Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Imprensa tratou viagem de Bolsonaro à Rússia e à Hungria com má vontade e má-fé

A aliança dos líderes do PT com a Venezuela e com Cuba, duas ditaduras, não é malvista pela esquerda e pela imprensa

Não é nada fácil ficar bem-informado seguindo apenas a imprensa brasileira. A informação e a desinformação se misturam, a politização é geral, sempre em detrimento dos fatos, e em alguns casos, principalmente se envolvem o presidente Jair Bolsonaro (PL), os comentários vão além da hostilidade. São raivosos. Aí se misturam duas vontades: a vontade dos jornalistas de esquerda, que até hoje, três anos depois, não conseguiram digerir a vitória de Bolsonaro. Para eles, só pode ser presidente, se for “progressista”, isto é, se achar que deve marchar para a frente até chegar ao estágio do Leste Europeu em 1950. E vontade a dos donos dos jornais, que se ressentem das verbas do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do BNDES e principalmente da Petrobrás, que secaram. Até o governo atual, os donos continham esses jornalistas, cuja coragem nunca foi muita e não chega ao extremo de afrontar o patrão. Roberto Marinho, criador da Globo, enquanto vivo, preferia dialogar com o governo a hostilizá-lo. Continha seus jornalistas, para não agirem de maneira irresponsável. E manteve no topo seu conglomerado, enquanto vivo. A seus filhos parece faltar a competência que ele tinha e sobrar a prepotência e a indolência que não tinha.

Bolsonaro e Putin: aliados | Foto: Reprodução

Tomemos como exemplo a recente viagem presidencial à Rússia e Hungria. A viagem à Rússia foi vista pela imprensa local como uma temeridade. A guerra explodiria ainda com Bolsonaro por lá, que irresponsabilidade! Como ele explicará ao mundo sua presença? — indagavam. Conheço a diplomacia apenas superficialmente, mas quando vi Celso Amorim, o ex-chanceler, se somar às críticas, fiquei mais tranquilo. Amorim nunca acerta em suas censuras, como também não acerta em seus elogios. Acabei de me tranquilizar quando o embaixador Rubens Barbosa defendeu a viagem. Barbosa é uma das competências do Itamaraty, e, embora aposentado, é uma voz ouvida com respeito quando se trata de relações exteriores. E simplesmente, para desgosto dos jornalistas conhecidos, tudo correu bem na viagem e nada houve afinal a censurar, exceto por parte do governo Biden, já em declínio apesar de recente, e buscando meios de se recuperar nas avaliações internas nos EUA. E outros presidentes lá estiveram, nesse período crítico, como os da França e da Argentina, sem que sofressem censura. Só Bolsonaro não pode.

Jair Bolsonaro e Viktor Orban | Foto: Reprodução

A visita de Bolsonaro a Viktor Orban, primeiro-ministro húngaro, enfureceu os jornalistas tupiniquins (apenas os de esquerda, diga-se). Para eles Orban é de “extrema direita” e um “pária na Europa”. Bolsonaro teria ido até Budapeste para reforçar Orban, o “pária”. Para que os leitores saibam, Orban foi primeiro-ministro de 1998 a 2002, e voltou ao cargo em 2010, onde permanece. É deputado desde 1990. É presidente do Fidesz, o maior partido húngaro, desde 2003. Tudo isso pela mais tranquila via democrática. Encarna o repúdio de toda a Hungria à ocupação soviética e à sangrenta resposta ao levante húngaro de 1956, repúdio que a esquerda não aceita lá muito bem. Onde o extremismo de Orban? Só mesmo na cabeça dos extremistas de esquerda, para quem todo conservador deveria estar morto, evidentemente depois de esfolado.

Celso Amorim: ex-ministro das Relações Exteriores | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Para uma pequena comparação: a companheira Dilma Rousseff, ex-terrorista (militou na VAR-Palmares), que levou dinheiro dos brasileiros pobres de presente para Cuba, nunca seria tachada de extrema-esquerda por essa turma. Ah, não, ela é democrata — diriam. Nem o pior terrorista brasileiro, o famigerado Carlos Marighella, recebeu por aqui a classificação de extremistas de esquerda.

Um comentário de Bolsonaro, aliás secundado por Orban, enaltecendo Deus, Pátria e Família, escandalizou a esquerda: “slogan fascista” — foi o berreiro. Em primeiro lugar, Bolsonaro não é sociólogo, sua formação é outra, e não deve sequer saber as palavras de ordem do fascismo. Que prega o respeito a Deus, o patriotismo e a preservação da família, não é novidade, e nem motivo para censura. Em segundo, há outros slogans fascistas, e o mais importante deles está arraigado também na crença dos esquerdistas. É até um dogma para eles, e um traço de união entre comunismo e fascismo: “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Esse, o jornalismo canhoto não condena. No último dia 17, uma jornalista da Globo criticava essa viagem presidencial com tanta fúria que temi que ela tivesse um infarto ao vivo.

Rubens Barbosa: um sábio da diplomacia | Foto: Júlio Bittencourt/Revista da Indústria

A imprensa de esquerda, principalmente a dos grandes jornais, há três anos, dia sim, outro também, bate na tecla das “rachadinhas” que teriam sido feitas pelos filhos do Presidente, e buscam prová-las. Enfurecidamente. As “rachadonas” do senador Davi Alcolumbre, provadas e comprovadas, não merecem a menor menção dessa turma — exceto na revista “Veja”. É que Alcolumbre é “companheiro” nos ataques ao presidente e pode fazer de tudo, inclusive despojar pessoas humildes da periferia de Brasília. É dos “nossos”.

Outro exemplo de desinformação de nossa imprensa lulista-esquerdista surgiu com a chamada CPI da pandemia. Proposta para atacar a qualquer preço o governo federal e acobertar governadores e prefeitos corruptos, foi chefiada por uma trinca de senadores. Só que essa santíssima trindade não tem credibilidade sequer para comprar fiado na padaria da esquina. E não é que a tríade foi transformada em conjunto de heróis pela extrema imprensa? Isso enquanto o relator (Renan Calheiros) responde a mais de uma dúzia de processos no Supremo (que não andam) o presidente (Omar Aziz) teve mulher e outros parentes presos em processo policial sobre fraudes na Saúde e o vice-presidente (Randolfe Rodrigues) é apenas uma figurinha folclórica no Senado pelos frequentes chiliques que dá por qualquer motivo.

Dilma Rousseff e Lula da Silva com Rául Castro: exemplo de democracia? | Foto: Reprodução

Mas não, para a imprensa parcialíssima destas plagas, eram cavaleiros templários defendendo tudo que há de sagrado nos recursos públicos, mesmo nada encontrando contra Bolsonaro e escondendo muita corrupção de prefeitos e governadores. Finda a CPI, tentaram os três indigitados — imagine o leitor — levar seus resultados à Corte Internacional de Haia, num ridículo esforço de incriminar o presidente. Sequer conseguiram ser recebidos. Levaram à Procuradoria-Geral da República, que, diante de tanta baboseira, já sinalizou que seu destino será o arquivo. Novo chilique de Randolfe, que quer ensinar ao procurador-geral, Augusto Aras, a fazer seu trabalho. Até o ameaça de impeachment. Logo ele, Randolfe. O Brasil, como dizia Tom Jobim, não é para principiantes.

7 respostas para “Imprensa tratou viagem de Bolsonaro à Rússia e à Hungria com má vontade e má-fé”

  1. Avatar Ernesto Roosevelt Carneiro disse:

    Bela matéria, verdades 👍👍👍

  2. Avatar Salatiel Pedrosa Soares Correia disse:

    Salatiel Soares Correia
    Na sua coluna semanal para o Jornal Opção, o não apenas técnico próximo ao patamar da sabedoria, o ex-governador Irapuan demonstra, com sólidos argumentos, o que, há muito, venho observando na imprensa brasileira: a parcialidade.
    Os bombardeios constantes em torno desse samba de uma nota sé chamado “rachadinha” e beira à hipocrisia. Não sou nem nunca serei um bolsonarista. Vejo a realidade como ela é. E, no Brasil bolsonarista, testemunho críticas tendenciosas de uma imprensa que, enquanto imprensa, desinforma a sociedade sob a realidade dos fatos. Tenha a seguinte certeza: o mar de lama que a imprensa (hoje, esquerdista) move contra o capitão reflete o pensamento não deles, mas sim dos donos de jornais, revistas e televisões que os empregam.
    E aqui vai um depoimento pessoal: apresentei ao competente e, a meu juízo, mais intelectualizado profissional da imprensa goiana, Euler Belém, o Ph.D. em Relações Internacionais da Universidade de Londres, Ielbo Lobo. Ielbo é casado com uma prima minha, ele foi professor na Unisinos (no Rio Grande do Sul), na Universidade de Brasília, na Universidade de Manitopa (no Canadá) e, atualmente, é professor na Universidade Federal da Paraíba.
    Bastou 15 minutos de conversa com o editor do Jornal Opção para ele perceber que o Doutor Ielbo era o profissional certo para nos ajudar a entender o atual momento de incertezas em torno do conflito entre a Ucrânia e a Rússia.
    Na entrevista que o professor da Universidade da Paraíba concedeu ao Jornal Opção, este reforça os argumentos de Irapuan Costa Júnior no tocante à parcialidade da imprensa. Irapuan fala de parcela da imprensa nacional; Ielbo, daquela ocidental, no que tange à desconstrução do inimigo comum chamado Vladimir Putin. Gostem ou não gostem do presidente da Rússia, não se pode deixar de reconhecer a importância desse ator no complexo jogo de xadrez em torno do poder. Líder inconteste do nacionalismo russo, é o homem a ser batido pelas engrenagens de grande parcela da imprensa internacional. Mais uma vez, o quarto poder fragiliza a democracia, que carece de algo fundamental como alicerce da verdade: a informação.

  3. Avatar Maria Teresa F. Garrido Santos disse:

    Os artigos escritos nesta Coluna, por Irapuam Costa Júnior, trazem para mim o conforto de me sentir legitimamente representada e, como se diz popularmente, “com a alma lavada”. Sempre presentes em seus textos a lucidez e coerência de ideias, o conhecimento dos fatos e atores históricos, em nível que desborda do espaço e do tempo. Parabéns, Dr. Irapuam, pela coragem, musculatura intelectual , experiência dos bastidores políticos e honestidade para enfrentar, com vigor e competência, os sofismas que abastecem esses posicionamentos repercutidos por grande parte da imprensa brasileira, tão criminosamente parcial!

  4. Avatar Salatiel Pedrosa Soares Correia disse:

    Salatiel Soares Correia
    Na sua coluna semanal para o jornal Opção o não apenas técnico próximo do patamar elevado da sabedoria ex-governador Irapuan demonstra com sólidos argumentos o que de há muito venho observando na imprensa brasileira: a parcialidade.
    Os bombardeios constantes em torno desse samba de uma nota sé chamado “rachadinha” beira a hipocrisia. Não sou nem nunca serei um Bolsonarista. Vejo a realidade como ela é. E no Brasil Bolsonarista testemunho críticas tendenciosas de uma imprensa que, enquanto imprensa, desinforma a sociedade sob a realidade dos fatos. Tenha a seguinte certeza: o mar de lama que a imprensa (hoje esquerdista) move contra o capitão reflete o pensamento não deles, mas sim dos donos de jornais, revistas e televisões que os empregam.
    E aqui vai um depoimento pessoal: apresentei ao competente e, a meu juízo mais intelectualizado profissional da imprensa goiana, Euler Belém, o Ph.D. em Relações Internacionais da Universidade de Londres, Ielbo Lobo.Ielbo é casado com uma prima minha, foi professor da Unisinos no Rio Grande do Sul, Universidade de Brasília, da Universidade Canadense de Manitopa. Atualmente ele professor da Universidade Federal da Paraíba.
    Bastou 15 minutos de conversa com editor do Jornal Opção para ele perceber que doutor Ielbo era o profissional certo para nos ajudar a entender o atual momento de incertezas em torno do conflito entre a Ucrânia e a Rússia.
    Na entrevista que o professor da Universidade da Paraíba concedeu ao Jornal Opção reforça os argumentos de Irapuan Costa Júnior no tocante a parcialidade da imprensa. Irapuan nos fala de parcela da imprensa nacional; Ielbo ,da ocidental no tocante a desconstrução de inimigo comum chamado Vladimir Putin. Gostem ou não gostem do presidente da Rússia não se pode deixar de reconhecer a importância desse ator no complexo jogo de xadrez em torno do poder. Líder inconteste do nacionalismo Russo é o homem a ser batido pelas engrenagens de grande parcela da imprensa internacional.mais uma vez o quarto poder fragiliza a democracia que carece de algo fundamental como alicerce da verdade: a informação.

  5. Avatar Moises afiune disse:

    Ilustrativo e correto

  6. Avatar Marcos da Rocha Lima disse:

    O ex-governador Irapuan está certo ao comentar sobre a parcialidade por parte de alguns jornalistas ao noticiarem sobre o Presidente Bolsonaro. Não há dúvidas que o motivo dessa parcialidade é o corte do dinheiro fácil que recebiam por fora e agora não mais recebem. É a reação do medíocre que perde a mamata.

  7. Avatar SETTE disse:

    Excelente ,como sempre !

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.