Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Covid, Bolsonaro e o Brasil socialista que é minoritário mas influente

A intelligentsia de esquerda distorce fatos sobre a Covid-19 para prejudicar o governo do presidente Jair Bolsonaro. O que parece jornalismo factual é pura política

Os agentes da corrupção de que trata esse livro não são políticos ou empresários, mas intelectuais. São, ao mesmo tempo, os corruptos, os corruptores e, paradoxalmente, as primeiras vítimas… ao contrário da outra, essa corrupção não diz respeito a algo que os atores fazem, mas a algo que eles vieram a se tornar e não conseguem deixar de ser. Trata-se de uma corrupção que envolve o intelecto e a personalidade — uma corrupção da inteligência”. Do livro “Corrupção da Inteligência — Intelectuais e Poder no Brasil”, de Flávio Gordon

Karl Marx, Vladimir Lênin e Antônio Gramsci: os três mosqueteiros que fazem a cabeça da esquerda global | Fotos: Reproduções

O projeto de engenharia social marxista-leninista subsiste baseado em dois fatores: 1) O desejo ético da igualdade, moralmente atraente, ainda que utópico; 2) A presença do Estado como ente protetor do indivíduo, do nascimento até o falecimento, provedor de ocupação, agasalho, alimentação, saúde, cultura, lazer e tudo mais. Hedonisticamente ainda mais atraente, mas ainda mais utópico.

“Com o suor de teu rosto, comerás o teu pão…” — diz a Bíblia. Como a esperança é a última que morre, marxistas ainda aguardam uma experiência bem-sucedida, apesar das dezenas desastradas e do sofrimento e da morte de milhões (100 milhões só na União Soviética e na China), vítimas dos que julgam errada a sociedade e não os projetos que se lhe querem impor à força.

A crise final do capitalismo, concepção do alemão Marx, não veio; a tomada do poder pelas armas, concepção do russo Lênin, mostrou-se inviável; restou a concepção do italiano Antonio Gramsci, de modificar lentamente a mentalidade das sociedades, mudando-lhe as crenças e as reformando moral e intelectualmente, via da “conscientização” promovida pelos “intelectuais orgânicos” infiltrados no Estado, na imprensa, na igreja, no meio acadêmico e no meio artístico, até que o novo “senso comum” marxista seja “hegemônico”, e se implante a “ditadura do proletariado”.

Nikita Kruchev: o papa da desinformação | Foto: Reprodução

A concepção gramsciana recebeu, não de um dos intelectuais da crença, mas de um prático, realista, que foi Krushev, um grande reforço, o da desinformação. Evidentemente, quem trabalha a informação tem mais ocasiões de trabalhar a desinformação. É o caso dos comunicadores, como os jornalistas, os professores, os artistas. Os “intelectuais clássicos”, enfim. Mas todo e qualquer simpatizante, todo e qualquer “intelectual orgânico” pode ser um agente de desinformação, e contribuir para a formação de um “consenso” esquerdista na sociedade. A desinformação, com o tempo, tornou-se parte da cultura de esquerda, e da essência mesma dos esquerdistas.

Os pouco mais de 20 anos dos governos FHC, Lula da Silva e Dilma Rousseff criaram um establishment marxista no país. Corromperam a inteligência de boa parte da intelectualidade tupiniquim. Mas não bastaram para tornar hegemônico o pensamento dessa gente, e conquistar o poder. Na sociedade brasileira apenas puderam “conscientizar” alguns bolsões menos esclarecidos, que estão longe de entender o alcance de um verdadeiro regime de esquerda. E encontram uma barreira na classe média brasileira, trabalhadora, conservadora, religiosa e familiar por natureza.

Assim foi eleito o atual presidente, a despeito de todos os esforços em sentido contrário do establishment esquerdista. Mesmo derrotado, ele não se conformou. E busca por todos os meios uma derrubada do presidente Jair Bolsonaro, incapaz de aguardar, como devia, as eleições que virão no ano próximo. A pandemia lhe tem servido de auxiliar precioso. Imprensa, extrema esquerda do Congresso, maioria do Supremo Tribunal, acadêmicos e artistas se unem para barrar a ação de governar de Bolsonaro. E a desinformação tem sido uma útil ferramenta para essa elite. Ela pode assumir várias formas: a mentira, a meia verdade, a verdade fora do contexto, o duplo tratamento do fato, a omissão etc. Nenhuma imprensa no mundo, mesmo nos países mais atingidos pela pandemia, é tão alarmista, tão fúnebre, pessimista e negativista como a nossa.

Vejamos alguns exemplos, nos atendo, em respeito ao leitor, aos fatos.

1
Desinformação por mentira

Jamil Chade, repórter do UOL: distorcendo os fatos | Foto: Reprodução

Na semana passada, notícia na televisão, do site UOL, informava que, pelos dados da Universidade de Oxford, o Brasil estava em 40º lugar em vacinação, em porcentagem da população imunizada. Achando estranho, buscamos na página Opera-Mundi (do próprio UOL), a classificação do Brasil, pela mesma Universidade de Oxford. Era o 19º.

Na quarta-feira, 17, o colunista de esquerda Jamil Chade, UOL, publicava coluna com o título: “Brasil tem 20% das mortes no mundo e escolha na Saúde gera desconfiança”. O Brasil tem cerca de 10% das mortes por Covid-19 no mundo, não 20%. Desinformação por mentira.

2
Desinformação por meia verdade

São constantes as notícias de baixo ritmo brasileiro de vacinação, com menções negativas ao governo, acusado de falta de planejamento. Não se fala que o problema é mundial, e não há como atender a demanda de vacinas no tempo desejado.

Omite-se que o Brasil é, na data em que escrevo, o 6º país no mundo que mais vacinou, em termos absolutos, e o 19° em termos relativos. Que vacinou mais, proporcionalmente, que Rússia, China e Índia — que têm fábrica própria de vacinas. Que tem desempenho equivalente ao do Canadá, em que pese a riqueza e proximidade desse país com os Estados Unidos. Desinformação por meia verdade.

3
Morre-se menos no Brasil que na Inglaterra

Frequentemente se noticia que o Brasil tem 3% da população mundial e 10% das mortes por Covid, querendo com isso indicar que é mal administrada a pandemia pelo governo federal.

Na verdade, misturam-se, nesse cálculo, os continentes americano e europeu, os mais atingidos, com os continentes africano e asiático, e a Oceania, menos afetados. Os números são próximos da realidade, mas as conclusões totalmente falsas. Comparados a países do primeiro mundo, estamos melhores.

Na América, os EUA, que têm 4,5% da população mundial, têm 20% dos mortos por Covid; na Europa, o Reino Unido, que tem 0,9% da população do globo, tem 5% dos mortos. No dia 12 deste mês o portal G1, da Globo afirmava: “O Brasil continua na segunda posição com mais mortes pela doença, atrás apenas dos EUA”. Esse dado solto, sem levar em conta ser o Brasil populoso, é enganador. Quer significar que somos a segunda nação mais desastrada da Terra — no administrar a pandemia.

A verdade completa surge quando se comparam as mortes por milhão de habitantes, e o G1, ardilosamente, não o faz. Se o fizesse, teria que dizer que aqui se morre menos por Covid que na República Checa, Bélgica, Eslovênia, Inglaterra, Hungria, Itália, EUA, Bulgária, Portugal, Eslováquia, Espanha, México, Peru, Croácia, França e outros. Mas o G1 não o faz. Desinformação por meia verdade.

4
Desinformação por duplo tratamento do fato

Tedros Adhanom, da Organização Mundial da Saúde (OMS): ação bisonha no combate à pandemia do novo coronavírus | Foto: Reprodução

Tedros Adhanom, o bisonho presidente da inútil — ao menos nessa pandemia — OMS, em inusitada declaração na semana passada criticava o governo brasileiro, que considerava responsável pelo agravamento do contágio no país.

Ora, Tedros até hoje ficou conhecido pela inação. Nunca criticou ninguém. Nem a China, que deixou, avisada ou desavisadamente, escapar o vírus que se espalhou pelo mundo. Aguardou um ano antes de enviar uma comissão de cientistas a Wuhan para pesquisar a origem da pandemia. Nesse um ano toda e qualquer evidência já desapareceu e a comissão voltou de mãos vazias. Tedros não abriu a boca.

O presidente da OMC Não criticou outros países, onde a situação foi muito mais crítica do que no Brasil. Portugal, por exemplo, no pico do contágio teve, proporcionalmente, 250% mais mortes diárias que o Brasil e falta disseminada de oxigênio. Tedros nunca disse uma palavra. Entende-se: ele é um “companheiro” de esquerda, colega na ONU de Michelle Bachelet, ex-presidente chilena, parte integrante da rede esquerdista de desinformação e inimiga declarada de Bolsonaro, alvo mundial da esquerda. Desinformação por duplo tratamento do fato.

5
Desinformação inútil

Há até a desinformação inútil. A imprensa brasileira atacava, dia sim e no outro também, o presidente Donald Trump, pela simples razão de se alinharem Bolsonaro e ele. “Genocida!” — bradavam, a cada morte por Covid nos EUA. A crer na nossa imprensa, após a posse de Joe Biden, o Covid desapareceu dos EUA. Desde aquele dia, nenhuma linha saiu mais na imprensa sobre o assunto. Não se morre mais por Covid por lá? Vale informar que, até quarta-feira passada, 536.917 milhões de pessoas haviam perecido nos Estados Unidos.

6
Não há vacina contra a pandemia do gramscismo

Antônio Gramsci: filósofo marxista italiano |Foto: Reprodução

Gramsci dizia: “Repita sempre seus argumentos. Essa é a melhor maneira de agir sobre a mentalidade popular”. Versão esquerda da máxima nazista de Joseph Goebbels: “Uma mentira, muitas vezes repetida, passa a ser encarada como verdade”.

Há colunistas que acreditam nessa máxima, como Eliane Cantanhêde, que escreve quase que diariamente, seja no “Estadão”, seja em outros jornais. Ela não tem outro assunto, há um ano, a não ser Bolsonaro. Parece uma obsessão, uma fixação criticar o presidente Bolsonaro, mas é apenas gramscismo em ação, com auxílio da desinformação. Ainda não há vacina para isso.

7
Professora da UFRJ é escravocrata

Idosa que foi escrava por 41 anos | Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo

Cerca de dez dias atrás, a imprensa noticiou que uma professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro manteve por décadas uma senhora em regime de escravidão. Mas nenhum jornal, nenhuma televisão revelou o nome dessa professora. Será uma “companheira” da esquerda? Então estaria explicada a omissão-desinformação.

3 respostas para “Covid, Bolsonaro e o Brasil socialista que é minoritário mas influente”

  1. Baron Camilo of Fulwood disse:

    Com sempre mas uma bela obra Jornalista do Dr. Irapuan! Domingo nunca será Domingo sem está leitura matinal! Parabéns

  2. Obmoloc Oten disse:

    Excelente artigo!!!

  3. Renato Jacob disse:

    Excelente artigo. Irretocável .

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