Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Bolsonaro não é culpado por queimadas. Mas a mídia não quer saber da realidade

O Brasil de Bolsonaro é melhor do que o Brasil do petismo. O presidente está tentando ajustar um país que os petistas bagunçaram. Mas a mídia não o avalia com equilíbrio

1 — BNDES, jatinhos e um dos donos do Itaú-Unibanco

Compete muita razão ao presidente Jair Bolsonaro quando exige a abertura da caixa preta que é nosso banco de fomento. Funcionou ali uma usina de aproveitamentos. A lista de financiados no BNDES para compra de jatinhos é outra novidade surpreendente. Além de implicados na Lava-Jato e de outros financiados com contas a prestar à Justiça, ainda há muitas estranhezas.

Exemplo: um dos tomadores é também um dos donos do Itaú-Unibanco. Que tomou recursos do BNDES (recursos públicos, em última análise) a juros por volta dos 5% ao ano e empresta seu próprio dinheiro, com o qual deveria ter comprado o avião, a pelo menos 60% ao ano. Diga o leitor: é ou não uma transferência de renda dos mais pobres (ou paupérrimos) para os mais ricos (ou riquíssimos)?

2 — BNDES e o Fundo Amazônico

O montante captado pelo BNDES para atividades de conservação da Amazônia superou os 3 bilhões de reais, em dez anos. Acontece que só metade desse dinheiro foi entregue aos governos estaduais ou usada pelo governo federal em benefício da floresta. A outra metade, isto é, mais de 1,5 bilhão de reais foi entregue, sem qualquer critério objetivo, às ONGs que atuam na área.

Imaginem-se os aproveitamentos, os desvios e até o uso desses recursos contra os interesses brasileiros. O Brasil, nos governos Lula da Silva e Dilma Rousseff, transferiu ou permitiu que se transferissem muitos recursos públicos a ONGs as mais diversas, o que é um contrassenso. Na Rússia, desde 2006, ONGs não podem receber dinheiro público. E, desde 2015, podem ser proibidas de atuar no país, se suspeitas de irregularidades.

Ipojuca Pontes, diretor de cinema | Foto: Reprodução

3 — Ancine e a mamata para certos cineastas

Os cineastas aproveitadores do Tesouro, apoiados por artistas não menos aproveitadores, andam espalhando inverdades, como aquela dos milhares de empregos dados pela indústria cinematográfica nacional, que seriam perdidos se a Ancine fechasse as descuidadas (com o dinheiro público) torneiras. Ou simplesmente fosse transferida do Rio de Janeiro para Brasília, como quer o presidente Bolsonaro (a quem odeiam de babar pelos cantos da boca).

Nada melhor do que ouvir alguém que conhece o esquema por dentro. E que seja sério. Como Ipojuca Pontes, um dos raríssimos cineastas que se preocupou em levar ao cinema coisas efetivamente brasileiras (consulte-se sua cinematografia), e que nunca se meteu em financiamentos fraudulentos para seus filmes. Em artigo recente, Ipojuca apontou algumas verdades doídas para nossos cineastas esquerdinhas, ou simplesmente malandrinhos com dinheiro público: a Ancine é criação de Fernando Henrique Cardoso, nosso vaidoso ex-presidente, marxista envergonhado, para ficar bem com a nossa “classe artística”, também filo-marxista. Lembra Ipojuca que o ministro da Cidadania, Osmar Terra, mostrou recentemente alguns números, relativos à Ancine: cerca de 3.500 filmes beneficiados não prestaram regularmente suas contas; dos 170 financiados no ano passado, 164 tiveram bilheteria desprezível; mais de metade dos filmes brasileiros não chega a 1.000 espectadores; cada uma dessas produções desqualificadas leva de 4 a 5 milhões de reais de dinheiro público.  E por aí vai…

É velha a mamata dessa malta, que por intermédio do antigo PCB controlou todos esses anos a Ancine — e de certa forma controla ainda. Paulo Francis, o saudoso, inteligente e cáustico jornalista, dizia que os filmes nacionais não valiam o celuloide. E tinha razão. Continua tendo, mais de 20 anos após sua morte.

Orlando Silva, deputado federal do PC do B | Foto: Reprodução

4 — Nova família brasileira e o ex-ministro

Tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei do deputado Orlando Silva, do PC do B, que altera a constituição familiar brasileira, admitindo até casamentos consanguíneos, ou seja, incestuosos.

O parlamentar de esquerda, se estivesse preso, como deveria, não estaria nos agredindo com esses absurdos. Para que o leitor se recorde: Orlando Silva foi ministro dos Esportes de 2006 a 2011. Ficou famoso por comprar até tapiocas com o cartão de crédito do Ministério. Acusado de entregar recursos do Ministério para ONGs (sempre elas) ligadas ao PC do B, e posteriormente desviados para seu partido, foi processado no Supremo Tribunal Federal e teve que deixar o ministério. Tal como os vários processos contra Renan Calheiros, aquele contra Orlando Silva dorme nas gavetas do Supremo.

Leilane Neubarth: choro pelos inocentes | Foto: Reprodução

5 — Choro de Leilane Neubarth

Dias atrás, a jornalista Leilane Neubarth, da GloboNews, chorou ao vivo, ao lembrar seis jovens mortos por balas perdidas em confrontos nas favelas cariocas. Perfeitamente compreensível a emoção de Leilane. Boa parte de nossa juventude é dizimada pela ação do tráfico de drogas, e todos, ainda que internamente, deveríamos chorar por isso.

Muitos jovens se perdem ao aceitar o recrutamento do Comando Vermelho ou do PCC, e tombam nas disputas a tiros pelos pontos de venda. Outros, em número menor, caem ao enfrentar à bala policiais, mais preparados que eles para o embate. Alguns poucos, talvez até mais pranteáveis, morrem como vítimas de balas perdidas. Mas na questão surge o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, que se solidariza com Leilane em um artigo, onde menciona “… os seis jovens mortos pela PM …”. É muita má-fé. É muita falta de caráter. Insinuar que os jovens foram mortos pela PM e não vítimas de balas perdidas. Ou tentar atribuir às armas dos policiais (que estão em risco de vida para proteger os cariocas de bem) todas as balas perdidas, o que está longe da verdade. Traficantes, que não têm o adestramento dos policiais, muito mais facilmente disparam balas perdidas.

Ônibus no qual estavam vários reféns: todos escaparam | Foto: Reprodução

6 — Sequestro de ônibus e jornalismo

O sequestro do ônibus na Ponte Rio Niterói —e que terminou com a morte do sequestrador — há poucos dias, foi a notícia do dia. Muitos comentários pela imprensa. Embora a maioria desses comentários não fosse crítica à operação, sempre existem os jornalistas “politicamente corretos” que interpretam tudo o que acontece sob o prisma esquerdista. Em entrevista à Rádio CBN, o jornalista Kennedy Alencar tenta desinformar sobre o ocorrido. Alega “ter dúvidas” sobre a correção da ação do atirador de elite da PM carioca e chega a mencionar o termo “execução”. Felizmente tudo foi feito às claras e filmado. Felizmente existem as redes sociais. Lembrando: em 2000, no Jardim Botânico, também no Rio de Janeiro e num ônibus sequestrado, como não havia atiradores de elite e a tentativa de neutralizar o bandido não seguiu os padrões clássicos (aplicados desta vez), uma refém acabou morta pelo sequestrador.

Ollanta Humala, ex-presidente do Peru, passou nove meses na cadeia | Foto: Reprodução

7 — Petismo exportou corrupção

Os governos petistas podem se gabar de ter exportado uma mercadoria nunca dantes enviada extrafronteiras: a corrupção. Os métodos petistas de roubo associado a grandes empreiteiras parecem ter sido ensinados a governantes estrangeiros. Ocorre que onde a ditadura não é escancarada e ainda funcionam as instituições, a justiça por vezes alcança algum corrupto. No Peru, o ex-presidente Alan Garcia suicidou-se para não ser preso; o ex-presidente Ollanta Humala passou nove meses atrás das grades e Alejandro Toledo, outro ex-presidente, está foragido. Tudo isso graças às propinas da Odebrecht. Rafael Correa, ex-presidente do Equador, grande amigo de Lula da Silva e Dilma Rousseff, também está foragido pelos mesmos motivos. Como em Cuba, Angola, Moçambique, Nicarágua, Venezuela etc. a Justiça está sob inteiro controle, nada aconteceu ainda com os governantes ou ex-governantes envolvidos com a Odebrecht e assimiladas.

Paulo Guedes, ministro da Economia, tem coragem e vai comandar privatização| Foto: Reprodução

8 — Privatizar estatais é um alento

Brasileiros pensam já se cansaram de suas estatais, que são ao mesmo tempo cabides de empregos, fábricas de corrupção, exemplos de ineficiência e desperdício. É alentador ouvir um ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciar um programa de desestatização. É uma esperança no respeito ao dinheiro dos pesados impostos que recaem principalmente sobre os mais despossuídos. Esperemos que não venham do Congresso os entraves a essa medida saneadora, urgente. Temos mais de 400 estatais. A Alemanha tem 71, o Canadá 47, o Chile 25, os EUA, 18.

9 — Senado e Reforma da Previdência

Num país com 14 milhões de desempregados e outro tanto de subempregados, à beira de uma recessão, com tantos pais de família no desespero, é incrível a insensibilidade de nossos vaidosos senadores, que vão tardar sessenta dias para a votação da urgente urgentíssima Reforma da Previdência. Não se tocam, nem por um segundo, com o sofrimento alheio.

Presidente Jair Bolsonaro: zero de culpa na questão das queimadas | Foto: Reprodução

10 — Bolsonaro não é culpados por queimadas

Pela primeira vez na história, ao que parece, um governante, no caso o presidente Bolsonaro, é responsabilizado por desastres naturais.

O buliçoso presidente francês, Emmanuel Macron, e a raivosa oposição brasileira (ajudados por uma imprensa esquerdista implacável) não têm dúvidas: Bolsonaro anda percorrendo toda a Amazônia com um galão de gasolina e um pacote de fósforos, ateando fogo por onde passa. É ridículo.

No ano passado, na Europa, aconteceram grandes incêndios na Grécia (mais de 90 mortos), na Suécia, na Finlândia, em Portugal (mais de 60 mortos), na Espanha e em outros lugares. Nenhum governante foi apontado sequer como negligente. As queimadas acontecem no Brasil todo ano, na época da estiagem, e em 2019 a estiagem é mais severa. Só uma coisa é diferente neste ano: o presidente do Brasil não é de esquerda.

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