Italo Wolff
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Nesta semana, o sol atacou – 49 satélites destruidos

As telecomunicações dependem cada vez mais de satélites posicionados fora do escudo magnético da Terra, e que podem ser atingidos por tempestades de radiação

Aurora boreal no Alasca, Estados Unidos | Foto: Reprodução/WikiCommons

Tempestades geomagnéticas, ou tempestades solares, são descargas anormais de radiação vindas do sol – grandes ventos solares. O evento parece dramático – e é – mas na Terra, onde estamos protegidos pelo escudo magnético da Terra, nos acostumamos a ver os eventos nas bonitas luzes da aurora boreal em segurança.

O escudo magnético da Terra – criado pelo núcleo metálico e líquido no centro planeta, que gira como um dínamo – cria uma barreira que deflete a energia da tempestade solar na atmosfera superior do nosso planeta e a aquece. Fora da zona de proteção, entretanto, objetos ficam expostos a essas doses altíssimas de radiação. Isso não costumava ser um problema, até o lançamento dos primeiros satélites artificiais, que ficam em órbita da Terra e dos quais hoje precisamos para nos comunicar.

Nesta semana, uma imensa tempestade geomagnética deu a todo o País de Gales uma bela exibição da aurora boreal, mas também também tirou 49 satélites de órbita, condenando-os a um incêndio na reentrada da atmosfera da Terra. Todos eram satélites Starlink, de propriedade da empresa SpaceX de Elon Musk, e foram lançados do Kennedy Space Center na quinta-feira, 3 de fevereiro. Eles tinham entrado com sucesso em sua órbita inicial no ponto mais baixo possível, cerca de 210 quilômetros acima da superfície terrestre.

Os satélites Starlink tem o objetivo de fornecer internet de alta velocidade para a maior parte da Terra, inclusive zonas geograficamente isoladas. No entanto, como as partículas carregadas da tempestade geomagnética chegaram no dia seguinte ao lançamento, a densidade da atmosfera da Terra aumentou ligeiramente, causando um efeito de arrasto nos satélites, que por sua vez os levou a perder altitude e queimar na reentrada.

A equipe da SpaceX tentou tomar medidas evasivas à medida que a tempestade se aproximava, colocando os satélites em ‘modo de segurança’ e reposicionando o ângulo em que eles entraram na tempestade, voando em direção a ela. No entanto, isso não conseguiu salvar uma grande proporção dos satélites que queimaram ou queimarão ou queimarão em breve. Por serem pequenos (cada satélite pesa menos de 260kg), não há risco dos objetos atingirem o solo; eles devem incendiar completamente na atmosfera.

A Starlink agora conta com mais de 2.000 satélites em órbita ao redor da Terra, com cobertura em todo o planeta. O primeiro lote foi lançado em maio de 2019, com aprovação regulatória já dada para aumentar esse número até 12.000, com possibilidade de satélites adicionais a seguir.

As tempestades solares são conhecidas por causar quedas de energia e interrupções nas telecomunicações. Em setembro de 1859, a tempestade solar mais forte da história, que ficou conhecida como Evento de Carrington, criou auroras em todo o planeta, e incendiou redes de telégrafo em todo o mundo. Um evento desta magnitude nos dias de hoje seria catastrófico para as comunicações e aparelhos elétricos em toda a Terra.

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