Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Apesar do Congresso, do STF e da Imprensa, Bolsonaro está vencendo uma verdadeira guerra

O presidente tem respeitado as instituições e não evidências de que seja corrupto. Mesmo assim, é intensamente combatido

Espero que o leitor compartilhe comigo uma profunda preocupação: para onde pode a nação ser levada na tentativa que já vai longe de emparedar ou mesmo derrubar a Presidência da República? Quais os limites da profunda dicotomia que estamos vivendo?

Antes de mais nada, é preciso bem definir essa situação de tensão, de verdadeira pré-guerra que experimentamos em nosso dia a dia. Ninguém, em seu juízo perfeito, dotado de inteligência mediana, e com alguma percepção social duvidará de que há um surdo combate entre a facção que perdeu o governo na última eleição executiva federal e o novo conjunto governante escolhido. Entre a esquerda consolidada desde o governo Fernando Henrique Cardoso e o conservadorismo do povo brasileiro, que elegeu o presidente Jair Bolsonaro. Entre uma esquerda minoritária, mas atuante e bem-posicionada e uma direita majoritária, mas ainda acomodada.

Ainda que não planejado, sem coordenação, e sem um chefe que lhe dê cara, o ataque da esquerda inegavelmente existe, e é intenso. Vamos caracterizar esse combate um pouco mais: o lado, digamos, oposicionista, mas que está em franca ofensiva, tem suas trincheiras nos partidos marxistas de vários teores: PT e PSB, “revisionistas”, PSOL, trotskista, PC do B stalinista, PSDB amorfo e fisiológico etc.; conta com elementos do centro-esquerda no Congresso; também no Supremo Tribunal Federal e em alguns nichos da magistratura e do Ministério Público; nos meios acadêmico e artístico; e reina absoluto, ou quase, na imprensa em geral.

Presidente da República, Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

Como se vê, existe uma ampla aliança de esquerda, ainda que não escrita. Já o Executivo federal, ou o que as esquerdas chamam de bolsonarismo, a resistência a esse assalto político se entrincheira nos ministérios, na igreja, em alguns governos estaduais, prefeituras e em boa parte das classes produtiva e trabalhadora. A percepção popular para as intenções políticas sempre existe, embora nos meios acadêmicos e na imprensa não se acredite nisso, e se   julgue o povo como pouco dotado de discernimento e de fácil manipulação. O Executivo conta ainda com o apoio de boa parte das Forças Armadas, mas trata-se de um apoio moral e administrativo, não político. As esquerdas na magistratura dão apoio político, mesmo não devendo, nem podendo, enquanto as Forças Armadas agem inteiramente de acordo com sua atribuição constitucional. É inegável que o governo se encontra na defensiva, e mais grave ainda, além dos problemas e desgastes normais de qualquer governo, tem que enfrentar a pandemia, onde a esquerda tem buscado munição contra ele, ainda que indevidamente.

Não há paralelo entre os dois casos de impedimento mais recentes (Dilma Rousseff e Fernando Collor) e a tentativa atual.

Fernando Collor, embora duramente combatido pelas esquerdas, como Bolsonaro, só foi impedido pela descoberta de seu envolvimento com a corrupção. Não se consegue, apesar dos esforços dos opositores, provar qualquer ato desonesto de Bolsonaro.

Dilma Rousseff havia se tornado figura caricata, por sua deficiência cerebral; além disso praticou, por total ignorância, as célebres “pedaladas fiscais”. Bolsonaro não só nada tem de néscio, como pisa em ovos nas questões constitucionais. Ensaiou-se uma cassação da chapa eleita, Bolsonaro-Mourão, no Tribunal Superior Eleitoral, mas faltou consistência.

O futuro dessa guerra interna que experimentamos é incerto, tanto podendo ter uma solução pacífica por meios institucionais (pela eleição presidencial de 2022), como pode redundar em algum episódio mais grave, principalmente se a escalada das ações para derrubada do presidente enveredar pela via inconstitucional (está no limite dessa transgressão) ou vier acompanhada de artifícios que livrem completamente os aproveitadores de dinheiro público flagrados com excesso de provas nas operações tipo “lava-jato”. Observe-se que na surdina, políticos e outros figurões, sobejamente comprometidos com a corrupção, têm conseguido escapar da lei, por artifícios jurídicos tortuosos, complacência judicial, engavetamento de processos, prescrições permitidas e outras artimanhas vergonhosas. Há na sociedade um certo asco por isso que está acontecendo.

Se o futuro dessa luta não é previsível, ficou bastante claro o contorno do combate no passado, nos dois anos e pouco que se passaram. Bolsonaro enfrentou mesmo antes das eleições uma tentativa de assassinato deveras séria, pelas mãos de um sicário ligado ao PSOL. O acontecimento não foi esclarecido, ficando o executor como um desequilibrado que teria agido isoladamente, contra todas as evidências. Um experimentado perito psiquiátrico goiano, que já atuou em diversos casos semelhantes, discorda inteiramente de seus colegas que examinaram o quase assassino; vê nele um criminoso equilibrado, frio e que planejou cuidadosamente e não sozinho a morte que quase conseguiu.

Eleito e empossado, o presidente enfrentou e enfrenta tempos difíceis, e frentes diversas de ataque. Listemos as principais: Congresso, Supremo e Imprensa.

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No Congresso, as mesas diretoras eleitas para os dois anos passados não foram colaborativas com o Executivo, para dizer o mínimo. O presidente do Senado, talvez pela inexperiência, foi caudatário do presidente da Câmara e sempre foi omisso. Já Rodrigo Maia, como presidente do Legislativo, foi um opositor constante do presidente Bolsonaro, e conseguiu travar toda a pauta de projetos que recebeu do Executivo. Engavetou, como se diz, desde medidas mais simples, como cobrança de transporte de bagagens por empresas aéreas, limites de juros em cartões de créditos e medidas de apoio a atiradores esportivos até medidas de grande importância, como prisão após julgamento em segunda instância, redução de foro privilegiado, privatizações e reformas administrativa e tributária. Foi uma pesada frente de ataque, e que causou grandes atrasos na pauta do Executivo.

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No Supremo Tribunal Federal o Executivo encontrou também forte oposição, manifestada não só por decisões isoladas de ministros, como pelas decisões colegiadas. Algumas decisões da Suprema Corte chegaram à fronteira do inconstitucional, como a proibição de o presidente nomear um diretor para a Polícia Federal e escolher reitores de universidades federais em lista tríplice. Também soaram estranhas medidas da Corte de tornar subalterno o governo federal aos Estados e municípios no combate à Covid-19, a prisão de blogueiros defensores do presidente e até de um deputado federal em discutível flagrante de delito (já que foi preso por mandado) e às altas horas da noite.

Tem sido frequentes as interpelações do Supremo a autoridades federais provocadas por pedidos de partidos marxistas, bastante perturbadoras do trabalho dessas autoridades. As mais recentes dizem respeito ao ministro da Saúde, principalmente por ser um alvo preferencial das esquerdas: é um general do Exército brasileiro, com o agravante de ser da ativa, o que, para as esquerdas derrotadas em 1964, é um crime hediondo e inafiançável, além de ser pecado capital e ofensa imperdoável.

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A terceira frente de ataque que o Executivo suporta é da Imprensa. Se não é o ataque mais danoso, seguramente é o mais cerrado, sem tréguas.

Na Imprensa está o verdadeiro “gabinete do ódio”, que ela costuma atribuir ao presidente. Nunca se viu no Brasil colunistas mais furibundos, acusando Bolsonaro do que fez e do que não fez, mesclando fatos com desejos funestos de cada redação, prevendo desastres que felizmente não acontecem, interpretando a realidade de maneira equivocada, omitindo fatos que não interessam a ela divulgar, se deliciando ao divulgar notícias funestas.

Suprema demonstração de ódio: chegam até a desejar — e defender — o suicídio do presidente. É que Bolsonaro, ao cortar verbas das redes de televisão, caiu na desgraça dos donos, empresários acostumados ao dinheiro estatal, que também furibundos, liberaram as coleiras de suas redações esquerdistas para os ataques, e elas não queriam outra coisa.

Os dois anos vindouros não serão fáceis para o governo. Apenas uma frente de ataque, a do Congresso, dá sinais de trégua, com eleições de novas mesas diretoras, ao que parece, mais afeitas a pensar um pouco no Brasil.

Do Supremo, não se podem esperar mudanças. Sua composição é inteiramente ideológica ou coloquial contra o presidente. Aliás, só mudará o Supremo para uma Corte Constitucional digna desse nome quando mudarem as regras para sua composição, e ali chegarem juízes de longa e profícua carreira ou juristas verdadeiramente renomados como foi um Paulo Brossard ou como é um Ives Gandra.

Da Imprensa, se algo se pode esperar, é que ainda mais endureçam os ataques, já em muitas redações à beira da insanidade. Não percebem muitos colunistas que já chegam ao ridículo e que não possuem o dom de influenciar pessoas como desejam. Após muitos anos desfrutando de uma aparente importância (que realmente nunca tiveram), esses jornalistas são hoje suplantados pelas redes sociais em que, se eles atacam todos os dias, todos os dias são corrigidos.

Em resumo, Bolsonaro não terá dias fáceis pela frente. Nunca até hoje um presidente enfrentou tantas dificuldades como as que ele enfrenta. Manteve-se imperturbado frente às restrições até absurdas da Justiça, e acatou-as. Não enfrenta acusações de desonestidade. Tem ainda pela frente a pandemia, mas o Brasil se sai igual ou melhor que as mais avançadas nações do mundo, digam o que disserem os radicais. Lutar por sua derrubada não só é um desejo de desforra das esquerdas. É querer atingir toda a Nação. E quem sofre são os mais pobres. Teremos guerra? O presidente, sempre que chamado para ela, até hoje reagiu apenas com palavras. Caluniado, chamado de ditador, fascista e genocida, parece ser o mais ajuizado nesse contexto.

8 respostas para “Apesar do Congresso, do STF e da Imprensa, Bolsonaro está vencendo uma verdadeira guerra”

  1. Avatar Baron Camilo of Fulwood disse:

    O domingo não deve começar sem um leitura das opinões objetivas e uma leitura clara dos cenários das coisas como elas são, por Irapuan Costa Júnior. Bravo!

  2. Avatar Antônio G Teixeira disse:

    Excelente texto. A meu ver retrata a realidade vivida! Qual será o desfecho de tudo isso? Preocupante para quem almeja um país com liberdade, justiça e respeito pelas diferenças, porém, com ordem e progresso e direito e estímulo para empreender e abrir frentes de trabalho para que mais pessoas possam progredir através do trabalho!

  3. Avatar Vania Abrão disse:

    Parabéns, Irapuan!
    Seu lúcido e equilibrado artigo dá voz àqueles que não
    compactuam com a farra das verbas públicas e que querem um novo Brasil para que todos tenham acesso a uma boa educação, saúde e empregos, no mínimo.
    É sério demais o que esta esquerda deturpada que me parece existir atualmente na Venezuela, Cuba e aqui com todo empenho para voltar ao velho esquema em que tanto aferiu vantagens desonestas e prejudiciais ao país…

  4. Avatar Levi froemming disse:

    Acredito que o dia de nós Brasileros tomarmos À verddeira posição Patriota está próxima ,não aguento mais tanta corrupção / e persseguiçao contra um Presidente(na minha opinião honesto)

  5. Avatar IRLANDA CARDOSO BARBOSA disse:

    Excelente texto….Escreve de forma clara e sucinta tudo que esta entalado em nossas gargantas….Muito triste ver um presidente com a melhor equipe ministerial de todos os tempos, tenso seu trabalho barrado, por um bando de pilantras desonestos , medíocre, e corruptos. Espero que Bolsonaro se fortaleça, pois sua força vem do povo…Que o povo que ainda acredite nesta gente nefasta acorde para a realidade, e parem de pensar em seus umbigos e passem a pensar no Brasil !!!

  6. Avatar Arcilete calegarine Barreto disse:

    Se o presidente tivesse decretado o fechamento de tudo como faz os governos dos Estados, seria taxado de ditador mas como é os comunistas ninguém critica.
    Ônibus lotado não evita covid porque pobre deve morrer?
    Dizem que as úteis estão lotadas ,mas quando foi que estiveram vazias?

  7. Avatar Antonio Pereira Da Costa disse:

    Ótimo texto. Foi dito toda realidade que o presidente Bolsonaro está vivendo, mas ele está vencendo e vai vencer a todos, porque o presidente Bolsonaro, é honesto, trabalhador e tem Deus e a população brasileira a seu lado!

  8. Avatar Jean-Yves Farias disse:

    Quando vou ler um texto na internet a primeira coisa que vejo é se na mesma página há com se escrever o comentário. Quando existe como aqui é sinal de quem escreve está sujeito ao escrutínio do leitor, coisa que não vemos na UOL, O Globo, Folha, etc. Parabéns pelo texto e pelo espaço para os comentários.

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