Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

A diferença crucial entre Lula da Silva e Ernesto Geisel

Lula da Silva e Ernesto Geisel: o primeiro tem medo de depor e precisa ser levado à força; o segundo, quando intimado, compareceu ao foro e depôs sobre Paulo Maluf e ex-auxiliares e respondeu a todas as perguntas

Lula da Silva e Ernesto Geisel: o primeiro tem medo de depor e precisa ser levado à força; o segundo, quando intimado, compareceu ao foro e depôs sobre Paulo Maluf e ex-auxiliares e respondeu a todas as perguntas

“Nunca antes na história desse país” um ex-presidente da República demonstrou tanto pavor diante da singela perspectiva de um depoimento perante um delegado ou juiz. Nem tanta vontade de impedir investigações da Polícia Federal. De fato, Lula da Silva, mesmo se intitulando a “viva alma mais honesta que existe”, amaldiçoa um procurador que cumpre seu dever de pedir explicações sobre seus imóveis (ou imóveis não-seus, mas como se fossem), enrolados com dinheiro de origem duvidosa. Foge, desesperadamente, de algo natural: uma oitiva com um juiz, coisa que só mete medo em desonesto.

Lula chegou a derrubar um ministro da Justiça, porque ele não “controla” a Polícia Federal, vale dizer, não impede que ela investigue as falcatruas que dele vão se aproximando. Lula acabou depondo coercitivamente, coisa ainda não acontecida “na história deste país”. Algo humilhante para quem tem vergonha na cara. Infelizmente, pelas declarações cínicas que o ex-presidente deu, após ser ouvido pela polícia, não parece ser o caso.

Vai aqui um fato esquecido, ou pouco sabido, a título de lição para a “alma honesta”: No governo Geisel estourou em São Paulo um escândalo financeiro, o caso Lutfalla. Tratava-se de empréstimo do BNDES (então BNDE) para uma tecelagem do sogro de Paulo Maluf, chamado Fuad Lutfalla. A tecelagem, devedora do Banco, iria à falência em 1977, com um grande prejuízo, jamais coberto. Um advogado do BNDE, licenciado para disputa de cadeira de deputado na Assembleia paulista, Walter do Amaral, fez em 1975 denúncia pública de tráfico de influência por parte de Maluf na obtenção dos empréstimos e incúria do ministro do Planejamento, João Paulo dos Reis Veloso, na prorrogação dos mesmos. Exibiu documentos internos do banco, que mostravam seu presidente, Marcos Vianna, se posicionando contra renegociações e novos empréstimos a Lutfalla, tecnicamente insolvente, e Reis Veloso ordenando sequência nas negociações e rolagens, sob a alegação de evitar desemprego de mais de um milhar de operários.

Walter do Amaral, que mais tarde foi juiz e desembargador federal (hoje aposentado), acabou demitido do BNDE e processado por Maluf. O caso explodiu na imprensa e no Congresso, onde o senador Paulo Brossard, que era um grande orador, fez em maio de 1977 um discurso que foi muito divulgado. Nele, deu minúcias de todo o acontecido, e condenou o mau uso do dinheiro público.

A ação de Maluf contra Walter do Amaral, enquanto isso, prosseguía, e o advogado, sentindo-se ameaçado, teve a ideia, já agora em 1983, de indicar o ex-presidente Ernesto Geisel como sua testemunha. Seu raciocínio era simplório. Pretendia apenas prolongar indefinidamente a ação, evitando que a influência de Maluf, tido como homem forte do regime militar, pudesse influir em sua condenação. Nunca um ex-presidente militar iria se sentar perante um juiz, pensava Amaral, até porque o regime ainda continuava, com João Figueiredo na Presidência. Com isso, a ação ficaria para sempre paralisada. Enganava-se, e muito.

Ao contrário do que hoje faz Lula, Geisel colocou-se inteiramente à disposição da Justiça. Intimado, compareceu ao foro de Teresópolis e prestou seu depoimento perante o juiz. Respondeu, com a serenidade de quem não deve, logo não se apavora, a todas as perguntas.

Não ficaram dúvidas. Não, os empréstimos a Lutfalla não foram concedidos pelo BNDE no seu governo, vinham de anos antes, disse Geisel. Sim, foram feitas renegociações por ordem de Reis Veloso e Mário Simonsen, seus ministros do Planejamento e da Fazenda, respectivamente, e contra parecer de Marcos Vianna, presidente do Banco. Houve, sim, interferência de Maluf, que só cessou quando foi exigido — e negado — que avalizasse o sogro, e desse seus bens em garantia para continuidade dos empréstimos. Que, por isso mesmo, pela interferência desonesta de Maluf, que não assumia sua corresponsabilidade, o BNDE foi orientado a intervir na empresa e liquidá-la. Geisel ateve-se à verdade. Não protegeu ninguém, não ocultou fatos, mesmo que pudessem atingir seus ex-auxiliares, como o ministro Reis Veloso e seu secretário-geral do ministério, Élcio Costa Couto, ou o ministro Mário Henri­que Simonsen. Assumiu todas as suas responsabilidades. Relatou, na íntegra, a ação de Paulo Maluf e de quem mais se envolveu nos fatos. Saiu com a cabeça erguida e o respeito do juiz.

Se assumir o lugar de Dilma, o que Temer fará com Renan Calheiros?

Desculpe-me o leitor pelo realismo nada fantástico. Um impeachment ou renúncia da presidente Dilma Rousseff, no deserto de lideranças que se tornou o Brasil, vai nos levar a uma incógnita. Se o vice-presidente Michel Temer assumir, melhora, não há dúvida. Qualquer coisa é melhor que o PT no governo.

O partido (ou a gangue que atende pelo nome do partido) conseguiu juntar num só programa os maiores atrasos ideológicos, a maior incompetência administrativa e o mais deslavado assalto aos dinheiros públicos. Uma combinação inglória, que resulta no desastre econômico, com queda do PIB, desemprego e inflação, no desaparecimento dos serviços públicos, com educação, saúde e segurança aos pedaços, e na degradação social, com a pregação da amoralidade e de turbulenta luta de classes.

Temer, que fez parte do governo, embora sempre um tanto marginalizado, terá forças para um saneamento? O que fará, por exemplo, com Renan Calheiros, que já se apresta a abandonar o barco de Dilma? Conseguirá devassar e limpar o BNDES? Caso o im­pe­achment alcance a chapa, e Te­mer também seja impedido, o que nos reserva uma nova eleição? Com essa oposição murcha e in­competente não há muito que se esperar.

A diáfana Marina Silva, no fundo, é apenas um Fernando Collor manso, sem programa e sem apoio político.

Aécio Neves, na eleição presi­den­cial passada, revelou ao país algo que conseguiu manter escondido até lá: foi mau governador, ou não teria vergonhosamente perdido em seu próprio Estado. Como ser bom governador, aliás, preferindo a doce boemia carioca aos pesados encargos de governar as Minas Gerais?

José Serra, não nos iludamos, é apenas uma Dilma que consegue completar raciocínios. Tão atrasado ideologicamente quanto ela, não nos afastaria do bolivarianismo e nem coibiria a selvageria do MST. Tão áspero quanto ela, não tem como reunir e liderar uma equipe de pessoas dignas e competentes, como o Brasil está a pedir.

O melhor do PSDB ainda é Geraldo Alckmin, mas teria que se livrar do grande peso do seu partido, uma bola de ferro que arrastaria na Presidência. Estaria sob a influência de Fernando Henrique. Digo sempre que PT e PSDB são farinha do mesmo saco. Ideo­logicamente, não diferem muito.

Por sorte ou astúcia, Fernando Henrique conseguiu passar incólume pelas indagações sobre os custos de sua reeleição e mistérios de suas privatizações. Por sorte ou oportunismo, assumiu a autoria do Plano Real, em que não acreditava, e que lhe foi imposto, quase à força, por Itamar Franco e se transformou no seu grande trunfo, a ponto de ocultar o mérito de Itamar (que morreu sentido com isso).

Fernando Henrique sempre poupou Lula e Dilma, e o fez por afinidade ideológica, não por qualquer afinidade pessoal, que esta não existe. Foi sempre alvejado por ambos, merecida ou imerecidamente; e sua esposa, essa com toda certeza imerecidamente, foi alvo, como se viu, de um dossiê saído do gabinete civil de Lula, chefiado por Dilma, de uma sordidez sem limites.

Fernando Henrique abortou o impeachment de Lula no mensalão; elogia Dilma nos momentos mais críticos de seu sofrível governo. Dizia meses atrás: “Lula é um líder popular. Não devemos quebrar esse símbolo”, convenientemente esquecido de toda a roubalheira. E para não buscarmos fatos distantes, na ida de Lula, coercitivamente, a depoimento na Polícia Federal, uma das poucas vozes de protesto foi a de Fernando Henrique, não pessoalmente, que seria demasiada desfaçatez, depois do que fez o PT com ele no caso da amante Miriam Dutra, dias atrás. Mas através de seu fantoche, seu ex-ministro da Justiça José Gregori, que criticou publicamente a ação do juiz Sérgio Moro e a classificou de exagerada. Quem conhece José Gregori, sabe que ele deve sua biografia à condescendência de Fernando Henri­que para com amizade que unia as suas respectivas famílias, e não aos seus discutíveis méritos. A probabilidade de Gregori fazer esta declaração sem a aquiescência (ou sem ser a mando) de FHC beira a probabilidade de ganhar um prêmio de loteria.

MST e CUT querem matar a democracia

Os fascistas italianos tinham os “camisas negras”; os nazistas os “camisas pardas”, ou SA; a esquerda revolucionária brasileira tem os “camisas vermelhas” do MST, da CUT e da UNE. Estes últimos, que invadiram e depredaram as instalações do Grupo Jaime Câmara, são idênticos aos outros, no método, que é a violência, e no objetivo, que é matar a democracia. Prove o contrário, quem puder.

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Moi

Pobres viralatas! Doidos para voltarem a lamber os sapatos do grande manitu em Washington.

ALMANAKUT BRASIL

Se tivesse um Lula no poder, na época do Geisel, hoje o Brasil seria um Haiti gigante!

Welbi Maia Brito

Geraldo Alckmin, sem dúvida, é um dos políticos mais experientes e de maior destaque do país. Dirige o principal Estado da nação pela quarta vez. Foi reeleito no primeiro turno com uma votação muito expressiva. Perdeu em apenas um município dos 645. Foi também vereador, prefeito, Deputado Estadual e Federal. Sua trajetória o credencia a disputar qualquer cargo. Se Alckmin for candidato em 2018 terá meu apoio e meu voto.

Alcides

Pŕa quem bebe agua de esgoto do Tiete. Urubu é frango