Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Falta ao Brasil um George Orwell para denunciar manipulação política promovida pelas esquerdas

A Operação Lava Jato impediu a cubanização e a venezuelização do Brasil. Por isso, Luis Fernando Verissimo, Janio de Freitas e Mauro Santayanna atacam o juiz Sergio Moro e o Ministério Público

Luis Fernando Verissimo, Janio de Freitas e Mauro Santayanna: os três mosqueteiros do apocalipse do sistema corrupto criado pelo Partido dos Trabalhadores. O trio que defende o PT não consegue esconder a desfaçatez | Fotos: Sylvio Sirangel / Divulgação / Agência PT

Luis Fernando Verissimo, Janio de Freitas e Mauro Santayanna: os três mosqueteiros do apocalipse do sistema corrupto criado pelo Partido dos Trabalhadores. O trio que defende o PT não consegue esconder a desfaçatez | Fotos: Sylvio Sirangel / Divulgação / Agência PT

Filiados, financiados, militantes e simpatizantes do PT (e também do PC do B e do PSOL, que dá no mesmo) têm uma curiosa interpretação dos fatos: quando estes são adversos à sua crença, são abomináveis. Se pertencem à sua “práxis”, são edificantes e dignos de elogio. Mesmo que se trate de acontecimentos idênticos em forma e conteúdo. Exemplos: para as senadoras Vanessa Graziotin e Fátima Bezerra, a invasão praticada pela Polícia Federal no apartamento funcional da colega Gleisi Hofmann é um absurdo. Nem as claras evidências de crime que a provocaram e nem o respaldo da lei a justificam.

A própria senadora Gleisi Hoffmann, da tribuna, condenou o esperdício de dinheiro público no uso de helicópteros para a prisão de seu marido. O desvio nos empréstimos consignados aos desvalidos aposentados, de que o ex-ministro é acusado, foi esquecido em sua fala. Já a invasão de propriedades rurais, prédios públicos e institutos de pesquisa pelos “companheiros” do MST são práticas úteis e recomendáveis, mesmo que tragam ao erário os mais graves prejuízos e afrontem o sistema legal instituído.

Para a deputada Maria do Rosário e acólitos, uma incontinência verbal do colega Jair Bolsonaro num momento de acalorada discussão deve ocasionar perda de mandato, por “incentivo ao estupro”. Já o monstro Champinha, que juntamente com outros bandidos no Rio de Janeiro estuprou durante dias uma adolescente e a matou com requintes de crueldade ao final, no Rio de Janeiro, é apenas “uma criança” inimputável, embora homem feito, poucos dias faltando para completar seus dezoito anos, e como integrante das “classes espoliadas”, é vítima, e não monstro.

O movimento Filiados, Finan­ciados, Militantes e Simpatizantes das Esquerdas (FFMSE) absolve das piores culpas (ou as ignora) seus simpatizados, e acusa de intolerantes, autoritários, exagerados seus acusadores, mesmo que agentes da lei e estritamente seus cumpridores. Seus representantes — pode-se dizer assim — na imprensa, mesmo que renomados articulistas, incorrem frequentemente nesse maniqueísmo.

Um de seus demônios é sempre o juiz Sergio Moro. Janio de Freitas, da “Folha de S. Paulo”, Luis Fernando Verissimo, de “O Globo”, e Mauro Santayana, do “Jornal do Brasil”, são exemplos.
Janio de Freitas escreveu, na edição de 26 de junho, que o juiz Paulo Bueno Azevedo, que determinou a batida no apartamento de Gleisi Hoffmann e a prisão de seu marido Paulo Bernardo, era “sem competência” para a determinação, e “orientado” pela advogada “coreográfica” Janaína Paschoal. Sobre o roubo aos aposentados, nos empréstimos consignados, e a culpa do acusado preso, silêncio.

No dia 23 do mesmo mês, Janio de Freitas postulou que a Operação Lava Jato (vale dizer, o juiz Sergio Moro e seus colegas de trabalho) “carecia de critérios de justiça e ética” e que suas decisões (isto é, do juiz Sergio Moro) são “arbitrárias e prepotentes”.

Janio de Freitas comporta-se como um desmemoriado: não fala na gravidade dos crimes cometidos pelos que estão na mira da Lava Jato, autores dos maiores assaltos já cometidos por um grupo político aos recursos públicos, talvez no mundo todo.

No dia 19 de maio, Janio não escondeu a ojeriza pelo presidente Michel Temer, que considerava usurpador, e citava um aforismo do americano Gore Vidal sobre vice-presidentes, carregado de depreciação: “Pode-se dizer que (vice-presidente) tem todas as características de um cachorro, menos a lealdade”.

O juiz Sergio Moro, cuja ação pôs a descoberto o gigantesco método de assalto ao Tesouro, é objeto de ódio do FFMSE. É impossível, em crônica de Luis Fernando Verissimo escrita em 26 de maio, ignorar a alusão feita ao juiz, de fundo humorístico, mas crítico, depreciativo, desrespeitoso. A crônica tem o título de “Mouro”, nome e fotografia de um cão da raça Rottweiler, com esse nome, que se por um lado persegue os errados, por outro ostenta a ferocidade animal. Luis Fernando Verissimo é mais sutil que Janio de Freitas, mas igualmente desrespeitoso. “Ele é que está mandando em nossa casa?” — pergunta na crônica a dona da casa ao marido, referindo-se ao cão Mouro.

No dia 14 de abril, Luis Fernando Verissimo (sempre via um personagem fictício) escreve, numa referência ao momento histórico presente, e enaltecendo a presidente afastada: “Um governo para os pobres, mais que um incômodo político para o conservadorismo dominante, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real’’. Quais pobres, Luis Fernando Verissimo? Os que empregaram seu FGTS em ações da Petrobrás afundada pela roubalheira companheira? Os futuros aposentados dos Correios cujo fundo de pensão foi roubado pelos que “governam para os pobres”? Ou os idosos que tomaram empréstimos consignados administrados pela Consist, que os roubava em benefício dos líderes desse mesmo “governo para os pobres”? Ou seriam os 12 milhões de desempregados?

Luis Fernando Verissimo não foge à regra da companheirada também no ódio ao deputado Eduardo Cunha (PMDB). Não pelos seus pecados, que existem, porém muitos e mais graves os petistas cometeram. O caso de Eduardo Cunha é mais sério que roubar dinheiro público, para Luis Fernando Verissimo: dar sequência ao pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Isso, sim, é imperdoável. Diz ele lá pelas tantas em crônica de 17 de abril: “Não tenho dúvidas de que muitos votarão com convicção pelo impeachment e não se envergonharão do que fizeram. Mas muitos não escaparão de ver ao seu lado no espelho, sorridente, a figura de Eduardo Cunha”.

No dia 10 de março, após a condução de Lula da Silva para depoimento no Galeão, escreveu Luis Fernando Verissimo: “A condução coercitiva determinada pelo Moro (sic) foi, mais que um circo desnecessário, uma ilegalidade”. Mas não é ilegalidade apossar-se de sítio e apartamento obtidos via dinheiro subtraído à Petrobrás? Quanto a isso nunca li uma linha escrita por Luis Fernando Verissimo, que não herdou entre outras coisas o talento do pai, Erico Verissimo.
Além do revoltado Janio de Freitas, do irônico Luis Fernando Verissimo, aparece também o raivoso Mauro Santayana, no desculpar os pecados do petismo, no esconder o desastre a nós imposto (sem trocadilho) e no culpar a justiça pelos artigos infringidos no código penal pelos petistas. No dia 14 de junho, em artigo com fotografia do juiz Sergio Moro, vem a diatribe desse terceiro mosqueteiro às avessas: “A direita trabalha agora no sentido de alcançar a aprovação e a conclusão do pedido de impeachment da presidente da República. A frente formada com esse intuito é ampla, reúne a mídia parcial e conservadora, a parte mais corrupta e fisiológica do Congresso, setores do Ministério Público, do STF, da Polícia Federal e do Judiciário contra o PT e a esquerda nacionalista”.

Na consciência de Mauro Santayana, formou-se uma confederação de errados (do Ministério Público ao Supremo, passando pelos poderes Executivo e Legislativo), para atacar os únicos certos, corretos, honestos e esclarecidos neste Brasil: PT e esquerdas a ele atrelados.

Magnífico atestado de honestidade para o partido que tem três tesoureiros presos. No mesmo artigo, mais adiante, afirma Santayana, afinadíssimo com petistas e assemelhados no roubo dos recursos que faltam na saúde e na educação: “O processo de impeachment é um golpe jurídico e midiático, mas ele representa apenas mais um passo, mais uma etapa, para a deflagração de um golpe maior contra a nação, que levará à derrocada da democracia no Brasil, à aprovação de leis que lembram os nazistas…”.

Mauro Santayana acha que afastar petistas e atalhar o monumental desvio de recursos num Brasil em grave crise econômica é caminhar para uma Alemanha nazista, hoje morta e sepultada. Nós vemos e comprovamos que seguir a camarilha que nos governava era rumar para uma Venezuela, bem viva aqui na vizinhança, expondo suas misérias.

No dia 24 de maio, artigo de Mauro Santayana era peremptório. Começava assim: “Estratégica, filosófica e taticamente, o campo da esquerda tem que ficar sempre — nem que seja apenas pelo silêncio ou por meio do cuidadoso estabelecimento de seu discurso e intervenções — até por uma questão de princípios, contra a Operação Lava Jato”. Claro, muito claro, o velho jornalista. Quem é de esquerda, e da “esquerda revolucionária”, tem que combater a Operação do juiz Sergio Moro. Fazer o contrário seria suicídio. Ou não foi essa Operação que desnudou o gigantesco esquema de apossamento de recursos públicos para manutenção do poder por parte de um conjunto de partidos marxistas no Brasil e seu atrelamento a um plano continental de “socialização regional” patrocinada pelo Foro de São Paulo? Não foi ela, afinal, quem não permitiu que chegássemos a ser uma Cuba ou Venezuela.

Falta ao Brasil um George Orwell para denunciar a manipulação política — seu quase duplipensar — promovida pelas esquerdas. l

Uma resposta para “Falta ao Brasil um George Orwell para denunciar manipulação política promovida pelas esquerdas”

  1. Avatar Antônio Bandeira disse:

    Desculpe, amigo, mas a manipulação política no Brasil, é feita pela direita, que detêm e controla os maiores veículos de comunicação, começando pela Globo..

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.