Em abril de 2024, a poucos meses das eleições municipais, o então suplente de deputado Márcio Corrêa deixou seu partido, o MDB, e se filiou ao PL. A intenção, como já era previsto, era justamente se candidatar ao cargo de prefeito de Anápolis. Não faltou quem visse o movimento também como um afastamento de Daniel Vilela, naquela época vice-governador, com quem Márcio nutria não só uma forte aliança política, mas também uma amizade. Ledo e absoluto engano.

A migração partidária de Márcio Corrêa não só contou com o aval de Daniel, como também seu incentivo. Dizia-se que o suplente de deputado teria mais chances de se eleger ao Executivo anapolino em um partido de viés bolsonarista, segmento que conta com forte apelo no município. E a tese estava correta.

Com forte discurso bolsonarista e enxergando na baixíssima popularidade do então prefeito Roberto Naves uma brecha para “quebrar” sua cadeia de poder, Márcio lançou sua candidatura e foi eleito com uma grande margem de diferença para o candidato do PT, Antônio Gomide, e a candidata de Naves, Eerizania Freitas.

E o que chamou atenção, já no PL e eleito prefeito, foi que Márcio, mesmo mantendo sua postura antipetista, parece ter optado por não abraçar cegamente o projeto de poder bolsonarista, que inclui apoiar e obedecer de forma inquestionável todo e qualquer nome do clã Bolsonaro e as figuras apoiadas por ele. O gestor anapolino não só se manteve leal à aliança com Daniel, como a potencializou.

Seguindo no Partido Liberal, que tem o senador Wilder Morais como pré-candidato ao governo de Goiás, Márcio Corrêa passou ao largo dos principais atos de pré-campanha de Wilder realizados até hoje e manifesta, de forma cada vez mais clara, que deve caminhar com Daniel Vilela no projeto dele de reeleição.

Institucionalmente, o prefeito de Anápolis não pode se queixar. Ao longo da gestão Caiado, que hoje banca a pré-candidatura de Daniel Vilela, o município anapolino pôde contar com uma série de investimentos envolvendo o governo estadual, sobretudo na área industrial da cidade, fortemente puxada pelo Distrito Agroindustrial, o Daia, que é alvo constante de atenção da Codego.

Destaque para a parceria entre o estado e a Brainfarma para investimentos de R$ 2 bilhões no parque industrial, anunciada em 2021, para gerar pelo menos 8 mil empregos diretos e indiretos na região; o início das obras de instalação da nova unidade fabril em Anápolis, com investimento inicial previsto de R$ 140 milhões, da Indústria Brasileira de Gases, que contou com a articulação direta da Secretaria da Indústria e Comércio; reabilitação do Anel Viário do Daia, que amplia a capacidade do trecho de 7,9 quilômetros que conecta a GO-330 a BR-060 e reforça a infraestrutura de um dos principais polos industriais do Estado, entre outros.

Agora com Daniel, o município parece estar recebendo a mesma atenção. O governador esteve em Anápolis neste sábado, 25, pela terceira vez desde que assumiu o Palácio das Esmeraldas. Em evento com Márcio, o governador anunciou uma parceria voltada à modernização do transporte coletivo do município.

Daniel também anunciou a licitação para obras de esgoto no Residencial Copacabana, atendendo a uma demanda antiga da prefeitura. E conforme apurado pelo Jornal Opção, o chefe do Executivo estadual deve estar na cidade no começo da próxima semana, pela quarta vez desde assumir o mandato, para anunciar um protocolo de intenções para a ida de uma grande empresa para a região.

No evento de hoje, Márcio Corrêa não mediu palavras para descrever a aliança e a parceria que tem com o governador emedebista: “se não fosse o seu apoio, eu não teria como avançar com nossos projetos. Foi o Daniel Vilela, em 2018, que me inseriu na carreira política, me apoiou em 2020 e em 2022”, disse o único prefeito do PL à frente de uma das dez maiores cidades de Goiás.

O movimento, por óbvio, não passa despercebido dentro do PL. O apoio cada vez mais explícito de Márcio a Daniel Vilela, como é sabido, gera um certo desconforto em um partido que quer consolidar um projeto próprio de poder em Goiás, especialmente tendo um pré-candidato ao governo já posto. Ainda que não haja um enfrentamento direto, a posição do prefeito vai na contramão do que pede a legenda no estado: um palanque escancarado para Wilder.

Mesmo assim, Márcio Corrêa não dá sinais de que pretende rever esse caminho. O alinhamento com Daniel dá sinais de estar ancorado sobretudo na percepção já antiga do prefeito de que o governador tem o perfil republicano e institucional que é capaz de garantir estabilidade e continuidade administrativa. E ao sustentar esse apoio, o prefeito anapolino sinaliza que sua escolha é muito menos ideológica e mais orientada por resultados.