Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Globalização e Internacionalismo

A globalização Globalização é um conceito primordialmente econômico, antônimo de Isolacionismo, e significa interação entre nações. O internacionalismo nunca foi algo real, e sempre fez parte da utopia marxista

Globalização e Internacionalismo são dois conceitos diversos de relacionamento entre nações, muitas vezes confundidos, principalmente quando interessa aos adeptos do segundo. O primeiro é um conceito primordialmente econômico, antônimo de Isolacionismo, e significa interação entre nações, primariamente via de seus mercados, e de maneira secundaria, via da informação e da cultura. Os benefícios da globalização estão baseados na Teoria das Vantagens Comparativas, do economista britânico David Ricardo (1772-1823), que pode ser compreendida pelo exemplo que se segue:

O Brasil e Portugal produzem soja, óleo de oliva e vinho. O Brasil produz sua soja com muito mais produtividade e a custos menores que Portugal, que por sua vez sabe produzir o azeite e os vinhos melhores e mais baratos que o Brasil. Se o Brasil se concentrar na produção de soja, vende-la a Portugal, que por sua vez vai se dedicar mais à produção de azeite e vinhos e cedê-los ao Brasil em troca da soja, essa operação vai significar economia em moeda e vantagem em qualidade para os dois países. É uma competição em que os dois ganham. É o que, grosso modo, diz a teoria de Ricardo. 

É evidente que o conceito de globalização inclui o afastamento de barreiras alfandegárias, propiciando a formação de blocos econômicos, como o Mercado Comum Europeu ou o Mercosul. 

Podemos citar como grande benefício da globalização para o Brasil o fato do país ter se tornado o maior exportador de soja do planeta. 

A globalização, na informação, transformou o planeta na Aldeia Global, termo criado pelo filósofo canadense Marshall McLuhan (1911 – 1980), tal a velocidade com que correm as informações hoje, independentemente das distâncias. 

Nem tudo são flores na globalização (o tráfico de drogas também faz uso dela, por exemplo), mas as vantagens são muitas. 

Já o Internacionalismo é um conceito político, em sua essência. Embora hoje, após a queda do Muro de Berlim e colapso do comunismo o Internacionalismo se apresente como um movimento de solidariedade internacional, preocupação ambiental e busca da paz, na verdade sempre foi, desde o Manifesto Comunista de 1848 (“Operários de todo o mundo, uni-vos! Nada tendes a perder, exceto os vossos grilhões!”) um dos pilares do socialismo na sua luta de morte contra o capitalismo. Antítese do nacionalismo, que é a solidariedade interna entre os componentes de um país contra qualquer tipo de ameaça externa, o Internacionalismo é manifestamente utópico. Mesmo os países de governo marxista, e que se proclamam internacionalistas, são na verdade nacionalistas ferrenhos quando surge qualquer ameaça à sua integridade. O exemplo mais recente e ilustrativo diz respeito ao comportamento da China quanto à origem do Corona vírus. Mandava o Internacionalismo que a China, desde o primeiro momento, juntamente com as nações mais desenvolvidas, procurasse desvendar tudo o que dissesse respeito ao vírus surgido em seu território: sua origem, sua evolução, como passou a infectar os humanos e tudo o mais que necessário fosse para que os seus danos se minimizassem. E para que catástrofes similares não mais ocorressem, ou se ocorressem não causassem tantos desastres. Mas não, temerosa dos danos que pudessem tisnar sua imagem, a China se trancou num mutismo hermético e se recusou a qualquer tipo de colaboração, no esclarecer sobre o vírus. Não pode haver uma atitude mais nacionalista!

O internacionalismo nunca foi algo real, e sempre fez parte da utopia marxista. Para o Brasil, nada de bom adveio do internacionalismo praticado por FHC, Lula e Dilma, dentro de sua crença esquerdista. Mostremos que é utopia, desde os primórdios, e que foi nefasto para o Brasil, o tal Internacionalismo, para que o leitor tenha fatos, e não opiniões:

  1. Quando existia a União Soviética, que na verdade não era uma união, mas uma Rússia militarmente poderosa e um grupo de nações satélites, já o Internacionalismo não funcionava. A Rússia despojava as nações satélites de sua produção, reduzindo-as às vezes à fome, em benefício de si própria.
  2. Foi o internacionalismo de Lula o responsável pelo confisco da refinaria da Petrobrás na Bolívia, quando Evo Morales assumiu o governo. Hoje se sabe que o golpe era conhecido previamente por Lula, que nada fez para impedi-lo e nenhuma retaliação adotou, justamente em nome da “solidariedade entre os povos”, apelido do Internacionalismo.
  3. Foi ainda o Internacionalismo que moveu Lula e Dilma a fazer os empréstimos a governos esquerdistas de Venezuela, Equador, Nicarágua, Angola e Moçambique, sem garantias, e que se converteram, previsivelmente, em calotes. E em detrimento de necessidades internas muito prementes.
  4. Foi o internacionalismo que fez com que Lula e Dilma, para tentar evitar o impeachment do “companheiro” presidente Fernando Lugo, no Paraguai, triplicassem o preço da energia comprada daquele país e produzida em Itaipu, contrariando um tratado internacional e trazendo enorme prejuízo para o país. 
  5. Um dos exemplos mais claros de prejuízo internacionalista foi o famoso empréstimo para a construção do Porto de Mariel, em Cuba, no governo Dilma. Embora fosse claro, para qualquer ser pensante, que Cuba jamais pagaria o empréstimo, até por não ter como, ele foi feito. Um bilhão de dólares, dos brasileiros pobres, pois aos ricos não fará falta, foram entregues à ditadura cubana, para que a desmiolada Dilma brincasse de comunismo. Cuba que, previsivelmente, nada pagou ou pagará ao Brasil. Exemplo acabado do Internacionalismo.

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