Irapuan Costa Junior
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Frei Betto ataca evangélicos mas defende ditadura de Cuba

Espécie de Marilena Chauí da Igreja Católica, o “petista” ignora a existência do mensalão, mostra-se favorável a José Dirceu e não critica os malfeitos do PT

Frei Betto, Fidel Castro e Lula: brasileiros sempre contentes ao lado do encanecido ditador de Cuba

Frei Betto, Fidel Castro e Lula: brasileiros sempre contentes ao lado do encanecido ditador de Cuba

No domingo, 9, Carlos Alberto Libânio Chris­­to, mais conhecido como Frei Betto, deu extensa entrevista ao jornalista Ricardo Mendonça, publicada na “Folha de S. Paulo”. Vale a pena examinar nas linhas e entrelinhas o que diz o dito padre. Ele é um dos fundadores do PT (embora o negue), amigo e ex-auxiliar de Lula (chefiou no primeiro governo petista o programa Fome Zero, que não conseguiu implantar e abandonou pelo meio), e amigo da presidente Dilma Rousseff. Ombreia ainda, no movimento marxista infiltrado na religião católica e conhecido como Teologia da Libertação, com Leonardo Boff, ex-padre e expulso da Igreja.

“Frei” Betto se orgulha da amizade que tem com Fidel Castro, a quem sempre visitou e de quem sempre foi, pelas notícias que ele mesmo fornece aos jornais, bastante próximo. Nunca pareceu incomodado pelo fato de Fidel, quando tomou o poder em Cuba, ter fuzilado sumariamente milhares de pessoas e fechado os colégios católicos, expulsando ou aprisionando os religiosos da Ilha. Também não desmentiu as afirmações de elementos do serviço secreto cubano que revelaram recentemente ter enriquecido seus arquivos com dados fornecidos por padres da Teologia da Libertação, dados esses que, pertencendo ao segredo confessional, nunca poderiam ser partilhados com terceiros. Vejamos o que diz o “Frei”.

Logo no início da entrevista, o dito religioso se situa (embora nem fosse necessário) em seu campo ideológico — a esquerda. Critica o PT e asseclas por ter promovido manifestações em dias de semana, quando a manifestação anti-Dilma está marcada para este domingo, 16.

Primeiro cinismo: tentar reduzir a falta de adesão ao movimento petista e o grosso protesto que hoje se vê contra a corrupção a uma questão de calendário. “Pena que a esquerda aprenda com a direita algumas coisas ruins que a direita faz. Deveria aprender as coisas boas — as poucas coisas boas — que a direita faz, como convocar manifestações para domingo, não para os dias de semana…”, diz “Frei” Betto.

Perguntado sobre o cada vez mais intensamente falado impeach­ment de Dilma, “Frei” Betto pontificou: “Eu acho que a democracia brasileira está consolidada, não há motivo para impeachment”.

Para o “companheiro”, pedaladas fiscais, dinheiro sujo em campanha política, quebrar a Petrobrás e tantas coisas mais não são motivos para um impeachment da “companheira”, que deve ser inimputável, tanto quanto Lula.

Inquirido sobre o governo, o “Frei” foi enfático: “O governo, que considero o melhor de nossa história republicana, os dois de Lula e o primeiro de Dilma, teve grandes méritos, como a inclusão econômica…”. É uma repetição, com outras palavras, da falácia de Lula: “Nunca antes, na história deste país…”. Mensalão, Petrolão, BNDES e outras coisas parecidas parecem não povoar a mente do “Frei”.

O entrevistado fala na possibilidade de uma renúncia de Dilma Rousseff, dada a baixa aceitação popular, que credita ao fato do PT ter trocado um projeto de governo por um projeto de poder (no que, em parte, tem razão), e o entrevistador, que mostra seu compromisso com os fatos, faz perguntas que por vezes deixam o “Frei” embaraçado. Como quando indaga se ele, com sua conhecida amizade com Lula, não sofreu nenhuma hostilidade em público, e ele se vê obrigado a confessar que aconteceu em duas ocasiões, no Rio e em Belo Horizonte, num lançamento de livro de sua autoria.

Mais confuso fica ainda quando perguntado se, tendo abandonado sua linha programática, o PT não teria cometido uma traição. “Não, traição não. Desvio de rota”, amenizou. Então, no seu entender, o que configuraria uma traição? — insistiu Ricardo Mendonça. “Frei” Betto, parecendo irritado, redarguiu: “ Traição seria… se o PT tivesse chamado o FMI para administrar o Brasil. Sei lá. Se tivesse priorizado as relações com os Estados Unidos, se não tivesse feito a Comissão da Verdade…”. Chamar o FMI para nos administrar é uma impossibilidade e é uma tolice dizer isso. Priorizar as relações com os Estados Unidos parece-me mais proveitoso do que com Cuba e com os bolivarianos vizinhos, que só levaram nosso suado dinheirinho e nada, absolutamente nada nos legaram de bom, quer no campo econômico, quer no político.

Quanto à Comissão da Verdade, fora servir de palco para meia dúzia de saudosos stalinistas se exibirem, o que trouxe ela para o povo brasileiro? Ricardo Mendonça continua a conversa procurando extrair algumas opiniões de seu entrevistado sobre o governo, e sobre seus encontros com os amigos Lula e Dilma. Entre algumas críticas (alguns companheiros antes pobretões hoje estão ricos, descolados das bases petistas), elogios (a política externa petista é nota dez) e escorregões (Lula fala que a culpa da rejeição não é dele, é do partido, é da Dilma), segue o diálogo.

O entrevistador é arguto, e aproveita a deixa: Pergunta, uma vez que o “Frei” falou em companheiros que enriqueceram: “E o José Dirceu?” E vem um ato falho do petista, que defende incontinenti o mensaleiro-mor: “Eu acho um abuso você prender um preso. O cara tava preso, mandaram prender novamente. Não precisava. Aquela coisa: transfere, Polícia Federal, televisão. Eu acho isso um abuso de autoridade”.

Logo cai em si e percebe que criticar o juiz Moro e a operação Lava Jato é o que há de mais impopular no momento. E dá uma guinada de 180 graus: “Embora eu ache a Lava-Jato extremamente positiva”. Mas logo em seguida lança desconfiança sobre a mesma operação, sobre o Ministério Público e sobre a Polícia Federal: “Por que vazam todos os conteúdos do PT e vazam exclusivamente para a revista ‘Veja’?”. O “Frei” desmerece os jornais “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo”, “O Globo” e a revista “Época”.

Ricardo Mendonça insiste sobre o amigo e companheiro do “Frei”, José Dirceu, afinal condenado no mensalão, e agora descoberto embolsando dinheiro do petrolão, mas o entrevistado sai mais uma vez pela tangente, sempre repetindo seu outro amigo, o Lula: “Eu nunca me pronunciei, você não vai encontrar uma palavra minha nas entrevistas, nos artigos, dizendo se houve ou não o mensalão. Estou esperando o PT se pronunciar. Se houve ou se não houve”.

Em outras palavras, se o PT disser, como aliás já tem dito, que o mensalão foi uma farsa, de nada valem, para “Frei” Betto, as robustas provas existentes no processo, que mandaram para a cadeia banqueiros, publicitários e políticos graúdos. O mensalão não existiu e pronto.
Na sequência da entrevista, vem uma defesa dos chamados “movimentos sociais”, como os petistas chamam seus turbulentos agentes de baderna, tipo MST: “O Lula fez. [O governo Dilma] deveria ter sido mais democrático. Os movimentos sociais deveriam ter mais espaço”.

Se como estão as coisas esses movimentos invadem, depredam, espancam, destroem máquinas, instalações, plantações e centros de pesquisa, por vezes até assassinam, fica difícil imaginar o que aconteceria se lhes fosse dada ainda mais liberdade para a delinquência.
Perguntado sobre as igrejas evangélicas e seu avanço, sobre a bancada de deputados ligados a essas igrejas, “Frei” Betto mostra ira: “Está sendo chocado o ovo da serpente. Uma das conquistas da modernidade, importantíssima, é a laicização do Estado e dos partidos. Esta bancada está querendo confessionalizar a política… Eu temo que o projeto deles seja esse, confessionalização da política, uma forma de fundamentalismo tupiniquim, altamente perigoso”.

Em suma, leitor, “frei” Betto vê nas igrejas evangélicas, cujo conservadorismo detesta, uma versão brasileira do fundamentalismo islâmico mais radical, disposto a vestir burcas em nossas mulheres e impor pena de morte por apedrejamento. Mas defende o regime de Cuba, que está mil vezes mais próximo desse comportamento radical. Não levantou a voz quando explodiu o mensalão (que nega até hoje) e nem fala no petrolão, como nada disse quando o PCdoB se afundou na corrupção por intermédio de ONGs que se alimentavam de verbas do Ministério dos Esportes, entregue ao partido. Assim são os petistas dessa classe, mesmo quando se apresentam como religiosos. Mas não nos escandalizemos. “Frei” Betto já havia afirmado uma vez que o novo homem ideal seria o filho de Santa Terezinha e de Che Guevara, isto é, de uma santa e do diabo. Uma figura de retórica que retrata uma mente dividida entre seu passado de religioso e seu presente de marxista.

3 respostas para “Frei Betto ataca evangélicos mas defende ditadura de Cuba”

  1. Camille Adorno disse:

    Hannah Arendt afirma – com razão – que a ideologia é o que faz as pessoas negarem os fatos, ou mesmo dizerem que não há fatos quando estes contradizem suas teses. É o que ocorre com o ex-frade.

  2. Nube Gonzo disse:

    Tadinho do “Frei” Betto, doidinho, doidinho. Não dá pra levá-lo a sério.

  3. Manuela Gama disse:

    Só para esclarecimento meu: quem inventou o MENSALÃO? Já existia antes de Lula ou não?

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