Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Impeachment de Dilma Rousseff pode contribuir para o país se recuperar moral e economicamente

Dilma Rousseff: por que não investigar com rigor os fundos de pensão? Porque será mais um escândalo na cota do petistmo

Dilma Rousseff: por que não investigar com rigor os fundos de pensão? Porque será mais um escândalo na cota do petistmo

É revoltante o argumento usado por muitos (Fer­nan­do Henri­que Car­do­so inclusive) para de­fender Dilma Rousseff e seu mal­fadado mandato (que parece ter ter­minado sem mesmo ter começado).

O mantra de que Dilma Rousseff é honesta, e não se apropriou do dinheiro público, ao contrário de outros petistas (como José Dirceu), é uma cínica afirmação ideológica das esquerdas para evitar um impeachment. Levar bilhões de dólares de dinheiro público para Cuba, por exemplo, sabendo tratar-se do mais suado dinheiro do trabalhador brasileiro, ciente de que esse dinheiro faz falta na mesa de muitos lutadores pobres e honestos, que é muitas vezes subtraído da educação de seus filhos ou da saúde de seus pais, torna a presidente tão culpada quanto Paulo Roberto Costa ou Renato Duque, dois notórios envolvidos no escândalo da Petrobrás. Desvio de dinheiro público de suas reais finalidades — o retorno em benefícios para o povo que o confiou ao governo — será sempre criminoso, qualquer que seja a finalidade do desvio. O bolso em que foi parar, de um ladrão ou de um ditador, pouco importa.

Se a candidatura de Lula da Silva era democraticamente aceitável, dado sua conhecida trajetória no movimento sindical e na política, a de Dilma Rousseff desde o início ins­pirava cautela. Novata, com carreira política inexistente, pouco se sabia dela, e esse pou­co não era lá muito recomendável. Per­tencera a um movimento terrorista e quando alardeava que lutara por uma democracia contra uma ditadura estava mentindo desbragadamente, pois estava a serviço do regime cubano, que desejava, com todas as suas forças, estender sobre o Brasil. Lutava a favor de uma ditadura contra um regime militar forte, mas que só mesmo com uma distorção ideológica cínica poderíamos classificar de ditatorial.

Dilma Rousseff estava mentindo quando alardeava portar um diploma de doutorado que nunca existiu. Exibia uma arrogância e um destempero que, hoje se sabe, tinha uma serventia: esconder a insegurança que acompanha a incompetência de quem foi além do que era capaz. O resultado está à vista e há muito tempo: a presidente não pode fazer um pronunciamento que não seja escrito (por alguém mais) pois não sabe terminar um raciocínio apenas começado. Não consegue encadear um pensamento e traduzi-lo em palavras. Tornou-se a rainha dos anacolutos.

Se abandonada com seus malformados e incompletos raciocínios, Dilma Rousseff é capaz de saldar a caxirola (aquela castanhola inventada pelo músico Carlinhos Brown para a copa do mundo, e que não vingou), ver o cachorro oculto atrás da criança, descobrir a mulher sapiens, dobrar a meta inexistente, saudar a mandioca e combiná-la com o milho, além de armazenar o vento. Mas isso não é o pior. O pior é se julgar entendida em energia e querer baixar por decreto a conta da luz e com isso levar o caos ao setor elétrico; é se julgar sábia em economia e provocar uma recessão no país e uma inflação na moeda; é ver, por omissão ou incompetência se institucionalizar a corrupção em seu governo; é contemplar, por uma política equivocada de segurança e direitos humanos, uma mortandade igual à de Paris dos atentados do mês passado, acontecer, a cada dia no Brasil.

O PT é um partido único. Conseguiu a proeza de ter dois tesoureiros (Delúbio Soares e Vaccari), um ex-presidente (José Genoino), um ocupante do mais importante posto do Executivo — a chefia da Casa Civil (José Dirceu) —, um ex-presidente da Câmara dos Deputados (João Paulo Cunha) e um líder do seu governo no Senado (Delcídio do Amaral) como companheiros de cadeia por corrupção, além de outras figuras graúdas também presas ou processadas. Acredito ser um recorde mundial, difícil de ser batido no futuro. E esse pessoal continua entrincheirado no governo, a despeito de toda sua corrupção, incompetência e desvio ideológico. A cada dia, mais afundam o país. E os chefes supremos nunca sabem de nada.

A compra da refinaria de Pasadena, pela Pe­trobrás, com seu prejuízo bilionário aos brasileiros, deve ainda ter muitos — e grandes — desdobramentos. Internamente, na quase certa delação premiada de Nestor Cerveró e na muito possível de Delcídio do Amaral, que se sente, com razão, abandonado pelos “companheiros”. Externa­mente, nos processos que correm nas cortes americanas, onde dificilmente Dilma se sairá isenta, como presidente que era do Conselho da Petrobrás que aprovou e assinou a toque de caixa a desventurada compra, sabendo ou não das falcatruas ali escondidas.

É impressionante, como algumas figuras conseguem passar pelas malhas das investigações dos últimos escândalos. Lula e seus familiares, apesar do que se publicou, pouco ou na­da foram incomodados. E não faltam motivos para incômodo: Sítio reformado pela OAS em Atibaia, apartamento tríplex decorado pela Andrade Gutierrez em São Bernardo do Campo, palestras pagas a preços de Prê­mio Nobel pela Odebrecht mundo afora. Em­presas enroladas, todas, na Lava Jato. E os rebentos Lulinha e Luiz Cláudio com as fortunas crescendo como os rios na enchente em períodos de muita chuva. O que me faz lembrar um meu vizinho de fazenda, de poucas letras, mas muita vivência e suas comparações com a natureza, que me dizia, falando de um prefeito que enriquecera rapidamente, de maneira suspeita, ainda no exercício do mandato: “Doutor, o sr. já viu enchente com água limpa?”.

Duas instituições que pedem uma devassa: BNDES e Trans­pe­tro. Até agora, em que pese os muitos indícios de desvios, um e outra permanecem mais ou menos preservados. O BNDES é o grande responsável por pelo menos dois fatos que pedem esclarecimentos e talvez punições: a entrega de grandes somas a grupos internos escolhidos pela cúpula política, os chamados “campeões nacionais” e que deram com os burros n’água, como Eike Batista e Sete Brasil; e os vultosos financiamentos a governos estrangeiros com pouca ou nenhuma capacidade de pagamento, quase sempre periclitantes ditaduras ou semiditaduras. Nesse último caso com o agravante de serem os recursos destinados a obras entregues sem licitação a empresas amigas da mesma cúpula política. E foram essas empresas que financiaram campanhas eleitorais ou fizeram grossos favores às autoridades do governo federal.

Fundos de pensão

Já a Transpetro, embora muitas notícias e mesmo denúncias tenham vindo a público, não mereceu até agora uma ação da Procuradoria-Geral da República. Sabe-se que foi presidida por um preposto do notório presidente do Senado, Renan Calheiros, durante anos, e que foi afastado a contragosto por exigência dos auditores independentes PricewaterhouseCoopers. Pertencente ao conglomerado Petrobrás, sendo uma de suas principais subsidiárias, estaria imune à onda de corrupção que varreu nossa maior empresa e quase a levou à falência? Não é o que dizem os jornais, e o procurador-geral Rodrigo Janot nada diz.

Se BNDES e Transpetro pedem investigação, o que dizer dos fundos de pensão? Se tomarmos apenas quatro fundos ligados a instituições governamentais (Previ, do Banco do Brasil; Petros, da Petrobrás; Funcef, da Caixa Econômica Federal, e Postalis, dos Correios) veremos que movimentam mais de 300 bilhões. Deveriam beneficiar mais de 1 milhão de funcionários que para eles contribuem com parcela razoável de seus salários. Administrados na sua maioria por petistas ligados aos governos Lula e Dilma, têm sido apontados como ninhos de corrupção e incompetência, e suspeitos de prejudicar seus associados — os funcionários cuja aposentadoria deveriam complementar.

Um exemplo é o Postalis, que no ano passado apresentou um déficit de 5,5 bilhões de reais, em boa parte explicados pela aplicação de seus recursos em títulos venezuelanos e argentinos, além de papéis das empresas de Eike Batista, num momento em que essas economias correm pela sarjeta. O Petros foi tomador de participação na Sete Brasil, hoje beirando a falência.

O Funcef também amarga um rombo de 5,5 bilhões de reais, do mesmo tamanho do buraco do Postalis, embora não se saiba publicamente o que o originou; e recentemente, o senador Aloysio Nunes, líder do PSDB, acusou o Previ de abrigar um rombo de nada menos que 7 bilhões de reais.

Esses déficits obrigam os funcionários a pesados descontos complementares em seus salários, anos a fio, para recompor as reservas desses fundos. As tentativas recentes para criação de uma CPI dos fundos de pensão têm esbarrado numa feroz tentativa do governo de impedir que sejam criadas, e quando criadas, de impedir que investiguem. Faz sentido: quem deve, teme.

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