Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Luiza Erundina, ao conservar o ranço petista, prefere apoiar Dilma Rousseff a Aécio Neves

Luiza Erundina: expulsa do PT, a deputada prefere apoiar Dilma Rousseff do que Aécio Neves

Luiza Erundina: expulsa do PT, a deputada prefere apoiar Dilma Rousseff do que Aécio Neves

Duas defecções, apenas, têm importância no apoio do PSB a Aécio Neves: Roberto Amaral e Luiza Erundina.

Sente-se na atitude do primeiro, mais que uma posição ideológica, a reação à perda de poder. Conseguis­se Amaral manter-se à frente do par­tido, possivelmente não dissidiria, e apoiaria o mineiro. Como fracassou sua tentativa de uma reeleição extemporânea, e ficou claro que teria que apear da presidência do PSB, Amaral resolveu sair do partido e o fez atirando. Não tem seguidores para causar muitos estragos, pois jamais disputou um pleito, mas numa eleição majoritária, tudo conta.

Mais previsível, e um pouco mais expressiva, é a saída de Erun­dina da campanha de Aécio, onde, aliás, nunca esteve. Erundina pertence à ala mais radical do PT, de on­de jamais saiu de verdade, embora expulsa em 1992, readmitida em 1993 e filiada ao PSB desde 1998. Sua história é de radicalismo esquerdista. Elegeu-se prefeita de São Paulo com apenas um terço dos votos dos paulistanos, em 1989 (não havia segundo turno). Com a incompetência administrativa das esquerdas, terminou mal o mandato, concorrendo para a derrota de seu candidato a prefeito, Eduardo Suplicy, que perdeu para Paulo Maluf, em 1992.

Com a queda de Collor, Erun­di­na aceitou o convite de Itamar Franco, num governo de coalizão (de reconstrução nacional, e não de corrupção), para ser ministra da Secre­taria de Administração Federal. Foi expulsa do PT, que pretendia dinamitar também o probo e bem intencionado mineiro presidente, e não permitia que ela assumisse o ministério.

Incompetente à frente da pasta, Erundina chocava-se com o chefe da Casa Civil, Fernando Hargreaves. Deixou abruptamente o governo, sem dar satisfações ao presidente, em 1993. Pior: saiu falando mal dele: “Nunca vi ninguém tão burro”, dizia. Ao que Itamar, com fair-play, retrucava: “Tenho que concordar. Sou mesmo burro. Prova é que a nomeei ministra”.

Voltando ao PT, e dele saindo em 1998, para o PSB, Erundina colecionou um colar de derrotas. Sonhava ser senadora ou voltar à prefeitura paulistana. Perdeu as eleições de 1994, para o Senado, e as de 1996, 2000 e 2004 para a Prefeitura de São Paulo. Só então acordou para a realidade de que só poderia se eleger para cargos proporcionais. Foi eleita cinco vezes deputada federal, em 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014. Por que digo que Erundina nunca saiu, em espírito do PT, ou ao menos de sua ala mais radical? Derrotada Marina Silva no primeiro turno das presentes eleições presidenciais, a opção de Erundina, que a assessorava, sem titubear, foi pelo PT de Dilma Roussef, apesar da enorme indigência administrativa da candidata e da gigantesca corrupção do seu partido.

Aécio Neves não é nenhum radical conservador e não tem passado deavanço nos dinheiros públicos. Como explicar a opção da velha deputada senão como um fortíssimo apelo do ranço ideológico, que vê em cada “companheiro” ladrão um guerreiro inocente, a praticar meios que mesmo abjetos, sempre são justificados pela nobreza dos fins?

 

Esquerdismo petista contamina as Forças Armadas

Algo que parecia impossível vem acontecendo no Exército Brasileiro. Aliás é algo paradoxal para qualquer exército: colaborar com o inimigo e atacar os aliados.

O desarmamento, tal como adotado no Brasil, visando apenas as armas legais e poupando (pode-se dizer beneficiando) os larápios e traficantes, foi repelido pela população e concorreu para a alta criminalidade que enfrentamos. Só se explica pela vontade ideológica de fazer uma sociedade totalmente dominada pela “vanguarda revolucionária”. Quer-se não um povo, mas um rebanho de obedientes cordeiros, incapazes de qualquer reação.

Não satisfeitos em desarmar o cidadão comum, investem agora os “esquerdistas revolucionários” ou qualquer nome que se lhes dê, contra os atletas do tiro, esporte olímpico praticado em todo o mundo, contra os caçadores (ainda se caçam no Brasil os javalis predadores que invadem o sul, vindos da Argentina) e contra os colecionadores de armas. E o fazem usando o Exército, que controla essas atividades.

Em suma, o Exército, que sempre teve como aliados, e até como colaboradores e força de reserva (como fazem as nações mais avançadas) atiradores, caçadores e experts em armamento, agora os vê, de uma hora para outra, como inimigos. Dificulta-lhes a vida. Trata-os como marginais. Cria para eles os mais estultos embaraços burocráticos.

Por outro lado, vê como aliados aqueles que detestam as Forças Armadas, delas escarnecem, e as culpam de todos os males que podem ser atribuídos a uma instituição.

O Exército colabora, endossando essas absurdas restrições, com os que fizeram uma Comissão da Verdade para imputar às Forças Armadas os piores crimes de guerra, enquanto enaltecem os terroristas que as chamaram para o combate armado. Ao aceitar a ingerência indevida do Ministério da Justiça em seu meio, com a subserviência não da disciplina, mas do engano ou da covardia, muitos chefes militares mostram que o esquerdismo, viajando no petismo, vem contaminando nossas Forças Armadas, levando-as para o campo ideológico, e o da pior ideologia — aquela que quer nossas Forças Armadas aniquiladas, ou quando nada desmoralizadas.

 

Imprensa brasileira ignora aqueles que fogem da ditadura cubana

Leonardo Padura Fuentes: autor de artigo sobre cubanos que tentam escapar da ditadura e buscam uma vida livre e condições de existências dignas

Leonardo Padura Fuentes: autor de artigo sobre cubanos que tentam escapar da ditadura e buscam uma vida livre e condições de existências dignas

Leonardo Padura Fuentes, o autor cubano do best-seller “O Homem Que Amava os Cachor­ros”, escreveu um pequeno artigo, publicado na “Folha de S. Pau­lo” de sábado, 11. O título: “Cu­banos em alto mar”. O artigo comenta as tentativas — tantas vezes malogradas — de cidadãos cubanos, entre eles velhos e crianças, alcançarem a costa norte-americana por via marítima, e obter nos Estados Unidos refúgio político.

Padura escreve a partir de um acontecido recente (final do mês passado): 32 cubanos se fizeram ao mar em uma precária embarcação: uma balsa, na qual haviam adaptado um motor retirado de um dos velhos carros existentes na ilha, e ao qual haviam acoplado uma hélice. Como não era difícil de se prever, a engenhoca não resistiu e no segundo dia, enguiçou. À deriva, com o estoque de água esgotado, seis fugitivos tentaram voltar a nado. Não mais se soube deles, muito provavelmente vítimas dos tubarões. Outros 11 morreram desidratados, antes que fossem os sobreviventes encontrados, por simples acaso, por um barco mexicano. Menos da metade, pois, conseguiu cumprir sua já amarga meta de autoexilado em busca de liberdade. Não houve notícias do fato por aqui.

Ele atenta contra um dos dogmas da imprensa de esquerda, que é francamente majoritária em nossa terra: em Cuba, a população desfruta de uma educação de primeiro mundo, de uma saúde exemplar. Além disso, Fidel e Raul são líderes adorados. Logo, se alguém quer sair de Cuba, só pode ser um “gusano” (verme), como dizem os comunistas, comprado pelo capitalismo americano. Para que gastar papel e tinta com gente tão desprezível?

Mas a grande verdade é que o anseio de liberdade, transformado em desespero, leva a essas tentativas que têm muito de suicídio. Não há estatísticas de quantos tentaram a via marítima para escapar da ditadura. Quantos, no dizer de Pa­dura, foram os “cubanos em alto mar”. Muito menos, desse total, quantos chegaram ao êxito, que como êxodo, já é de per si uma derrota.

Na empreitada relatada pelo escritor em seu artigo, menos da metade. De qualquer forma, pelo que se sabe, muitos perderam a vida nessas fugas desesperadas. Quem se lançou ao mar, esperava chegar à Flórida, sem dúvida. Mas sabia, pelos antecedentes, dos elevados riscos a enfrentar. Pratica­va, conscientemente, uma roleta russa. O alto risco de morte era (e é) preferível à servidão miserável na ilha da ditadura, mostram sem possibilidade de contestação essas desesperadas tentativas.

Para isso não atentam nossos marxistas, na política e na imprensa. Qualquer apoio à ditadura é uma chicotada a mais em um miserável, um engrossar do coro que canta um hino à escravidão. Quando esse apoio é concreto, como levar dinheiro do trabalhador brasileiro para reforçar os ditadores cubanos, ou ajudar a escravizar médicos da ilha, aí é uma abjeção sem tamanho.

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