A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

Maioria dos eleitores acredita que a inflação avançará, apurou pesquisa

Dilma Rousseff está em exposição permanente, enquanto Aécio Neves e Eduardo Campos estão aquecendo

Dilma Rousseff está em exposição permanente, enquanto Aécio Neves e Eduardo Campos estão aquecendo

Dois terços dos eleitores, 65%, esperam alta da inflação. Outros dois terços, 63%, acreditam que a presidente Dilma Rousseff fez pelo país menos do que esperavam. A soma de descontentamentos populares apurados pelo Datafolha causou a queda da aprovação ao governo e do voto em Dilma na pesquisa divulgada há uma semana.

Na pesquisa anterior do Da­ta­fo­lha, a intenção de voto em Dilma era de 44%. No início de abril caiu para 38%. A aprovação ao governo (ótimo/bom) caiu de 41% para 36%. A rejeição (ruim/péssimo) subiu de 21% para 25%.

Há corrupção na Petrobrás, responderam positivamente 78% dos eleitores. Nesse conjunto, 23% acreditam que a corrupção na petroleira é a maior entre as empresas públicas. Apenas 5% acreditam que não há desonestidade na companhia. O escândalo da aquisição da refinaria de Pasadena era conhecido pela maioria, 57%.

Além do pessimismo com a economia, trabalha contra Dilma a nítida percepção de que há corrupção no governo. A última rodada do Data­folha ocorreu em 2 e 3 de abril, quando o noticiário sobre corrupção já se embalava na imprensa com escândalos sucessivos, o que levou o presidente do PT, deputado Rui Falcão, a comemorar a liderança da presidente na pesquisa:

— Houve um verdadeiro tsunami contra o governo e, mesmo assim, ela (Dilma) continua liderando, os adversários não cresceram e a confiança de mudança está do nosso lado.

A tendência, no entanto, é a de alteração contínua. Na falta de apuração dos escândalos pelo governo e do controle da mídia recomendado por Lula na entrevista a blogueiros, a imprensa terá material para divulgar. Mesmo se não vier a CPI da Petrobrás, o empenho do ex-presidente e do PT contra a investigação será garantia de indignação eleitoral.

Os adversários não cresceram, no­tou Falcão. No cenário mais pro­vável de disputa presidencial, diminuiu a vantagem da presidente. Ela tinha 44% no Da­ta­folha anterior e ficou com 38%. O tucano Aécio Neves tinha 16 pontos em fevereiro e assim continua. O socialista Eduardo Cam­pos su­biu um degrau, foi de 9 a 10 pontos. A diferença a favor de Dil­ma caiu de 19% para 10%.

Aécio e Campos ainda não existem para a massa dos eleitores. A presidente é conhecida por 87% dos eleitores. Sessenta por cento apenas ouviram falar de Aécio ou não o conhecem. Em relação a Campos, são 78% na mesma situação. Dilma está em exposição permanente na campanha pelo país com as ferramentas oferecidas pelo governo. Os outros se aquecem.

Com o declínio da presidente e a onda de denúncias, o PT passa a depender mais dos partidos aliados. Nesse movimento, pode perder espaços regionais, cedendo posições nas chapas de candidatos nos Estados. O PT de Lula tende a passar a vítima de seu projeto de hegemonia nacional. A CPI da Petrobrás entra desde logo na negociação regional.

Na quinta-feira, a presidente iniciou um movimento capaz de levar ao realinhamento no Ceará. Recebeu em almoço no Alvorada quatro senadores do PMDB. Entre eles, o cearense Eunício Oliveira, candidato ao governo. Dilma tem compromisso com o governador Cid Gomes para apoiar o nome indicado pelo Pros. Agora, pode decidir por Eunício.

As posições na Esplanada também se tornam peças de negociações dentro da hipótese de reeleição de Dilma. A presença ministerial do PT poderá emagrecer por causa da nova gordura da dependência aos aliados. Na face atual da Esplanada, é possível a troca do ministro da Fazenda, Guido Mantega, por um novo nome que rejuvenesça a confiança na economia. Se houver reeleição, o novo poderá continuar na posição.

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