Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Alexandre Garcia foi vítima de censura na CNN Brasil

Censura só é entendida como censura, para essa “grande imprensa”, se o censurado for nitidamente de esquerda

O jornalista Alexandre Garcia foi dispensado da CNN, onde apresentava o programa “Liberdade de Opinião”, recentemente. O motivo não poderia ser mais risível: emitiu sua opinião sobre o tratamento precoce para Covid-19. Ficou claro que no programa com título de “Liberdade” houve censura. Volto a comentar daqui a pouco.

Não há currículo tão completo entre os jornalistas brasileiros quanto o de Alexandre Garcia. Nem existe jornalista mais independente do que ele. Filho de jornalista, exerce a profissão há quase 60 anos e já viajou o mundo a trabalho. Tem curso de Comunicação Social da PUC do Rio Grande do Sul. Vocacionado, em fins da década de 1960, trabalhava no Banco do Brasil, uma das mais cobiçadas, prestigiadas, e remuneradas carreiras que um jovem de então poderia almejar, mas deixou o Banco para exercer o jornalismo no “Jornal do Brasil” (“JB”). Fez cobertura política internacional no Uruguai e na Argentina e foi correspondente de guerra na crise das Malvinas, no Oriente Médio e na África.

Alexandre Garcia, jornalista: sua saída da CNN Brasil não o diminui, mas encolhe a CNN, que mostra estar exercendo censura sobre seus jornalistas | Foto: Reprodução

Além dos anos de JB, tem a experiência da TV Manchete (1983-1989), da Rede Globo (mais de 30 anos), onde chegou a diretor de Jornalismo e de onde saiu em 2018. Foi porta-voz da Presidência da República (governo João Figueiredo) no biênio 1979-1980. Viveu episódios dramáticos na carreira. Esteve sob a mira de franco-atiradores na guerra do Líbano. Foi sequestrado e ameaçado de morte por guerrilheiros Montoneros no Uruguai. Safou-se, mas um guerrilheiro roubou e andou usando o seu passaporte para contrabando de armas, e um alerta foi emitido para a Polícia Federal. Resultado: chegando de viagem ao exterior, Alexandre foi preso por uso de passaporte falso, e demoraram algumas horas para provar que ele era ele mesmo.

No presente momento político, em que se acirraram os ânimos entre esquerda e direita, “socialistas” e conservadores, a imprensa quase que em peso embarcou na aventura de tentar derrubar o presidente Jair Bolsonaro. Tudo o mais foi esquecido para tentar esse objetivo. Esqueceram-se os roubos de Lula da Silva e petistas acumpliciados

Doutra feita, agora na Argentina, denunciou um esquema de corrupção na Polícia Rodoviária de lá e teve que vir para o Brasil, pois corria risco de vida. Quando porta-voz da Presidência, teve que enfrentar os ciúmes de seu superior, o ministro das Comunicações, Said Farhat, um acomodado, a quem incomodavam a desenvoltura e a competência de Alexandre Garcia. Mas Alexandre teve também momentos de pompa, como ser condecorado pela rainha Elizabeth com a Ordem do Império Britânico pela cobertura impecável da Guerra das Malvinas. Dele não se conhecem fatos negativos na carreira. Mesmo próximo do poder, dele não se aproveitou, e como comunicador importante que sempre foi, não se deu a mordomias ou patrocínios fáceis que políticos poderosos podem usar para agradar jornalistas.

Em sua trajetória, Alexandre sempre manteve a independência. Saiu do “JB” porque quis, da Manchete por não concordar com o tipo de cobertura que a empresa dava ao carnaval carioca, da assessoria de imprensa da Presidência da República porque ofuscava o seu superior, o ministro das Comunicações.

No presente momento político, em que se acirraram os ânimos entre esquerda e direita, “socialistas” e conservadores, a imprensa quase que em peso embarcou, por motivos vários, econômicos e ideológicos, na aventura de tentar derrubar o presidente Jair Bolsonaro. Tudo o mais foi esquecido para tentar esse objetivo. Esqueceram-se os roubos de Lula da Silva e petistas acumpliciados, o verdadeiro perdão dado pelo STF aos ladrões, os processos que o “exemplar aliado” Renan Calheiros enfrenta e não andam na Suprema Corte, os crimes da família de outro aliado, Omar Aziz, e muito mais. Erros do governo federal são ampliados e seus acertos escondidos. Censura só é entendida como censura, para essa “grande imprensa”, se o censurado for nitidamente de esquerda. Poucos jornalistas conservam o equilíbrio e se preocupam com os fatos, não os maquiam e nem escondem, e Alexandre é um deles.

Essa saída da CNN não diminui Alexandre Garcia, mas encolhe a CNN, que mostra estar exercendo censura sobre seus jornalistas, sabe-se lá por que, embora não seja difícil fazer ilações. Antes de Alexandre, Caio Copolla já havia sido mandado para o ostracismo.

Mas não é fácil calar um jornalista com a experiência de Alexandre Garcia. Outros órgãos de imprensa, como a excelente “Gazeta do Povo”, um jornal curitibano em ascensão, publicam diariamente sua página. É ouvido em dezenas de rádios pelo País afora. Nas redes sociais tem 3 milhões de seguidores. Vamos em frente, Alexandre.

4 respostas para “Alexandre Garcia foi vítima de censura na CNN Brasil”

  1. Avatar Baron Camilo of Fulwood disse:

    Bela análise e merecida justiça a um bom homem

  2. Avatar ADEMIR DAGOSTIN disse:

    Alexandre Garcia é um excelente jornalista político. Suas mensagens de tamanha lisura, faz a gente aprender e motivar de esperança que ainda existe pessoas capaz em nosso Brasil.

  3. Avatar Max vilela disse:

    Sou fã de Alexandre Garcia ótimos análise e comentários verdadeiros. Sempre grande Garcia..!! Max,/2021

  4. Avatar Bosco Carvalho disse:

    Ah, Irapuan!
    Que pena você não saber distinguir “liberdade de opinião” de disseminação de mentiras, ditas por um pelego de ditadores!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.