Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Conhecimento, intelectualidade e educação

Não é preciso um raciocínio muito complexo para se concluir que as raízes de nossos problemas de desenvolvimento estão na educação

A expansão da esfera do conhecimento — embora quanto mais se conheça, também mais se amplie a superfície do desconhecido — é o que torna o homem mais abrigado, mais alimentado, mais saudável, mais longevo e com maiores possibilidades de lazer e diversão. As nações mais desenvolvidas se empenham, quase todas, na busca de melhor ensino, de universidades de ponta, de laboratórios mais sofisticados, na pesquisa da ciência pura e na sua transformação em ciência aplicada. Organismos internacionais renomados buscam incentivar as novas descobertas no campo da ciência, das artes, do entretenimento, da intelectualidade, enfim. A mais conhecida dessas iniciativas estimuladoras de novas descobertas é o Prêmio Nobel. O prêmio, legado do inventor sueco da dinamite e da borracha sintética, Alfred Nobel (1833-1896), é atribuído por instituições suecas e norueguesas desde 1901 a descobertas ou contribuições expressivas para o bem-estar da humanidade nos campos da literatura, física, química, medicina, economia e ação pela paz. Já foi concedido até hoje a quase um milhar de pessoas ou entidades. Observe o leitor quais os países cujos naturais mais foram laureados até agora. Para posteriores considerações, acrescentamos as populações desses países.

Educação: o caminho mais curto para o desenvolvimento | Foto: Reprodução

Salta aos olhos a dianteira dos Estados Unidos no número de prêmios conquistados, bem como o desempenho de Reino Unido e Alemanha. Mas não podemos perder de vista o fato de que se trata de nações populosas. Se calcularmos o número de prêmios por milhão de habitantes, isto é, se dividirmos a primeira coluna pela segunda, o quadro de desempenho muda bastante, como o leitor verá abaixo. Acrescentamos ainda uma coluna, nesse novo quadro, para posterior comentário, que mostra o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano de cada país. Como sabe o leitor, este é um índice de qualidade de vida. Avalia cada país pela renda per capita, pela saúde de seus cidadãos e cuidados públicos voltados para ela, pela expectativa de vida e por índices de educação (escolaridade dos adultos e perspectiva de educação das crianças), e é publicado anualmente pelo PNUD- Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento.

Países com maior índice de prêmios Nobel por milhão de habitantes e seus respectivos IDH

Esse segundo quadro comparativo, levando em conta também as populações dos países, e que o leitor não terá ainda visto em nenhum lugar, escancara algumas verdades sobre as quais há que se refletir, como as seguintes:

1 —Os países mais criativos e mais produtivos do ponto de vista intelectual não são necessariamente os mais ricos, mas os que proporcionam às suas populações as melhores condições de educação e saúde. Os EUA, a rigor, embora sejam a nação mais rica do mundo e tenha as melhores universidades, está apenas em nono lugar na produção per capita de conhecimento científico e literário. Guardadas as proporções populacionais, a discreta Suíça é quase três vezes mais inovadora que o gigante americano.

2 — A estabilidade política está presente nas nações de maior expressão intelectual, embora não se possa afirmar ser ela responsável pelo desenvolvimento desses países. Mas é fato que ela anda de mãos dadas com a produção erudita. Dos dez maiores produtores de conhecimento per capita, apenas dois (EUA e França) não adotam o sistema parlamentarista de governo, e cinco dentre eles (Suécia, Noruega, Dinamarca, Holanda e Reino Unido) são mesmo tradicionais monarquias parlamentaristas.

3 — Dos 14 países listados, apenas dois (Itália e Rússia) tem coeficiente de IDH menor que 0,90. Os 4 mais desbravadores no campo da ciência, da literatura e da paz social (Suíça, Suécia, Noruega e Dinamarca), segundo os critérios do Prêmio Nobel, têm IDH igual ou superior a 0,94, ou seja, são nações muito evoluídas do ponto de vista educacional e da Saúde Pública, parlamentaristas estáveis e de civilizada convivência social, além de estáveis também economicamente.

Não é preciso um raciocínio muito complexo para se concluir que as raízes de nossos problemas de desenvolvimento estão na educação. É ela, a educação, que proporciona o condicionamento mental, o esclarecimento e a disposição para o avanço no estudo e na pesquisa. É ela que prepara o cidadão para o convívio devido em sociedade, com o respeito e a dose de altruísmo necessários. É a educação que orienta na escolha dos representantes e dirigentes adequados, corretos, politicamente estáveis, e que vão legislar para proporcionar meios de preservar a saúde e aprimorar a própria educação, dentro de um ambiente político equilibrado. É a educação que proporciona ao cidadão o discernimento necessário para se informar e separar o que é fato do que é doutrina. Não é o caminho que o Brasil vem trilhando, principalmente nos últimos 30 anos. Com uma educação avaliada entre as piores do mundo por todos os índices internacionais, e em todos os níveis, ou mudamos ou estaremos condenados, como até hoje, a não conquistar nunca nosso primeiro Prêmio Nobel. E o que é pior, continuamos condenados a ter a imensa maioria da população mal servida de cuidados básicos, enquanto uma minoria, o establishment, vive de explorar o dinheiro público. Essa a prioridade que qualquer governo deveria escolher doravante; essa, a inadiável, a urgente prevalência, essa, a primeira das premências brasileiras, capaz de enfrentar todas as outras: a educação.

7 respostas para “Conhecimento, intelectualidade e educação”

  1. Avatar Joao Bosco disse:

    Brilhante o artigo do engenheiro e professor Irapuan
    Demostra com dados apoiado na referência do prêmio Nobel a importância da Educação

  2. Avatar Salatiel Soares Correia disse:

    Salatiel Soares Correia
    O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o resultado da criação de dois economistas de mentes brilhantes: o paquistanês Mahbub ul Haq e o indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen.
    Na reflexão instigante materializada no seu livro “Desenvolvimento como Oportunidade”, Amartya Sen relaciona o conceito da indução do desenvolvimento capaz de criar oportunidades para a sociedade.
    É por essa linha mais humanística que o articulista Irapuan Costa Júnior analisa a importância da educação como instrumento de construção da cidadania. Nesses escritos, o articulista não cai na armadilha de considerar tão somente o quantitativo em si do número de ganhadores do Prêmio Nobel, pois pondera esse quantitativo pelo todo populacional. Além disso, ao considerar O IDH, o ex-governador, como intelectual que é, não se deixa levar pelo avassalador número de ganhadores do prêmio Nobel da economia mais potente do mundo: os Estados Unidos. Ou seja, embora na terra do grande Franklin Delano Roosevelt seja a nação mais laureada pela Real Academia sueca, ela cai para o nono lugar quanto se agrega à análise o IDH.
    Irapuan, enfim, conclui seu artigo com algo que mantém o Brasil preso às amarras do subdesenvolvimento, qual seja: o fato de nenhum brasileiro ter sido laureado com o Prêmio Nobel, aliado a outros fatos como a péssima educação brasileira facilmente constatada por indicadores da maior seriedade que revelam o longo percurso que tem pela frente este país, marcado pela absoluta falta de vontade política de construir a cidadania por meio do único caminho possível: o de uma educação séria e continuada.
    A meu juízo, o artigo é enriquecedor porque integra as partes — ganhadores do Nobel, população e IDH_– no todo que o autor, brilhantemente, nos fez entender: a importância da educação na construção da cidadania de um país.

  3. Avatar Salatiel Soares Correia disse:

    Prezado Jornalista Euler Belém, considerando o assunto abordado na coluna Contraponto deste semanário, creio ser oportuna a publicação deste artigo de minha autoria.
    A MERITOCRACIA E O DURÍSSIMO PROCESSO DE ADMISSÃO NAS UNIVERSIDADES DE PONTA NORTE-AMERICANAS
    Salatiel Soares Correia
    Por que a meritocracia é uma cilada no sistema seletivo das melhores universidades dos Estados Unidos? Conto a seguinte história para, em seguida, debater o que hoje pretendo neste artigo: o duro processo de seleção das universidades de ponta dos Estados Unidos.
    Paulo foi um rapaz estudioso — seja no primeiro ou segundo grau. Seu desempenho escolar sempre o manteve entre os três melhores alunos da turma. Oriundo de uma família de classe média, os pais de Paulo se sacrificaram para que ele pudesse ser competitivo na duríssima seleção para entrar numa das quatro universidades nas quais ele sonhava estudar: Harvard, Yale, Stanford ou Berkeley.
    Concluído o segundo grau e com um histórico escolar de fazer inveja, Paulo, enfim, rumou atrás do seu sonho (e o de seus pais) de estudar numa das melhores universidades do mundo.
    Ao chegar a Nova Iorque, nosso estudioso personagem foi, logo, escrevendo-se para fazer o duríssimo exame de admissão nas faculdades de primeira linha do país de Bill Clinton — o Sholastic Aptitute Test (Teste de Aptidão Escolar), mais conhecido pela sigla SAT.
    Nesse exame, Paulo dispôs de aproximadamente 3 horas e meia para fazer as seguintes provas: leitura, escrita, matemática e redação. Feito o SAT, veio, enfim, a decepção com o resultado: Paulo foi reprovado para cursar engenharia, este era seu sonho, numa das universidades norte-americanas de primeira linha.
    Dessa história de ficção que reflete a duríssima concorrência do vestibular de primeira linha da terra do tio Sam, vem a seguinte indagação: por que um excelente aluno como o Paulo foi reprovado?
    Quem vai responder a essa pergunta são os escritos contidos no livro “A Cilada da Meritocracia”, do professor da Universidade de Yale, Daniel Markovits. Em sua obra, o autor demonstra que o sistema de mérito nos Estados Unidos vem, cada vez mais, alijando a classe média e os pobres de competirem nos processos seletivos das universidades norte-americanas de ponta. Aos dados.
    Quanto ao investimento: a diferença de investimentos é assombrosa. Comparando, em dólares, o quanto os pais de um candidato da classe média investiram no seu filho, desde o jardim da infância ao segundo grau, e quanto foi o investimento dos pais de um filho da elite, a diferença pro filho da elite é de proximamente 10 milhões de dólares! (cerca de 50 milhões de reais). Mas o que isso significa? Significa que, ao longo dos anos de formação, o filho de um rico teve acesso a coisas que um filho da classe média não teve condições de ter: caríssimas escolas bi e até trilíngues, participação em eventos culturais, visita a museus. Enquanto isso, por falta de acesso, os filhos da classe média não terão gastado o tempo livre deles com atividades relacionadas com algo que faz a diferença na hora de fazer a prova do SAT: a formação cultural. A esse respeito, coloca o autor que, “ao chegar aos dezoito anos, os filhos da classe média terão passado cerca de 5 mil horas a mais vendo televisão ou jogando videogames do que as crianças ricas, e as crianças pobres terão passado cerca de 8 mil horas a mais diante de uma tela”.
    No que tange à relação professor aluno: “escolas privadas de elite gastam quantias espetaculares com o ensino. O índice de alunos por professor de 7 para 1, comparado ao das escolas públicas que é de 16 para 1, corresponde a um ensino intensivo e altamente personalizado que não existe na escola pública”.
    Bem, acho que agora podemos entender a causa da reprovação do bom aluno Paulo. Oriundo de uma classe média do mundo em desenvolvimento, os pais de Paulo não tinham condições financeiras para arcar com os elevados custos dispendidos pelos pais de um filho oriundo da elite.
    Por essa razão, o filho da elite estava bem mais habitado para fazer a prova do SAT do que o esforçado Paulo, oriundo de uma classe média de um país periférico.
    Encerro este artigo com a pergunta com a qual o iniciei: por que a meritocracia é uma cilada no sistema seletivo das melhores universidades dos Estados Unidos?
    Eis a resposta: porque a meritocracia restringe a competição somente a uma elite rica, repleta de uma formação bem mais consistente que aquela dos filhos da classe média. Estes não têm condições de arcarem com os elevados custos de uma educação continuada. Nesse sistema, somente os muito ricos concorrem entre eles. Sim, a meritocracia é uma cilada. É uma cilada porque, em nome da igualdade de oportunidades, ela exclui.

    Salatiel Soares Correia é: Engenheiro, Mestre em Planejamento Energético é autor, entre outras obras, de Cheiro de Biblioteca.

  4. Avatar Salatiel Soares Correia disse:

    Comentário da Coluna Contraponto
    Salatiel Soares Correia
    O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o resultado da criação de dois economistas de mentes brilhantes: o paquistanês Mahbub ul Haq e o indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen.
    Na reflexão instigante materializada no seu livro “Desenvolvimento como Oportunidade”, Amartya Sen relaciona o conceito da indução do desenvolvimento capaz de criar oportunidades para a sociedade.
    É por essa linha mais humanística que o articulista Irapuan Costa Júnior analisa a importância da educação como instrumento de construção da cidadania. Nesses escritos, o articulista não cai na armadilha de considerar tão somente o quantitativo em si do número de ganhadores do Prêmio Nobel, pois pondera esse quantitativo pelo todo populacional. Além disso, ao considerar O IDH, o ex-governador, como intelectual que é, não se deixa levar pelo avassalador número de ganhadores do prêmio Nobel da economia mais potente do mundo: os Estados Unidos. Ou seja, embora na terra do grande Franklin Delano Roosevelt seja a nação mais laureada pela Real Academia sueca, ela cai para o nono lugar quanto se agrega à análise o IDH.
    Irapuan, enfim, conclui seu artigo com algo que mantém o Brasil preso às amarras do subdesenvolvimento, qual seja: o fato de nenhum brasileiro ter sido laureado com o Prêmio Nobel, aliado a outros fatos como a péssima educação brasileira facilmente constatada por indicadores da maior seriedade que revelam o longo percurso que tem pela frente este país, marcado pela absoluta falta de vontade política de construir a cidadania por meio do único caminho possível: o de uma educação séria e continuada.
    A meu juízo, o artigo é enriquecedor porque integra as partes — ganhadores do Nobel, população e IDH_– no todo que o autor, brilhantemente, nos fez entender: a importância da educação na construção da cidadania de um país.

  5. Avatar Salatiel Pedrosa Soares Correia disse:

    Senhor Editor, considerando a importância do assunto analisado na coluna do Engenheiro Irapuan Costa Júnior, creio ser oportuna a publicação(nos comentários) deste artigo de minha autoria.

    A MERITOCRACIA E O DURÍSSIMO PROCESSO DE ADMISSÃO NAS UNIVERSIDADES DE PONTA NORTE-AMERICANAS
    Salatiel Soares Correia
    Por que a meritocracia é uma cilada no sistema seletivo das melhores universidades dos Estados Unidos? Conto a seguinte história para, em seguida, debater o que hoje pretendo neste artigo: o duro processo de seleção das universidades de ponta dos Estados Unidos.
    Paulo foi um rapaz estudioso — seja no primeiro ou segundo grau. Seu desempenho escolar sempre o manteve entre os três melhores alunos da turma. Oriundo de uma família de classe média, os pais de Paulo se sacrificaram para que ele pudesse ser competitivo na duríssima seleção para entrar numa das quatro universidades nas quais ele sonhava estudar: Harvard, Yale, Stanford ou Berkeley.
    Concluído o segundo grau e com um histórico escolar de fazer inveja, Paulo, enfim, rumou atrás do seu sonho (e o de seus pais) de estudar numa das melhores universidades do mundo.
    Ao chegar a Nova Iorque, nosso estudioso personagem foi, logo, escrevendo-se para fazer o duríssimo exame de admissão nas faculdades de primeira linha do país de Bill Clinton — o Sholastic Aptitute Test (Teste de Aptidão Escolar), mais conhecido pela sigla SAT.
    Nesse exame, Paulo dispôs de aproximadamente 3 horas e meia para fazer as seguintes provas: leitura, escrita, matemática e redação. Feito o SAT, veio, enfim, a decepção com o resultado: Paulo foi reprovado para cursar engenharia, este era seu sonho, numa das universidades norte-americanas de primeira linha.
    Dessa história de ficção que reflete a duríssima concorrência do vestibular de primeira linha da terra do tio Sam, vem a seguinte indagação: por que um excelente aluno como o Paulo foi reprovado?
    Quem vai responder a essa pergunta são os escritos contidos no livro “A Cilada da Meritocracia”, do professor da Universidade de Yale, Daniel Markovits. Em sua obra, o autor demonstra que o sistema de mérito nos Estados Unidos vem, cada vez mais, alijando a classe média e os pobres de competirem nos processos seletivos das universidades norte-americanas de ponta. Aos dados.
    Quanto ao investimento: a diferença de investimentos é assombrosa. Comparando, em dólares, o quanto os pais de um candidato da classe média investiram no seu filho, desde o jardim da infância ao segundo grau, e quanto foi o investimento dos pais de um filho da elite, a diferença pro filho da elite é de proximamente 10 milhões de dólares! (cerca de 50 milhões de reais). Mas o que isso significa? Significa que, ao longo dos anos de formação, o filho de um rico teve acesso a coisas que um filho da classe média não teve condições de ter: caríssimas escolas bi e até trilíngues, participação em eventos culturais, visita a museus. Enquanto isso, por falta de acesso, os filhos da classe média não terão gastado o tempo livre deles com atividades relacionadas com algo que faz a diferença na hora de fazer a prova do SAT: a formação cultural. A esse respeito, coloca o autor que, “ao chegar aos dezoito anos, os filhos da classe média terão passado cerca de 5 mil horas a mais vendo televisão ou jogando videogames do que as crianças ricas, e as crianças pobres terão passado cerca de 8 mil horas a mais diante de uma tela”.
    No que tange à relação professor aluno: “escolas privadas de elite gastam quantias espetaculares com o ensino. O índice de alunos por professor de 7 para 1, comparado ao das escolas públicas que é de 16 para 1, corresponde a um ensino intensivo e altamente personalizado que não existe na escola pública”.
    Bem, acho que agora podemos entender a causa da reprovação do bom aluno Paulo. Oriundo de uma classe média do mundo em desenvolvimento, os pais de Paulo não tinham condições financeiras para arcar com os elevados custos dispendidos pelos pais de um filho oriundo da elite.
    Por essa razão, o filho da elite estava bem mais habitado para fazer a prova do SAT do que o esforçado Paulo, oriundo de uma classe média de um país periférico.
    Encerro este artigo com a pergunta com a qual o iniciei: por que a meritocracia é uma cilada no sistema seletivo das melhores universidades dos Estados Unidos?
    Eis a resposta: porque a meritocracia restringe a competição somente a uma elite rica, repleta de uma formação bem mais consistente que aquela dos filhos da classe média. Estes não têm condições de arcarem com os elevados custos de uma educação continuada. Nesse sistema, somente os muito ricos concorrem entre eles. Sim, a meritocracia é uma cilada. É uma cilada porque, em nome da igualdade de oportunidades, ela exclui.

    Salatiel Soares Correia é: Engenheiro, Mestre em Planejamento Energético é autor, entre outras obras, de Cheiro de Biblioteca.

  6. Avatar Maria Teresa F. Garrido Santos disse:

    A aferição dos níveis de influência da educação, na perspectiva estatística apresentada pelo articulista Irapuan Costa Junior, é sem dúvida valiosa por sua pertinente triangularidade, enriquecida com o importante índice vinculado ao bem estar, à qualidade de vida da população.
    Reforçando a estatística, homenageio a Suécia (que ali se posiciona num honroso segundo lugar), na pessoa da Professora sueca Ylva Johansson, exemplo de competência, espírito público e probidade. Foi Ministra da Educação; Ministra da Saúde e Terceira Idade; Ministra do Trabalho (reconduzida em 2019) e Comissária da União Europeia para Assuntos Internos. Considerada como a mais bem sucedida Ministra da história daquele país, ela não tem carro oficial, faz o percurso para o trabalho de trem. sem escolta, e exerce as funções com pacífica naturalidade. Aliás, vale observar, também, que os membros da Suprema Corte daquele país não têm carro oficial (é comum ver algum deles se deslocando de bicicleta), nem casa funcional, foro privilegiado etc, E não há caso de juízes envolvidos em suborno. É um dos países menos corruptos do mundo.
    Que o Brasil consiga recuperar os prejuízos avassaladores, acumulados nas últimas décadas, nesse sensível e prioritário setor. E que alcance lugar de destaque nas melhores estatísticas medidoras da Educação.

  7. Avatar Marcos da Rocha Lima disse:

    Eu acrescentaria a este excelente artigo do Prof. Irapuan Costa Júnior a questão da inteligência individual como fator influenciador, talvez determinante da produtividade cultural. É sabido que o chamado QI é desenvolvido nas pessoas em sua primeira infância e é dependente da alimentação. As crianças mal aumentadas produzem indivíduos de baixo QI. Eu convivi durante um certo tempo na Suécia, onde residi em um edifício que abrigava uma escola de crianças ainda muito jovens. Pude observar que as crianças que a frequentavam lá permaneciam o dia todo e recebiam boa alimentação. Os meus filhos também frequentavam outra escola e recebiam também uma boa alimentação na própria escola. O prof. Irapuan cita a Suécia como uma das mais bem avaliadas na sua análise. Então fico pensando se a alimentação das crianças não seria também a responsável pela variação da produtividade cultural existente no mundo.

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