Cubanos, vivendo no purgatório, têm mesmo de comemorar o centenário de Fidel Castro?
22 agosto 2026 às 21h00

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O governo cubano (melhor dizendo, a ditadura de Cuba) festejou (!) no dia 13 deste mês de agosto, o centenário de Fidel Castro. Parece piada, mas não é.
A crença popular afirma que não existe dia mais aziago, mais infausto, mais agourento do que uma sexta-feira 13 de agosto. Pois foi numa dessas datas, que só ocorrem com muitos anos de intervalo, mais precisamente na sexta-feira 13 de agosto de 1926, que nasceu o ditador cubano Fidel Castro. É inegável que foi um dia azarado para toda a população atual (e para a geração anterior) de cubanos.
São 67 anos de purgatório ou de inferno? E por que tantos cubanos moram do país? Há dezenas de cubanos morando e trabalhando em Goiânia, em supermercados e restaurantes.
Nem mesmo nos países mais pobres do Continente Africano a sociedade vive (o termo próprio seria sobrevive) com tantas dificuldades quanto o povo cubano, mesmo na capital, a outrora vibrante Havana.

Embora isso seja inconcebível nos dias de hoje, há fome em Havana. Não há energia elétrica no que foi a mais moderna entre as capitais latino-americanas nos anos 1950. O transporte público cubano oscila entre duas opções infelizes: ou é caótico ou inexiste.
As invenções modernas, que dão mais conforto à vida, como a internet, ou não existem ou são inaccessíveis para o cidadão comum. Até os bens impalpáveis, como a liberdade, desapareceram da ilha atingida pela maldição do calendário.
Uma das falas mais infelizes do presidente Lula da Silva em toda sua existência foi aquela de que a única nação a dar dignidade a seu povo, na América Latina, foi Cuba. Os cubanos não pensam assim. Tanto que, quando podem, escapam da ilha
Uma indagação que muitas vezes me faço, e que estou certo, muitos fazem, é a seguinte: como é possível que a ambição, a ganância, a falta de comiseração de um homem apenas podem se combinar com as circunstâncias e dar a este homem o poder de infelicitar milhões de seus semelhantes? O que fazer para que isso nunca mais aconteça?
Os totalitarismos nazista e soviético estarreceram o mundo justamente pela crueldade com que operavam e pela infelicidade que criavam.
As imagens das crianças mortas nos campos de concentração nazistas por serem judias ou dos garotos fuzilados na URSS por roubarem algumas espigas de milho para afugentar a fome, ficaram indissoluvelmente ligadas às imagens ditatoriais de Hitler e Stálin. O extermínio promovido por Pol Pot no Camboja (um quarto da população cambojana) também marcou a indignação mundial.

Mas as ditaduras continuam a acontecer.
A ditadura cubana já dura mais de seis décadas, e tem admiradores, a despeito dos fuzilamentos iniciais, da perseguição permanente aos dissidentes, do êxodo contínuo de cubanos buscando, com risco de vida, escapar do regime. E da miséria explícita, que transformou a outrora abundante Cuba numa ilha de mendigos.
Uma das falas mais infelizes do presidente Lula da Silva em toda sua existência foi aquela de que a única nação a dar dignidade a seu povo, na América Latina, foi Cuba.
Não há como não ver, nessa fala esdrúxula, a vontade de se fazer no Brasil o que se faz na ilha. Inspiração de José Dirceu? Não sabemos, como não sabemos também o que levou Dilma Rousseff a enviar bilhões de reais do trabalhador brasileiro para a ditadura cubana, no porto de Mariel e no Mais Médicos.
A ditadura venezuelana projetou seus fracassos entre nós. Não há capital brasileira onde não existam refugiados venezuelanos mendigando nos sinais, trabalhando em subempregos ou recolhidos abrigos beneficentes.
Agora mesmo, na Nicarágua, o arremedo de casal ditador escancarou ao mundo sua ignorância e sua desapiedada crença social: na Nicarágua quem manda não é o povo, é o ditador. Eleições? Para que? E com o respaldo brasileiro na OEA.

Uma das facetas mais cruéis dessas ditaduras – e comum a todas elas, sem exceção – é o fausto, o luxo em que vivem os ditadores e seus asseclas, enquanto o povo sob sua guante vive as condições mais duras, mais miseráveis, físicas e morais.
Enquanto ucranianos e outros soviéticos morriam de fome, Stálin e seus aliados mais próximos viviam no luxo de suas dachas.
Fidel Castro dispunha de numerosas residências em Havana ou nas praias próximas e só se deslocava em suas Mercedes-Benz blindadas especiais. Seu iate, o Tuxpan, era o mais luxuoso de todo o Caribe.
Enquanto isso, o povo cubano tinha cadernetas de racionamento para comprar comida em quantidades limitadas, o que, fora dos regimes comunistas, só ocorreu em tempos negros de guerra.
Quando estive na Nicarágua, na primeira ditadura de Daniel Ortega, nos anos 1990, sua mulher, Rosário Murillo, a despeito de desancar os capitalistas americanos, fazia suas viagens a Miami para compras, muitas compras.
Em 2010, um repórter, intrigado com um avião Boeing, do governo ditatorial de Angola, estacionado por vários dias no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, resolveu investigar.
Suspeitava que o ditador angolano, José Eduardo Santos, pudesse estar incógnito no Brasil, quem sabe por algum problema de saúde.
Mas não, tratava-se da primeira-dama Ana Paula, que tinha vindo às compras nas elegantes boutiques cariocas, acompanhada de filhos e amigas. Hospedados em elegante hotel na orla, disfrutavam alegremente a viagem, sem preocupação com despesas; distribuíam gorjetas de quinhentos a mil reais. É fácil fazer mesuras com dinheiro público. E os “progressistas” adoram.


