Wilder comanda, mas não convence o PL
13 junho 2026 às 21h00

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A tradicional coluna Bastidores desta semana trouxe, entre suas dezenas de notas afiadas e exclusivas, uma que retrata de forma ácida e cômica, mas fiel, a atual situação do pré-candidato do PL ao governo de Goiás, Wilder Morais. Intitulada “Membros do PL abandonam Wilder Morais para apoiar Daniel Vilela e Marconi Perillo”, o texto começa assim:
“Um repórter perguntou para uma figura de proa do PL: ‘O que se ouve sobre o senador Wilder Morais, pré-candidato a governador de Goiás pelo PL, no interior do Estado?’. Eis a resposta, curta e seca, do membro do Partido Liberal: ‘O problema é exatamente este — não se ouve nada sobre Wilder Morais, exceto a respeito de sua ausência do processo político’.”
A princípio, a informação pode soar, para os leitores mais ortodoxos, como uma provocação a Wilder, quase uma galhofa contra um dos representantes do PL em Goiás. Mas quem acompanha a política goiana de perto logo vê que a fala da fonte, em tom brincalhão, expressa exatamente o que a legenda de Jair Bolsonaro sente pelo senador, que é um não-sentimento.
É quase um paradoxo conceber que, com a pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas confirmada, Wilder Morais está cada vez mais perto de ser um ilustre desconhecido. Enquanto, na política eleitoral, a regra de ouro é se expor e se apresentar de forma cada vez mais intensa, tecer alianças, firmar grupos e garantir apoios, na cabeça de Wilder o samba toca em outro ritmo, bem diferente.
O parlamentar voa baixo, fora do radar da imprensa (da qual parece não ser afeito), e parece evitar contatos e encontros com correligionários partidários e ideológicos. Essa é justamente a reclamação que mais pesa desde que Wilder assumiu a direção estadual do PL, no início de 2023. Ao Jornal Opção mesmo, não faltou integrante do PL – e com mandato – que disparasse, em alto e bom som: “Wilder nunca me chamou para uma reunião, para uma conversa, nada”.
As estratégias de campanha, da mesma forma, se existirem, estão enclausuradas a sete chaves na mente de Wilder. O pré-candidato parece não confiar em dividi-las nem com os mais estrategistas e experientes membros de seu partido. Não faz muito tempo, um ilustre integrante do PL em Goiás disse à reportagem do Jornal Opção, durante uma entrevista: “Não sei qual a estratégia de Wilder, mas imagino que ele saiba o que está fazendo. Ele não é bobo”.
De fato, bobo não é. Pelo contrário, o senador do PL tem uma inteligência admirável para articulações. Não fosse assim, não teria conseguido sobrepor seu projeto pessoal ao coletivo (lembre-se: a ideia inicial do PL, construída a várias mãos, era a de uma composição com o governo em Goiás. O que, obviamente, não aconteceu).
Wilder, no entanto, parece validar-se e apoiar-se tanto na inteligência que sabe que possui que parece ignorar que precisa de aliados. Mas estes parecem enxergar cada vez menos a possibilidade de ter, de fato, voz no projeto que Wilder caminha para construir.
O senador aparenta não ter em sua lista de preocupações, por exemplo, o fato de não contar com o apoio da maior liderança bolsonarista de Goiás, o deputado federal Gustavo Gayer. O parlamentar, dono de uma oratória invejável e figura próxima da família Bolsonaro, tem cumprido o papel protocolar de afirmar que está com Wilder.
Mas, nos bastidores, diz-se que não move uma palha para ajudar o correligionário (não depois da reviravolta perpetrada pelo colega no que diz respeito aos rumos do partido no Estado).
E como se não bastasse a debandada de prefeitos do PL, já noticiada pelo Jornal Opção, agora é cada vez mais frequente a presença de integrantes do PL e bolsonaristas em eventos de outros pré-candidatos. Não que isso seja uma declaração oficial de apoio aos oponentes de Wilder (em alguns casos, foi), mas sinal mais claro de que a base de Wilder está cada vez mais perto de ser um projeto para inglês ver é difícil haver.
Após a prefeita do PL Marly do Valdineis marcar presença em encontro da base governista, Marcelo Baiocchi tecer elogios públicos a Daniel Vilela e o prefeito Márcio Corrêa, bolsonarista convicto e do PL, deixar claro que deve caminhar com o atual governador em seu projeto de reeleição, agora foi a vez do deputado Major Araújo, também do PL, ser visto em euforia em um evento do ex-governador e atual pré-candidato Marconi Perillo.
Realizado neste sábado, 13, o ato da Associação dos Veteranos de Goiás (Avego) reuniu cerca de 500 veteranos da Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros e contou com grande aclamação ao tucano Perillo. Em uma das fotos de divulgação do evento, Araújo aparece ao lado de Marconi, assim como o delegado Humberto Teófilo, do Novo (partido aliado do PL, mas que tem pré-candidato próprio, Telêmaco Brandão).
Leia-se: não se viu – até o momento – nenhuma declaração clara de apoio oficial de Araújo e Teófilo a Marconi. Mas a presença dos dois ali é, no mínimo, simbólica. É preciso lembrar que, até algumas semanas atrás, o deputado Major Araújo estava comprando briga com integrantes do próprio partido na Assembleia Legislativa para defender Wilder.
Há tempos, analistas políticos comentam que, talvez, Wilder Morais possa estar contando 100% com a força do bolsonarismo em Goiás, enquanto “joga parado”. Outros dizem que ele está apenas “esquentando os motores”. Enquanto isso, o pré-candidato do PL segue aparecendo em terceiro lugar na maioria das pesquisas de intenção de voto divulgadas até hoje.
Uma coisa é certa: se não se movimentar na direção de uma base realmente sólida, no final, Wilder pode ficar só com o apoio do Morais (e não é o Alexandre. Não mesmo).



