Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Há indícios em excesso sobre ligação de Lula com o tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia

Lula da Silva assegura que não é dono de tríplex de luxo no Guarujá e de sítio em Atibaia, mas as evidências, cada vez maiores, parecem contrariar o ex-presidente da República

Lula da Silva assegura que não é dono de tríplex de luxo no Guarujá e de sítio em Atibaia, mas as evidências, cada vez maiores, parecem contrariar o ex-presidente da República

Há uma lei física, chamada Lei dos Gran­des Números, que diz: a probabilidade de um evento tende para seu real acontecimento quando o número de repetições é muito grande. Exemplificando, se lançamos uma moeda, a possibilidade de dar cara (ou de dar coroa) é de 50%. Com um número pequeno de lançamentos, dois, por exemplo, é normal não termos uma cara e uma coroa. Poderão ocorrer duas caras ou duas coroas, embora não esteja excluído o acontecimento de uma cara e uma coroa. Mas se fizermos 2 milhões de lançamentos, teremos muito aproximadamente 1 milhão de caras e 1 milhão de coroas, ou seja, o acontecido (cara ou coroa) será praticamente igual à probabilidade de 50%.

Há, no meio social, uma lei assemelhada: se indícios apontam uma realidade, mesmo que negada, a possibilidade de sua comprovação cresce com o número de indícios presentes. É essa lei que orienta os trabalhos de investigação policial, por exemplo. Ou o diagnóstico de enfermidades, outro exemplo. À medida que o número de indícios cresce, mais e mais se cristaliza uma realidade, mesmo que oculta de maneira deliberada ou não.

Na recente discussão sobre um apartamento de três andares em Guarujá e um sítio em Atibaia, a afirmação de Lula de que não pertencem a ele não resiste a uma aplicação da Lei dos Grandes Nú­me­ros. Não falamos, é claro, da propriedade formal desses imóveis. Eles estão, indiscutivelmente, em nome de terceiros, e basta uma visita aos cartórios para comprová-lo. Um parece estar em nome da construtora OAS — o apartamento — e outro em nome de Fernando Bittar, um sócio de Lulinha, filho mais velho do ex-presidente.

Mas os indícios de que Lula é ou era mesmo o dono de um e de outro surgem em assustadora (para ele) progressão. Vamos ao tríplex: um indício fortíssimo vem de uma revelação do próprio Lula: a de que havia uma quota, de propriedade de sua mulher, Marisa Letícia, correspondente a um apartamento, naquele mesmo edifício. Poderia então ser outro apartamento, que não aquele, tão falado, pois a opção do quotista por uma determinada unidade era obrigatória e tinha data fixa para ser exercida, data expirada anos atrás.

Mas os indícios apontam no sentido inverso, e são vários, começando com o fato de que no caso citado não surgiu a devida opção por qualquer unidade. Foi o tríplex do Edifício Solaris que Marisa Letícia visitou e cujas obras fiscalizou, mais de uma vez, recebida com flores pela construtora e acompanhada de um dos filhos. Foi ali que esteve Lula, escoltado por um alto executivo da OAS, que — outro indício — está terminando justamente esse prédio, enquanto vários outros, pertencentes a pobres bancários lesados pela cooperativa dirigida por João Vaccari, ficaram por terminar.

Foi ali que a OAS gastou quase 800 mil reais em acabamento, que incluiu até elevador privativo. Os indícios vão crescendo, em número e força — e até a desistência do imóvel, após a celeuma despertada na imprensa, não deixa de ser um deles.

Sítio de Atibaia

Reprodução

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Com o sítio de Atibaia ocorre algo semelhante — ou pior. Mais indícios se acumulam. Também ali a OAS está presente: doando a mobília do local. E não é uma mobília qualquer. Custou R$ 180 mil. Outra empresa (como a OAS enrolada no petrolão), a Odebrecht, bancou uma reforma, que só em compras custou R$ 500 mil, segundo a dona de uma loja de material de construção. Indícios e mais indícios.

Um engenheiro da Odebrecht foi responsável pelas obras, e diz que exerceu seu mister de graça, e nas férias, a pedido de um amigo. Não se lembrava do nome do amigo, quando indagado por um repórter. Horrível indício. A Odebrecht, apesar das evidências, nega participação nas obras. Indícios cada vez mais estranhos.

Há ainda indícios que se ligam: as mobílias do sítio e do tríplex foram compradas na mesma loja, pela mesma OAS, e parte paga com dinheiro vivo. Além disso, funcionários da loja foram orientados a não fazer comentários, e as notas foram emitidas em nome de Fernando Bittar. Fraudulento indício!

O instalador das cozinhas não pode ter acesso ao sítio, para as medidas dos armários. Teve que se contentar com as plantas do projeto de reforma. Inusitado, logo outro indício.
Marisa Letícia comprou um barco para o sítio. Não é mais um indício? A família ali passou fins de semana, mais de uma centena de vezes.

A mão de obra das reformas, ao que parece, veio do amigo José Carlos Bumlai (segundo-amigão de Lula), preso, também, por envolvimento no petrolão. O arquiteto que confeccionou os projetos teria sido pago por Bumlai. Ao menos é ligado a ele. E vão surgindo mais e mais indícios.

A escritura do sítio foi passada no escritório de Roberto Teixeira, o primeiro-amigão de Lula, mas, ao que consta, não é amigo do dono formal. Nenhuma explicação válida surgiu até agora, mas indícios brotam um após outro. Lula nada fala, talvez por nada ter a dizer. Ou tema que, dizendo algo, forneça mais algum indício.

O porta-voz lulista, cada vez mais suspeito, é o Instituto Lula, mas, como institutos não falam, há que se presumir que a voz seja de algum amigão entre os ali homiziados, Paulo Okamoto, quase que certamente. Outros são o pretenso beato Gilberto Carvalho, de fidelidade canina ao ex-presidente, e o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (cria política de Lula).

O instituto Lula só responde aos questionamentos da imprensa com evasivas, o que no fundo traduz-se em mais indícios.

Gilberto Carvalho admite a reforma pelas empreiteiras, ao menos no sítio de Atibaia, que considera “a coisa mais normal do mundo”, e repisa que a propriedade não é de Lula, mas de Bittar. Na prática tenta transformar o que era um indício — benefício de uma empreiteira envolvida no petrolão a um ex-presidente ou mesmo presidente, pois Lula ainda estava no governo quando as obras já estavam em andamento — em um fato banal. Mas a banalidade é falsa.

Empreiteiras não dão presentes desse valor (próximo a 1 milhão de reais), a não ser a quem lhes devolva no futuro ou lhes adiantou no passado vantagens múltiplas do valor que concederam. E Lula, os indícios pululam (sem trocadilho), foi um grande beneficiador de empreiteiras, aqui no Brasil e lá fora, cortesias que fez com nosso chapéu, principalmente com verbas do BNDES. Duas delas, Odebrecht e OAS surgem como “doadoras” de obras no tríplex e no sítio famosos. Indícios, indícios e mais indícios, alimento suficiente para a Lei dos Grandes Números.

Luiz Marinho acha corriqueiro que alguém, mesmo que “apenas” sócio de Lulinha, vá até o escritório do amigo do peito de Lula (que já emprestou casa para ele), Roberto Teixeira, passar uma escritura de um sítio. Por que não num cartório qualquer? Ou isso não é mais um indício? Acha ainda natural alguém entregar uma chave a Lula e dizer que use o imóvel pelo resto de sua vida como se seu fosse. Como se isso ocorresse no dia a dia das pessoas. Quando não chama ao diálogo coisas semelhantes, e tão condenáveis quanto, como Fernando Henrique mendigando — ou achacando, sabe-se lá — banqueiros para montar o instituto que tem seu nome e alimenta sua vaidade. Como se uma malandragem justificasse outra, dando assim mais um indício de que algo errado, muito errado, ocorre com esses imóveis incríveis, fantásticos, extraordinários, como diria um programa televisivo da extinta rede Manchete nos anos 1990.

Lula destruiu provas abdicando do tríplex, antes de para lá se mudar. Alega que tinha apenas uma quota e não o apartamento que preparava, com a mulher, para ocupar. Escapa jurídica mas não moralmente do apartamento. Mas não tem escapatória para a continuada fruição do sítio. Nem para as fabulosas doações das empreiteiras sujas no petrolão para seu conforto naquela propriedade. Resta-lhe rezar. Mas não sua jaculatória de devoção: “Eu não sabia”. l

Uma resposta para “Há indícios em excesso sobre ligação de Lula com o tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia”

  1. Avatar João Carlos disse:

    Só de uma mente retrógrada e doentia como a desse ex-governador biônico poderia sair essa excrescência de dar inveja a Goebbels. Para esse fascista, se você for constantemente chamado de ladrão, mesmo que injustamente, é porque deve ser ladrão mesmo.

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