e ao momento grave que vive. Teve a grandeza de abdicar momentaneamente de sua autoridade em benefício do País. E ainda dizem que é autoritário.

Uma resposta para “Mandetta não se comporta com dignidade e querem derrubar Bolsonaro”

  1. Carlos Spindula disse:

    Excelente coluna, Sr. Irapuan, concordo totalmente com o senhor !

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