É praticamente impossível ignorar que os pés dos jogadores parecem ter entrado num acordo cromático. Não importa a seleção, nesta Copa a cor rosa está presente a cada arrancada, carrinho, cruzamento e comemoração.

Mas, se acha que a tendência da Copa é a chuteira rosa, você está olhando para o lugar errado. Muito além da cor, este caso revela como o futebol se tornou uma vitrine global de tendências, estilo e consumo.

Uma consultoria de tendências previu o fúcsia como a cor de 2026 ainda em 2024, e as fabricantes que desenham seus lançamentos com dois anos de antecedência calibraram o tom para o contraste máximo com o verde do gramado. O único que entra em campo de preto é o árbitro, justamente o que não tem patrocinadores para a venda de chuteiras.

Visibilidade, tendência e técnica

Jogadores da Seleção Brasileira, como Vini Júnior, também usa chuteiras rosas | Foto: Reprodução

Além da visibilidade, a tonalidade transmite conceitos associados à velocidade, ousadia e modernidade, atributos que as marcas desejam vincular aos seus principais atletas.

O curioso é que não houve ação conjunta entre os fabricantes. Os principais concorrentes — Adidas, New Balance, Nike e Puma — apostaram simultaneamente em modelos vibrantes. Se antes as chuteiras eram avaliadas por desempenho, tecnologia e conforto, hoje a estética também compõe a análise.

Essa escolha também conversa com a lógica moderna do futebol. Em 2026, a chuteira não é apenas equipamento. É vitrine. Um modelo usado por um atacante famoso em uma partida da Copa pode aparecer em milhões de telas em poucos segundos. Cada câmera lenta vira propaganda. Cada gol vira catálogo. Cada comemoração aproxima o produto do torcedor.

O resultado é uma Copa em que a bola e os gols continuam sendo as personagens principais, mas os pés roubaram dela parte da cena. Moda e estratégia podem até não garantir o placar de um jogo, mas definitivamente são capazes de transformar um game de 90 minutos num outdoor ambulante.