Com água no pescoço, Lula lança mais uma “boia de emergência”
18 abril 2026 às 21h00

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Entre pesquisa, sai pesquisa, os números quanto à aprovação do presidente da República, Lula da Silva, parecem mudar da água para o H2O. Segundo o último levantamento da Genial/Quaest, divulgado na última quarta-feira, 15, 52% da população desaprovam a gestão do petista, enquanto o número daqueles que aprovam fica em 43%.
A pesquisa antes dessa, também do instituto Quaest, apontava um cenário se não semelhante, pior. Conforme o levantamento divulgado no dia 11 de março, a aprovação de Lula era de 44%, enquanto a desaprovação ficou cravada em 51%. Desconsiderando a variação pequena, o ponto principal é que a quantidade daqueles que não gostam do “jeito Lula” de governar corresponde a mais da metade dos entrevistados.
E o ponto mais desesperador para o Planalto não é nem este, mas sim o fato de que esses números negativos quanto ao governo Lula se mantêm mesmo após o presidente jogar na mesa suas principais cartas para a reversão desse cenário.
Uma dessas cartas, por exemplo, foi a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas que ganham até R$ 5 mil por mês, além de estabelecer descontos para rendas de até R$ 7.350 mensais. A lei foi sancionada ainda em novembro do ano passado, após uma longa batalha travada com o Congresso Nacional para a manutenção dos principais pontos do projeto.
Vale apontar que, no total, cerca de 15 milhões de brasileiros deixam de pagar imposto de renda com a nova lei, sendo 10 milhões que passam a ser isentos e outros 5 milhões que contarão com redução no imposto.
O outro trunfo do presidente, esse ainda em articulação, mas frequentemente na boca de Lula e de seus auxiliares, é o fim da escala 6×1 de trabalho.
Na última terça-feira, 13, Lula assinou uma mensagem presidencial que formalizou o envio ao Congresso, com urgência constitucional, de projeto de lei que reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado e proibindo qualquer redução salarial. Na prática, o texto coloca fim à escala 6×1. A mensagem foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
Em entrevista à imprensa no Palácio do Planalto, o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou, ao lado do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que acredita que o projeto será aprovado em um prazo de 90 dias, considerando os períodos de tramitação na Câmara e no Senado.
Mesmo tendo sido enviado para análise dos deputados e senadores somente nesta semana, o fim da escala 6×1 tem sido, há tempos, uma das maiores armas do governo federal para reverter a desaprovação de Lula junto ao eleitorado. Trata-se de uma pauta que, junto com a isenção do Imposto de Renda, impacta diretamente no cotidiano do trabalhador médio, que é justamente a maior parcela dos eleitores brasileiros.
E mesmo assim, essas cartas do presidente, jogadas tecnicamente na hora certa, parecem não ter surtido efeito algum. A aprovação de Lula continua em queda livre, para o desgosto do presidente e de seu entorno, que já se preparam para entrar na campanha à reeleição.
O pânico no Planalto parece ficar ainda maior diante das últimas pesquisas de intenção de voto. Conforme o levantamento DataFolha divulgado na última semana, Lula perdeu a vantagem que tinha e empatou com Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema num possível 2º turno. Ainda conforme a sondagem, 48% dos eleitores rejeitam Lula, contra 46% de rejeição a Flávio.
O destaque foi para Caiado. Até então subestimado pelo núcleo petista, passou a ser visto como uma ameaça real, o que não deixa de ser verdade. Tomando para si o título de candidato da direita moderada, o ex-governador de Goiás tem trabalhado para captar tanto o eleitorado de centro, que tradicionalmente costuma definir as eleições, quanto o de eleitores de direita cansados de extremismos.
Diante do fracasso das últimas tentativas de alavancar a popularidade do presidente, mesmo com essas ferramentas, o Planalto agora deve jogar sua “boia de emergência”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou na sexta-feira, 17, que o novo programa de renegociação de dívidas do governo federal já está concluído e deverá ser anunciado após o retorno de Lula ao Brasil, já que o mandatário está em viagem internacional oficial.
Durigan ressaltou que o governo já apresentou informações preliminares sobre a iniciativa, que tem como objetivo facilitar a renegociação de débitos por meio da atuação do sistema financeiro.
O ministro destacou ainda que o programa não terá impacto direto sobre o gasto primário da União. De acordo com ele, a estratégia será utilizar garantias do Tesouro para incentivar os bancos a oferecer condições mais favoráveis aos devedores, permitindo descontos nas dívidas e posterior refinanciamento com juros mais baixos e valores reduzidos.
Levantamento feito pelo jornal O Globo apontou que o estoque de dívidas sujeito ao novo programa de renegociação pode chegar a R$ 140 bilhões. A estimativa, ainda de acordo com o veículo, considera dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado cujo atraso varia de 91 dias a três anos detidas por pessoas que ganham até 5 salários mínimos, com base nos números de dezembro de 2025. Ou seja: mais uma vez, terá impacto direto no dia a dia do brasileiro médio e pode beneficiar onde dói mais, no bolso.
A seis meses das eleições, o tempo urge para que Lula ache a saída certa para melhorar sua imagem junto ao eleitorado, agora mais do que nunca desgastada por escândalos envolvendo, por exemplo, o Banco Master, o filho de Lula e até o STF.
Não se sabe se o novo programa de renegociação, que servirá como mais uma “boia de emergência” do governo, vai surtir efeito. Se fracassar, assim como as outras cartas antes na manga do presidente, o sinal mais claro é que o eleitorado já pode ter, muito provavelmente, feito sua escolha. E ela passa longe de uma opção de governo de continuidade. A ver.

