Segundo senador que mais faltou a votações em 2026, Wilder quer convencer Goiás de que será um governador presente
22 agosto 2026 às 21h00

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O senador Wilder Morais, do PL, candidato ao governo de Goiás, é o segundo parlamentar que mais deixou de votar no Senado nas votações nominais realizadas até junho de 2026. É o que aponta um levantamento publicado pela Folha de S.Paulo no dia 27 de junho, com base nos registros da própria Casa, que revela que Wilder deixou de votar em 24 das 49 deliberações nominais analisadas, o equivalente a 49%. Só Romário, também do PL, teve desempenho pior, com 51% de ausência.
Não dá para negar ou ignorar que se trata de um dado, no mínimo, significativo para quem pretende deixar o Senado para ocupar o Palácio das Esmeraldas sob o discurso de que pretende “fazer mais e melhor para o povo goiano” – como tem dito continuamente em discursos e sabatinas.
As votações nominais, destaca-se, são aquelas em que cada senador precisa registrar individualmente seu voto. O levantamento da Folha levou em conta as votações nas quais os senadores marcaram presença, mas não votaram, ou nas quais não compareceram, e não considerou votações simbólicas, nas quais não é possível identificar a posição de cada parlamentar. Também excluiu ausências justificadas por motivos como saúde, missões oficiais, atividade política e licença-paternidade.
Com a campanha eleitoral começando a esquentar, é preciso questionar: antes de pedir ao eleitor a oportunidade de comandar o Estado, Wilder perguntou a si mesmo por que faltou tanto ao trabalho que já lhe foi confiado?
É claro e notório que o mandato de senador não se resume às votações nominais, longe disso. Ser um parlamentar dessa magnitude também abrange articulações contínuas, negociações infindáveis, debates acalorados, atendimentos a lideranças e autoridades, estudos de temas complexos e mais uma infinidade de iniciativas pertinentes ao Parlamento e que ocorrem, muitas delas, fora do Plenário.
Entretanto, também seria conveniente não transformar essa ressalva em um tipo de salvo-conduto, já que votar projetos e deliberar sobre matérias de interesse do país e dos Estados é parte essencial do trabalho para o qual o senador foi eleito. E, nesse quesito em específico, Wilder tem um problema.

Quase metade das votações nominais analisadas pela Folha passou sem que o senador registrasse seu voto. É muita coisa para quem pretende convencer os goianos de que está disposto a “fazer mais e melhor”.
Quando trazemos a comparação com Flávio Bolsonaro a coisa toma outra dimensão. O filho de Jair Bolsonaro, que disputa a presidência da República e, portanto, está envolvido em uma eleição nacional que exige uma agenda política muito mais extensa e abrangente, apareceu em quinto lugar no ranking dos mais faltosos, com 43% de ausência nas votações nominais. Wilder ficou em segundo lugar, com 49%.
Em suma, até quem está tentando ser presidente da República conseguiu votar mais no Senado do que quem está tentando ser governador de Goiás. Em tempo: Wilder esteve presente, mas não votou nem na indicação de Jorge Messias para o STF, nome contra o qual o bolsonarismo fez campanha radical.
Wilder tem o costume de apresentar sua candidatura ao governo como uma oportunidade de colocar sua experiência e sua força política a serviço dos goianos. A questão é que o eleitor pode, perfeitamente, olhar para o mandato que ele exerce hoje e perguntar: “Se o senador não tem conseguido estar presente em uma parcela tão expressiva das votações do Senado, por que deveria acreditar que terá uma disposição diferente ao assumir um cargo ainda mais exigente?
Governar Goiás, é preciso lembrar, não foi, não é e nunca será um trabalho de meio expediente. O governador precisa acompanhar obras, saúde, segurança, educação, contas públicas, investimentos, municípios e uma infinidade de problemas que não costumam seguir agenda partidária.
Durante a convenção do PL, em agosto, ao falar sobre seu apoio a Flávio Bolsonaro, Wilder afirmou, em um ato falho ou uma possível revelação inconsciente de suas intenções, que primeiro defenderia o candidato à presidência e depois o Estado de Goiás. A frase, claro, provocou um bombardeio de críticas justamente porque expôs uma ordem de prioridades pouco confortável pra quem pretende pedir ao eleitor a oportunidade de governar o Estado.
O eleitor pode até aceitar que um senador tenha outras agendas, que faça articulações políticas e que passe parte do tempo fora do plenário. O que fica bem mais difícil de explicar é uma taxa de ausência próxima da metade das votações nominais e, ao mesmo tempo, um discurso de que será o governador que fará “mais e melhor”.
Até porque, convenhamos: no Senado, Wilder já tem a oportunidade de defender Goiás. Não precisa esperar 2027, nem uma eleição, nem a faixa de governador.


